August 31, 2009

 Privacidade 

A internet vai acabar com a vida privada?

Aceitem os fatos, dinossauros: comunicação via internet veio para ficar. Vocês podem reclamar o quanto quiser sobre como é impossível conhecer pessoas sem ser cara-a-cara, como não é a mesma coisa, como existem coisas faltando, e tantas outras reclamações sobre as quais vocês poderão até estar certos. E em alguns casos até estarão certos, mas não importa, a tecnologia avança, e se o melhor uso que vocês podem fazer dela é para reclamar no twitter/orkut/facebook/afins sobre como twitter/facebook/orkut/afins é ruim, então sai da frente, que eu vou me adaptando (e saindo do seu jardim).

Minha motivação é o caso da professora infantil que foi filmada dançando “Todo Enfiado”, com a “coreografia” e tudo. Foi demitida. Se tivessem demitido ela pelo gosto musical, eu entenderia. “Todo Enfiado”, por acaso isso é nome de música? Já existe a “Dança Vadia, Que Eu Quero Te Comer”? Se não existe, descobri o hit do próximo verão.
Mas divago.

Eu tenho certeza que o principal argumento foram as “más influências” que ela pode exercer sobre os seus alunos. Imaginem o horror, quando criancinhas de 5 anos começarem a se vestir como prostitutas e a dançar ao som de melodias libidinosas de forma erótica.
Se bem que isso já existe, e se chama “Rebeldes”, que, pelo que eu entendo, faz um puta sucesso, com aval dos pais. Não, não deve ter sido pelas “más influências”, em especial porque ela não fez isso em aula, não fez isso na escola, fez isso num festival de pagode (ou como quer que essas zorras se chamem), em seu tempo pessoal, e imagino que sem levar qualquer aluno junto. E teve o azar de ser filmada, e ter ido parar na internet. E aí vem várias pessoas (e, se formos pesquisar cada uma a fundo, eu imagino que vamos descobrir que várias delas fazem coisas tão “ruins” quanto ou piores, sem câmeras por perto — ou com, vai saber) chegam pra julgar.

Essa demissão me lembrou um assunto que surgiu esses tempos em uma reunião na empresa onde eu trabalho: regras de conduta em redes sociais, para qualquer um que se apresentar como funcionário da empresa. Ou seja, se eu disser o nome da empresa no twitter, de repente não posso mais defender posição como ateu, não posso falar mal de certas empresas cujas práticas e/ou produtos eu não gosto, além de ter que manter uma conduta como se estivesse o tempo inteiro no trabalho.
Mas peraí!
Não estão me pagando para isso. É o meu lazer, comoassim a empresa acha que pode determinar o que eu faço no horário no qual eles não estão me pagando? Isso é baseado em quê? Eu não sou um representante da empresa, sou adulto e responsável pelo que escrevo. Se eu escrever um livro (é, sonhe!), a empresa vai poder ditar o tema?

As empresas têm direito de exigir conduta fora do trabalho? Quais as opiniões de vocês sobre isso? GO!

July 17, 2009

 Pizza 

Que no Congresso tudo acaba mal, ou, em bom português, em pizza, nenhum brasileiro mais deve ficar surpreso. Nós conseguimos, montamos uma estrutura auto-suficiente de poder, onde o povo serve apenas para ratificar a permanência dos mesmos velhos nomes no poder. Me pergunto de onde as pessoas ainda tiram a idéia de que democracia é uma boa. Só falta de idéia melhor pra explicar isso, mesmo.

Que a nossa democracia representativa é falha, todo mundo fala. E até o presidente, que soltou a sua melhor pérola ontem (e a primeira a ser esquecida, provavelmente). Quando perguntado sobre a CPI, o Presidente Lula aproveitou pra dar uma cutucada legal, e dizer que só queriam chamar atenção, e que “Todos eles são bons pizzaiolos”.
Obviamente, o Senado não gostou.
Mas eu gostei.

Acho que nunca gostei tanto do Lula no poder quanto agora, e já teve vários momentos que eu achei o máximo a eleição dele. Gostei de finalmente a mídia estar dando atenção real ao que acontece nos bastidores (quando o governo era de direita, se vocês bem se lembram, nunca tivemos tanta cobertura do que se faz de errado lá em cima), assim como gostei de como o Lula fez sucesso lá fora. Não acho mais que a eleição dele tenha sido uma idéia tão má assim.

Porém, divago. A reação dos senadores reverberou longe, dentro e fora das paredes do Senado. Seguiram até a regra dos revolucionários de cadeira, e postaram sua indignação no twitter! Urru, vamos salvar o mundo das cáries em 140 caracteres!
Saca só:

@joseagripino O destempero verbal do presidente Lula com a estória do pizzaiolo é um caso típico de TPCPI: Tensão pré-CPI http://migre.me/3IlQ

@marconiperillo Lula chama senadores de pizzaiolos. Repudio,a atitude impensada e inadequada do presidente da República.

@marisa_serrano Achei absurdo o que vi nos sites de notícias sobre a declaração de Lula de que senadores da oposição são pizzaiolos. Rebati em Plenário.

@alvarofdias LULA se tornou o maior pizzaiolo do país quando não tomou providências e não puniu os acusados de seu governo envolvidos em corrupção

@delcidio Não concordo com as declarações do presidente Lula sobre os “pizzaiolos”. O senado tem é “grands chefs”.

Reclamações de nível. Ao invés de fatos, temos contra-acusações! E é assim que todos serão adequadamente esquecidos, no momento certo.

Mas se tem uma categoria que (espero eu) não vai se esquecer tão cedo, é a dos… ta-da-da-daaam PIZZAIOLOS! Num acontecimento digno de um final de piada, os pizzaiolos se ofenderam de ser comparados com Senadores! Eu estou louco para ver como o CQC vai aproveitar isso. Com sorte, veremos Rafinha Bastos oferecendo pizza nos corredores do Senado.

Mas cara, na boa, quando o Presidente diz que o Senado não presta, através de uma metáfora, e o Senado, ao invés de mostrar que ele está errado, ficam reclamando no meio do serviço, e acima de tudo, o grupo mencionado na metáfora se ofende…
Em um dos seus álbuns, gravados anos atrás, Jello Biafra afirmou que o então presidente Ronald Reagan não passava de uma marionete dos verdadeiros detentores do poder, as corporações, que estava lá apenas para divertir o públ… povo estadunidense (”Meus personagens de desenhos favoritos (quando estava crescend) eram Bullwinkle e o Senador Everett Dirksen”, ele diz, em um desses discos). Me pergunto se Lula e o Senado não estão lá apenas como marionetes de si mesmos e dos outros, distraindo o povo com esse tipo de piada, enquanto roubam e/ou angariam mais e mais poder político.

Pensando bem, não tenho muitas dúvidas sobre isso.

January 2, 2009

 Fedora 10 

Bom, agora que o computador tá funcionando de novo, os backups foram restaurados e o ciclo de reinstalações terminou, posso falar sobre a experiência com o Fedora 10 (F10) até agora.

A Instalação

A instalação foi problemática. Baixei o LiveCD do Fedora com KDE como gerenciador de janelas padrão, e ele não bootava, acusava imagem defeituosa. Bom, deixei pra lá, já que também tinha o DVD padrão.

Bootei pelo DVD, optei por atualizar, tudo aconteceu tranquilamente. Até a instalação do meu E156 da Vivo aconteceu sem maiores incidentes, e fui atualizar o sistema. Depois de baixar mais de um giga de atualizações, o mesmo problema de sempre: conflito de pacotes. Provando que não se deve brincar com dependências quando estamos com sono, eu acabei desinstalando boa parte do sistema, incluindo o yum. Sem chance de restaurar o sistema, ou com preguiça de todo o esforço que teria, resolvi instalar do zero mesmo. Um bom plano, exceto pelo inesperado: a instalação do zero deixou de fora alguns elementos que eu considero essenciais, e que eu não tinha saco pra procurar nos repositórios, tais quais o configurador de tela. É muito irritante usar 800x600 em uma tela de 17″ LCD. Minha solução: instalar o F8, atualizar pro F10. Pouco prático, eu sei, mas já me permitiu fazer algumas customizações no F8 e, por exemplo, já entrei no F10 com os drivers vesa, que me permitem agradáveis 1280x1024

Se me permitem reclamar um pouco, eu não entendo por que conflitoes de pacotes sempre acontecem em instalações em sistemas 64bits, e por que sempre com pacotes i386, e como esse tipo de coisa ainda não foi solucionada. É um problema simples de resolver, é verdade, basta remover os pacotes com conflito e mandar atualizar normalmente, mas cara, é chato, e não deveria ser necessário.

Instalado e funcionando, descubro que o driver da nvidia não funciona com a versão mais recente do kernel. O sistema simplesmente não termina o boot, não há feedback visual, e eu fiquei trancado do lado de fora. E mais: o grub, por algum motivo, não aparece, indo direto pra tela de inicialização. Ou seja, não havia como usar o sistema. Minha solução: acessar um shell pelo DVD de instalação, editar o grub.conf da minha instalação pra alterar o kernel usado. Como eu só tinha instalado o módulo pro kernel 2.6.27.9-159, e não pro 2.6.27.5-117, eu não tive problemas em usar o kernel antigo e desinstalar os pacotes. Problema resolvido, continuamos. Mas estou esperando uma nova versão do kernel pra tentar de novo.

Outro recurso complicado de instalar foi o flash. Não que eu esperava que fosse simples, porque instalar algo proprietário (vide os drivers da NVidia) nunca é. Felizmente, a solução é simples. Foi preciso apenas instalar o repositório da Adobe, com o comando:
$ su
# rpm -ivvh flash-plugin-10.0.15.3-release.i386.rpm
# yum install flash-plugin nspluginwrapper.x86_64 /
nspluginwrapper.i386 alsa-plugins-pulseaudio.i386 /
libcurl.i386

O yum pode retornar um aviso de que um ou mais desses pacotes já estão instalados. Bom sinal, nada pra se preocupar. Fazendo isso, agora o plugin do Flash está funcionando certinho por aqui.

Apesar desses pequenos problemas (3, e só um não-solucionado), ainda foi mais tranquilo que reinstalar o Windows. Não tive as dezenas de boots, chaves de ativação, e todo o esquema “um reboot por programa”. E não tive que sair desativando vários serviços. Não foi simples, mas é uma grande evolução. Pelo menos eu acho.

O Sistema

Estou usando há pouco tempo, portanto todas as opiniões são bem superficiais. Meu gerenciador de janelas favorito é o KDE, e infelizmente o Fedora é uma distribuição centrada no GNOME. Tudo bem, também me viro bem no GNOME (apesar de achar pouco prático), e o pouco que usei, achei bom. A nova versão do GNOME não apresentou nenhuma evolução, em relação à anterior, mas isso era previsível. O KDE, por outro lado, é uma história bem diferente.

Eu estava usando o KDE 3.5 antes. Li várias reviews do KDE 4.0, e passei bem longe de instalá-lo, apesar de ler sobre as novidades e de estar esperando por elas há bastante tempo. Estou agora usando o KDE 4.1.3, e bastante satisfeito. O sistema já está usável, embora um pouco instável. Já sei que não devo abusar do Plasma, apesar de que ele se recupera muito bem. Fora isso, não tive problema nenhum. Não estou usando compositing porque estou só com os drivers vesa, que não me dão grande confiança. O sistema está mais bonito, todas as interfaces foram alteradas, e até os jogos tiveram a aparência incrementada, com gráficos bem melhores, vetoriais. De repente jogar Shisen-sho ficou mais divertido.

O Dolphin é um programa que estava fazendo MUITA falta no KDE 3.5. Ele supera e muito o Konqueror como gerenciador de arquivos. Possui favoritos, possibilidade de dividir a tela em duas para acessar pastas diferentes, preview ágil de figuras (miniaturas e um preview um pouco maior no canto). Outra grata surpresa foi o Okular, um visualizador de documentos novo que é muito bom, leve, rápido, e tem um bom suporte pra arquivos .cbz e .cbr, que eu tenho vários.

O KDE tem também agora duas formas diferentes de menu, a clássica e uma nova, diferente, com barra de busca, programas favoritos, abas na parte de baixo e onde cada nível de menu aparece no lugar do nível anterior. Não gostei, prefiro o menu antigo.

Uma coisa que fez falta é um dock, como o do OSX, que eu já usava no KDE 3.5, e pro qual ainda não há substituto nos repositórios ou nos plasmoids. Claro, não fiquei sem, eu simplesmente coloquei um painel só com atalhos pros programas que eu mais uso na parte de baixo da tela e fiz com que ele se auto-escondesse. Não é o kooldock mas quebra bem o galho.

As configurações do sistema também estão diferentes, o programa parece menos poderoso que o anterior. Menos funções. Isso realmente me desagradou, me senti tentando customizar o GNOME. Poucas opções.

Outra coisa faltando, mas de fácil solução: o kdesu. Quem conhece sabe, é um programa pra abrir aplicativos em modo gráfico como superusuário. Muito útil pra procurar e alterar arquivos de configuração. Pra esse a solução foi bem simples. Procurei o kdesu com o locate e descobri que ele foi movido para o diretório /usr/libexec/kde4/, então o próximo passo era lógico:
$ su -c ‘ln -s /usr/libexec/kde4/kdesu /usr/bin/kdesu’

Outro detalhe importante: o projeto Fedora honra o compromisso de software livre 100% legal, e isso é bom. Infelizmente, isso também significa que certas coisas, como suporte à MP3, ficam de fora. Felizmente, é bastante simples permitir que nós possamos ouvir nossas músicas de novo: basta instalar o RPM Fusion.
$ su -c ‘rpm -Uvh http://download1.rpmfusion.org/free/fedora/rpmfusion-free-release-stable.noarch.rpm http://download1.rpmfusion.org/nonfree/fedora/rpmfusion-nonfree-release-stable.noarch.rpm’
Uma vez instalado, procure pacotes que possuam, em seu

Para tocar DVDs, é necessário outro repositório, o livna. Esse repositório possui apenas um pacote, o libdvdcss. Informação interessante, aos que não sabem, esse pacote instala uma biblioteca que permite decodificar os DVDs que você compra, superando as limitações artificialmente inseridas pelos fabricantes. O livna só existe para hospedar o libdvdcss, que é ilegal em alguns lugares (até onde eu sei, não no Brasil).
O que isso quer dizer? Que o DVD que você compra vem com uma falha que foi colocada lá de propósito, que impede que ele seja reproduzido sem autorização do fornecedor. Claro, eles dizem “fazemos isso por causa dos piratas”, mas eu simplesmente não consigo comprar essa idéia. Outro dia escrevo mais sobre o assunto. De qualquer forma, para instalar essa utilíssima biblioteca, apenas rode os seguintes comandos:
$ su -c “rpm -ivh http://rpm.livna.org/livna-release.rpm”
$ su -c “yum install libdvdcss”

Agora você pode executar seus DVDs, sejam os que você copiou, sejam os que você comprou.

Conclusão
Eu estou bastante satisfeito com o KDE4. Acho que o projeto tem que amadurecer um pouco ainda, e discordo de algumas das mudanças, mas não é nada crítico. O sistema está mais bonito e mais rápido (nota-se uma diferença na velocidade de boot). Apesar dos pesares (e são poucos, eu que me detive demais neles), o pessoal do projeto Fedora merece um tapinha nas costas. Essa é a distribuição que eu recomendaria.

Meu Desktop =)
Meu desktop =)

P.S.: Sei que não me aprofundei tanto quanto poderia, mas optei por fazer um post que vocês possam ler sem ter que fazer pausa para ir ao banheiro. Desculpem-me, os desagradados.

September 5, 2008

 Piada à Vista 2 

Cara, hoje eu vi o comercial da Microsoft estrelando Bill Gates e Jerry Seinfeld e, cara, é incrível! Eu nunca esperaria algo assim. Assistam por vocês mesmos.


Aos que não falam inglês, não se preocupem. O comercial não fala sobre o Vista. Na verdade, ele mal aborda computadores, salvo uma menção à Microsoft (no final) e o fato de que, bom, eu acho que o caixa da loja de sapatos usou um computador pra registrar a compra. E é isso. De resto, eles fizeram um comercial de sapatos.

Isso mesmo. Bill Gates se aposentou e foi vender sapatos.

Acho que é dizer alguma coisa sobre o sistema operacional que, quando você faz uma campanha pra melhorar a imagem do dito produto, você percebe que não há nada que você possa dizer de bom sobre o tal sistema e aí desiste e parte pra fazer uma sequência de bobagens, mencionando o produto ao final do comercial.(ei, a alternativa é pensar que esse comercial foi a melhor idéia de roteiro que eles tiveram, e, baseado no que eu vi, acho difícil isso ser considerado uma boa idéia)

E pensando bem, parece que muitos comerciais estão seguindo essa mesma linha de evitar falar do produto. Mas ao menos alguns são engraçados.
Embora esse não seja.

Observações finais:
1) Ainda acho engraçado que eles tenham chamado um cara que passou anos fazendo product placement pra Apple pra divulgar Windows. Duplamente engraçado por ele ser um comediante.

2) “Shoe Circus”?!? Wadaporra? Isso é uma demonstração da falta de idéias dessa gente?

3) Qual é a da reboladinha? Não tinha nenhum outro tipo de sinal que eles poderiam usar? O comercial já não era grande coisa, mas terminar com Bill Gates dando uma reboladinha? Oh shit.

August 22, 2008

 Piada à Vista! 

Antes de tudo, gostaria de pedir desculpas por todos os links estarem em inglês. Não conheço uma fonte de informações confiável em português que tenha as informações que eu precisava.

A Microsoft alistou Jerry Seinfeld para sua campanha milionária para melhorar a imagem do Vista.

Vocês talvez não vejam tanta graça quanto eu nessa notícia, então permitam-me oferecer outra chance de apreciar melhor a idéia: um comediante (um dos grandes mestres do stand-up comedy) foi contratado para fazer propaganda de uma piada. E não qualquer piada. Estamos falando daquele que é possivelmente um dos maiores fracassos da Microsoft desde o Windows Millenium, tanto do ponto de vista (tu-dum-psh!) técnico quanto do ponto de vista (tu-dum-psh!) comercial.

Sobre o Seinfeld, pra quem não conhece: o cara é um dos grandes nomes do stand-up estadunidense. E foi o criador e astro de uma das possivelmente mais famosas, reconhecíveis e saudosas (e, obviamente, a melhor de todas) sitcoms estadunidenses de todas. A auto-intitulada “melhor série sobre nada” era engraçadíssimo. Durante boa parte da vida do programa, as histórias dos personagens eram intercaladas com trechos de apresentações do Jerry que tinham (ou não) a ver com a trama. E o ato dele é baseado no cotidiano, comentando coisas como aeroportos, salas de espera, mulheres, homens, supermercados… acho que virtualmente qualquer coisa poderia ser material nas mãos dele.

O que nos leva ao Vista. Nomeado pela PC World como a segunda maior decepção tecnológica de 2007, o Windows Vista é o primeiro sistema operacional do qual eu ouvi falar que é tão bom que fabricantes de computadores mandam CDs para realizar o downgrade (ou seria upgrade?) do Windows Vista para o Windows XP. De fato, segundo a HP, a esmagadora maioria dos compradores querem o XP.

Mas o Vista é tão ruim assim? Bom, eu não sei, mas acho que a Microsoft diria que sim. Sabe, eles estenderam o prazo de vida do XP (por pressão de fabricantes e usuários), e já se adiantaram para a próxima versão do sistema operacional, atualmente chamado de Windows 7. Cara, aparentemente houve uma petição no estilo “Salvem o XP”. Isso mesmo, o sistema é uma espécie ameaçada, pelo jeito. Obviamente, a Microsoft nega a existência de tal petição. A coisa é tão ruim que até o Steve Ballmer (CEO, dançarino e arremessador de cadeiras oficial da Microsoft) já declarou à imprensa que “o Vista é um trabalho em progresso”.
Para vocês terem noção do nível da falcatrua, houve um processo contra a Microsoft pela campanha “Vista Capable”, que consistia em um selo dizendo que computadores estavam aptos a rodar o Windows Vista. Porém, entretudo, todavia, no entanto, há-se de ler as letras miúdas: rodar o Windows Vista. Só. Sem coisas como a interface Aero, que é uma das melhores coisas do sistema, e uma das mais pesadas. Para rodar os “extras” do sistema, o consumidor teria que comprar uma máquina “mais apta” do que a que estava levando. E o melhor: e-mails internos que vazaram (link para PDF) mostram que a microsoft sabia que essa campanha era má idéia.

Eu não usei muito o Vista; abandonei o mundo Windows já faz algum tempo, e não tenho arrependimentos (o número de reboots na minha máquina diminuiu consideravelmente). Usei no laptop do meu pai, no curto período em que ele manteve o sistema por ali (é, papai engrossou as estatísticas de pessoas que fizeram o upgradedowngrade). Fui tentar tornar o menu Iniciar mais usável para ele, e cara, não acreditei que eu precisava autorizar o sistema a deletar um ícone do menu iniciar. THIS IS MADNESS! Eu sei que a função é desativável, e tenho certeza que não é um procedimento complicado, mas pessoas que afirmam isso estão perdendo de vista (tu-dum-psh!).
Outras críticas sobre as quais eu li, mas não experimentei em primeira mão, são a integração com sistema de manutenção de “direitos” digitais (DRM)(leia-se “ferramenta facilitadora de monopólio”), tremenda quebra de compatibilidade com hardware antigo, lentidões gerais (não usei o computador tempo o bastante pra conferir isso de perto) e, apesar das alegações de segurança melhorada, essas medidas poderiam ser facilmente ultrapassadas.

Tá, acho que já deu pra entenderem por que eu considero o Vista uma piada. Claro, existem várias pessoas que com certeza não viram problema algum no Vista. Ou então, de tão acostumadas, ignoraram completamente os que encontraram e declararam o sistema como não tendo nenhum problema. No entanto, você não ouve falar muito dessas pessoas. Pra mim, isso encerra o caso.

Agora voltemos à cena inicial: A Microsoft está gastando 300 milhões numa campanha para melhorar a imagem do Windows Vista, e pra isso, entre outras medidas, pagaram 10 milhões para um comediante falar bem do sistema.
Se eu fosse o Seinfeld, começaria o ato mais ou menos assim:
“E aí, que tal essa campanha da Microsoft pra melhorar a imagem do Vista? Quero dizer, eles estao gastando 300 milhões para melhorar a imagem do produto mas, para mim, se você tem que gastar 300 milhões só para tentar fazer com que as pessoas acreditem quando você fala ‘meu produto não é uma droga’ me parece o melhor jeito de acabar com seu ponto de vista (tu-dum-psh) logo de cara. E por que contratar um comediante? Quero dizer, eu não sei nada de computadores. Minha maior experiência pública com computadores foi com o computador que tinha no cenário de Seinfeld, e ele era um Apple. O que eu posso falar para vocês de bom sobre o sistema? Acho que teriam mais sucesso chamando um lixeiro, ao menos ficaria dentro do mesmo tema.”

Mal posso esperar para ver o que vai sair dessa campanha.

June 24, 2008

 Doações em Software Livre 

Eu sei que vocês não sabem (ou talvez saibam), mas os programas que vocês usam e que são de código aberto têm um preço. Não que nerds cobrem pelo uso, calma… não, peraí, você entendeu errado, o Firefox não vai ser pago… isso, isso mesmo, respira, respira. Agora, repita comigo:

O FIREFOX CONTINUA GRATUITO!

Ufa, quase criei o próximo grande boato de e-mails…
enfim.

Todo programa que vocês usam custou alguma coisa a alguém. Tempo, esforço, dedicação, amor e carinho pelo código. E esse cara é uma daquelas boas almas que faz doações que incentivam esses projetos (é, dinheiro é bom e nerds também gostamos) (o que me lembra histórias de conserto de computadores, mas isso é outro papo).

Enfim, leiam mais abaixo :-) e, se acharem que vale, façam uma doação. Se tiverem dúvidas sobre como, preguntem e eu posso ajudar :-D

Ajude a sustentar a Wikipédia e outros projetos, sem colocar a mão no bolso, e concorra a um Eee PC!
…e também a pen drives, card drives, camisetas geeks, livros e mais! O BR-Linux e o Efetividade lançaram uma campanha para ajudar a Wikimedia Foundation e outros mantenedores de projetos que usamos no dia-a-dia on-line. Se você puder doar diretamente, ou contribuir de outra forma, são sempre melhores opções. Mas se não puder, veja as regras da promoção e participe - quanto mais divulgação, maior será a doação do BR-Linux e do Efetividade, e você ainda concorre a diversos brindes!

Espalhem a palavra :-D

June 13, 2008

 Do Ornitorrinco ao Senado 

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Subject CSS

Senhoras e senhores senadores,

Mediante a quase-aprovação do imposto CSS, apelidado pela mídia de
“nova CPMF”, vejo-me no dever de apelar a vocês. Me deprime pensar que
são nossa última linha de defesa contra mais um imposto, mas se assim
o é, que sejam uma boa.

Sim, eu sou mais um dos decepcionados com a política brasileira. Na
verdade, não tenho a menor fé no nosso sistema “democrático”, que
reelege ladrões. Não me culpem ou julguem por isso, pois os maiores
responsáveis são aqueles que abusam do poder e desmoralizam toda a
classe.

Sobre o imposto, nós já temos muitos. Desnecessários e supérfluos,
senão para manter privilégios (abusos) das pessoas que abusam do poder
que recebem das mãos do ignorante povo brasileiro. Acessores,
auxílios, reembolsos de gastos que poderiam sem problema algum sair de
vossos bolsos mesmo, que já ganham muito acima da média brasileira, e
podem se dar a esse luxo. Pensando nisso, peço que, aqueles que a
tiverem, ponham a mão na consciência e votem NÃO ao CSS.

Eu sei que a proposta virá embalada nas melhores intenções (das quais
o inferno está cheio), mas o dinheiro para essas idéias já existem, e
está nas contas bancárias de quem não tem direito a ele. Aprovar novos
impostos, com a atual carga tributária, é forçar um sistema já
auto-destrutivo no qual o governo sufoca seu povo para seu próprio
lucro. Não precisamos disso, vocês não precisam disso. Façam o que é
correto.

Despeço-me com a certeza de que seria decepcionado, se realmente
tivesse fé nessa ou em qualquer outra missiva enviada a qualquer
“representante do povo”. Se eu tivesse motivo para acreditar em tais
gestos, não teria perdido a fé em vossa existência, e na de seus
pares, e na do sistema que deveriam representar.

Cordialmente,
Ornitorrinco

Levou dez minutos. Atualizarei o post com respostas significantes.

Pensem nisso. Dez minutos. Façam o sacrifício.

Respostas:

Sen. Jarbas Vasconcelos

Caro Ornitorrinco,

Quero registrar inicialmente o recebimento de sua mensagem, apesar do número expressivo de correspondências e e-mails que diariamente chegam em nosso gabinete, faço questão de ler e responder a todos, sempre que possível.

Ciente de suas considerações acerca do novo imposto que está sendo cogitado para substituir a extinta CPMF, informo que COMPARTILHO de sua indignação, pois a antiga CPMF foi criada na década passada quando o Brasil enfrentava escassez de recursos. Sua destinação era exclusiva para a área da saúde. Hoje, é notório que há excesso de arrecadação e o Governo continua a aumentar seus gastos.

Por essas razões, tenha certeza que serei totalmente CONTRA à criação desse novo imposto - CSS, assim como me posicionei CONTRARIAMENTE à prorrogação da CPMF em dezembro/2007.

Conte com meu apoio.

Cordialmente,

Senador Jarbas Vasconcelos.

Senador Gerson Camata recebeu o e-mail e mandou sua assistente/secretária/similar responder que ele também é contra.

Senador Sérgio Guerra recebeu o e-mail e está “atento a este importante assunto” (sic). Não levei fé nesse cara.

Prezado Senhor

Incumbiu-me o Senador Marco Maciel de agradecer seu e-mail e parabenizá-lo pelo exercício de cidadania.

       Se depender do Senador Marco Maciel não será efetuado nenhum aumento de carga tributária que tanto penaliza nossa sociedade.

O sucesso da estabilização econômica e fiscal conquistada pelo povo brasileiro, após a implantação do Plano Real, tem permitido sucessivos recordes de arrecadação que deve ser revertido para que os preceitos constitucionais sejam observados, com relação à saúde, educação, segurança, infra estrutura, etc.

       Não há razão para que a decisão soberana dos Senadores, com a derrubada da CPMF seja questionada, com a proposta de criação de novo imposto.

       Cordialmente,

       Nilson Rebello, Chefe de Gabinete

[P]rezado Ornitorrinco,

Da tribuna do Senado me pronunciei contra essa aberração constitucional aprovada pela Câmara. O projeto que restabelece a CPMF com o apelido de CSS é afronta ao povo brasileiro que não agüenta mais pagar tanto imposto. Não há argumento inteligente que possa justificar essa atitude do governo. Falar em Reforma Tributária e aprovar projeto criando novo imposto é falsidade. A CSS é um escárnio, um equívoco e uma afronta à sociedade. A verdade é que nunca se arrecadou tanto imposto no Brasil. Os brasileiros não agüentam mais esta pesada carga tributária. A arrecadação está tão boa que outro dia o governo pediu ao Congresso autorização para repassar ao BNDES 12,5 bilhões de reais para que ele financie projetos em outros países, como o metrô de Caracas, na Venezuela O Senado deve rejeitar essa ofensa à inteligência nacional. Desde já esclareço que vou votar contra a aprovação deste novo imposto que o governo do PT quer impor ao povo brasileiro.

Grato pela mensagem e receba o meu cordial abraço,

Alvaro Dias

Ornitorrinco diz:
GOSTEI dessa!

Encaminho-lhe minha posição reafirmada sobre o CSS, através de novo pronunciamento no dia 18 de junho.
Muito obrigado por sua participação. Saiba que a opinião da população é observada, quando manifestada.
É desta forma que construiremos um Brasil melhor e mais justo.

Senador Arthur Virgílio Neto
Líder do PSDB

–ATT:
O SR. PRESIDENTE (Garibaldi Alves Filho. PMDB – RN) – Concedo a palavra ao Senador Arthur Virgílio, Líder do PSDB.
O SR. ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB – AM. Para discutir. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, houve, de fato, um acordo. O acordo era votarmos três embaixadores e três medidas provisórias.
Autoridades podemos a qualquer momento sobre elas deliberar, aprovando os nomes ou os rejeitando. E tem inteira razão o Líder do DEM, Senador José Agripino Maia, quando diz da nossa vontade de derrubar no voto essa nova contribuição, essa tal CSS, que substitui, na verdade, a famigerada e não saudosa CPMF.
Estranhamente, o Governo revela agora falta de desejo de votar essa matéria. Alguns que são mais diretos dizem assim: “Vamos votar depois da eleição”. Aí eu pergunto a V. Exª, Sr. Presidente – perdoe-me se eu porventura estiver sendo rude, não é minha intenção ser rude de jeito algum –: mas o que tem CSS a ver com as calças, Sr. Presidente? O que tem a ver eleição com saúde? Não consigo entender. O dever de um Governo é governar. Se essa contribuição é tão essencial para a saúde brasileira, o dever do Governo é governar. Então, ele tem que ganhar votos ou perder votos, deixar isso de lado, e ir às últimas conseqüências em relação à sua idéia. Essa idéia está desmontada, está desmoralizada, não passa nem hoje nem depois da eleição nem passa amanhã. Não passa porque ficou patente que o Governo quer mais dinheiro, aumentando carga tributária, sem necessidade de fornir as necessidades da saúde. Esse é o fato. Esse é o fato.
Nós teremos um movimento de opinião pública que, imagino, será avassalador agora ou depois das eleições. E uma democracia como a brasileira tem eleição a cada dois anos. Vamos ser bem claros: urgência não há. O Governo alega insegurança aqui e alguns alegam que não se vota isso antes das eleições, talvez para não exporem a sua base aliada ao que seria um desgaste de opinião pública. Então, a base aliada vem primeiro do que os interesses nacionais. A questão eleitoral, a questão eleitoreira melhor dizendo – aí eu quero pejorar mesmo –, vem acima de uma questão relevante como a da saúde.
Eu entendo que, para se dirigir bem a saúde no Brasil, se precisa de honestidade, se precisa de choque de gerência, se precisa de efetiva priorização. O Governo aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras e não deu um real para a saúde; aumentou a alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido para os bancos – isso vai ter reflexo nos empréstimos, porque os tomadores de empréstimo é que vão pagar o que será repassado a eles pelos bancos – e nenhum real disso foi para a saúde.
O Governo diz agora que, para dar o dinheiro correspondente à emenda do Senador Tião Viana, precisa de uma tal fonte, e eu dou a fonte: os Ministérios supérfluos que deveriam ser extintos, os cargos em comissão que significam o aparelhismo partidário, tudo isso é fonte. Mas mais, ainda que mantivesse todo esse aparato desnecessário de administração pública, ainda tem a arrecadação crescente. Praticamente, o Governo já arrecadou todo o chamado buraco, aquele que ele imagina que fosse o buraco da CPMF.
Então, a saúde não é uma prioridade e, de novo, o Governo demonstra que não é uma prioridade, porque, quando ele canta e decanta que precisa da CSS para aprovar recursos para a saúde, e aqui ele diz que só vota depois das eleições, é porque não tem tanta pressa assim, e acaba o Governo, então, de desmoralizar de vez qualquer tentativa de criar alguma contribuição. Ele nos diz acreditar numa reforma tributária, que é muito fraca, é muito frágil, é muito tímida, mas tem algumas coisas boas. Uma delas: propõe acabar com todas as contribuições. No mesmo momento em que diz que quer acabar com as contribuições, manda uma nova contribuição para cá.
Então, é uma contradição ambulante, não é metamorfose ambulante, é uma contradição ambulante essa a do Governo Federal.
Por isso, Sr. Presidente, nós aqui estamos a denunciar isso, dizendo que de nossa parte estamos prontos para votar a CSS. Nós concordamos com a matéria vir direto para o plenário, para decidirmos essa parada antes do recesso parlamentar.
Em relação a esta matéria, nós honramos o nosso compromisso. O que cumprimos prometemos. Em uma Casa onde é cada vez de melhor tom que o Governo perceba que o diálogo democrático deve substituir sempre qualquer tentação de prepotência, porque não anda sem a nossa colaboração, anda com a nossa colaboração, e a nossa colaboração anda na medida em que haja esse respeito democrático a uma minoria, que é uma minoria tão relevante, que dela depende o resultado das votações no dia-a-dia da Casa.
Então, Sr. Presidente, nós votamos “não”. O PSDB vota “não”, por entender que não se deve contrariar o Supremo Tribunal Federal. Nós não devemos deliberar a favor de nenhuma medida provisória que trate de crédito orçamentário, e nós não devemos contrariar a Suprema Corte, não devemos diminuir o papel do Congresso Nacional, do Senado Federal. O PSDB vota “Não”.
Em relação à CSS, volto a dizer: estamos mais do que colaborativos. Queremos derrotar no voto o novo tributo. Não ao aumento de carga tributária; não ao novo tributo. E temos confiança, a confiança de que o Governo não tem na sua base, achando que vai perder a votação aqui, nós temos na nossa base de oposição e temos em pessoas independentes da base governista. Então, a hora em que quiserem votar, estamos às ordens para o confronto, estamos às ordens para o cotejo, estamos às ordens para o desafio. Se quiserem falar a sério, defendam suas convicções, se é que as têm, nós defendemos a nossa. E a nossa é derrotar no voto, no plenário, a CSS, ainda antes do recesso Parlamentar.
Muito obrigado.
Meu voto nesta matéria, Sr. Presidente, é “não”.

May 9, 2008

 Cansados da Isabella? 

Não sei se vocês já cansaram da cobertura do caso Isabella seiláeudasquantas. Eu sei que eu já, e acho que descobri um jeito campeão de calar a boca de gente que fala do assunto como se fosse o maior evento do Brasil (até o Ronaldinho ser chantageado por travestis, claro).

Eu começo mencionando que, já que está na moda falar de crianças mortas, sobre como é engraçado que os noticiários não mostrem as crianças que, Brasil afora, já nasceram sem chance nenhuma de conseguir nada na vida, as que são abandonadas, que nascem em zonas de miséria, e que morrem lentamente de fome. Essas crianças não saem na capa da Veja, por que será? Será que tem a ver com o fato de parte da culpa ser nossa?

Vale a pena lembrar também crianças ao redor do mundo, que morrem de modos muito mais brutais. Crianças que morrem lutando em guerras e revoluções. Que morrem pisando em minas abandonadas há eras, pegas em tiroteios (seja em zonas de guerra (tipo a Faixa de Gaza) ou em escolas onde crianças que enlouquecem e saem matando seus colegas), que morrem de fome em corpos que estão tão cheios de vermes que as barrigas delas são maiores que a minha — e nos melhores dias elas provavelmente consomem um terço da quantidade de calorias que eu consumo. Mas eles também não saem no jornal. Não são crianças brancas loiras de olhos claros filhas de uma família branca.

Gente, crianças, por favor, aprendam a pensar no que vocês ouvem. O caso Isabella é caso de polícia. Existe uma coisa chamada sistema judiciário que deve cuidar disso. Não são vocês que vão ter voz nesse julgamento, e fazer com que o casal passe pelos maiores sofrimentos não vai trazer ninguém de volta e nem consertar mal nenhum. Se vocês discordam do julgamento do judiciário, bem, então acho que você devia fazer algo pra mudar o sistema, ao invés de cuidar desse caso específico que te causou revolta porque você viu na mídia.

Pensem bastante sobre o que ouvem, e pelo amor de Osíris, não saiam odiando alguém só porque uma matéria na Veja disse que sim.
(É, isso vale pro Ronaldinho também. Deixa o cara se divertir como ele quiser, quem são vocês pra julgar, seus urubus de tragédia alheia?)

April 20, 2008

 ABA e a Campanha Apelativa 

“Eles querem te vender
Eles querem te comprar
Querem te matar a sede
Querem te sedar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?” (Engenheiros do Hawaii - Terceira do Plural)

… ou “Todas as pessoas te consideram inteligente até que você discorde delas.”

Hoje eu estava vendo Teatro Mágico no Altas Horas, quando um dos comerciais foi com um casal, cada um de um lado do sofá, defendendo a liberdade das agências de propaganda. Eu adorei o comercial, é uma peça publicitária totalmente escrota.
Vocês podem ver aqui. Não vou embedar o vídeo no blog porque isso deixa a página lenta, e eu não gosto de páginas lentas. Mantenham a internet rápida.

O motivo dessa campanha, até onde eu descobri — porque eles NÃO falam o motivo no comercial –, é que o governo está falando sobre regulamentar propaganda infantil, proibindo comerciais do tipo “ah, diga pra mamãe comprar produto X”, ou comerciais que impliquem que possuindo tal produto, a criança vai se tornar melhor/mais legal/derivados. Posso estar errado, mas a ABA não se preocupou em nos informar por que estão sendo repreendidos.
O que, aliás, é bem esperado. Se eles falassem esse motivo, era melhor nem falar nada.

E o bom é que eles já saem largando a carta da censura. Não só não dizem do que estão reclamando, ou contra quem (coisas úteis pra se obter um posicionamento, se você for racional)(pensando bem, é uma estratégia campeã pra se usar na Terra), mas já saem largando uma carta apelativa como essa. Vinte pontos negativos pela burrice. Dramalhão é coisa pra novela.

Ora, vamos e venhamos, as propagandas hoje em dia são de alguns tipos:

  • as que implicam que você vai ser uma pessoa melhor/mais legal/pegar mais mulher/ser mais bem-sucedido/qualquer outra ilusão similar pra enganarvender o produto para os otáriosingênuos;
  • as que ressaltam as características que tornam o produto superior aos concorrentes, sem inventar pesquisas, fatos, depoimentos ou afins. Também são chamadas de “lendas”;
  • as engraçadinhas, com alguma história ou afins, com uma história bem bolada (não me vem falar de “Bar da Boa”, aquela propaganda é retardada);
  • as que te dizem para, por qualquer outro motivo, comprar o produto;
  • tou esquecendo agora, escrever de madrugada dá nisso, mas as importantes tão aí

Cara, na boa, se um publicitário vier me falar que propaganda é sobre vender produtos, eu levanto uma sobrancelha e desconfio. Propaganda hoje em dia é a venda de ilusão. É a ilusão de que bebendo refrigerante X aquela gostosona vai chegar te agarrando, que o banco Y não vê você como um número, mas como uma pessoa, que bebendo cerveja Z todos vão ser seus amigos, toda mulher vai ser gostosa (peraí, acho que essa é verdade, mas só depois de muitas cervejas). Pergunto: e o queco? Eu não quero que meu banco me respeite como pessoa, eu fico feliz com taxas baixas e pouca ou nenhuma incomodação. Não estou interessado em cerveja, mesmo que toda mulher gostosa comece a olhar pra mim (depois da terceira garrafa)(cá entre nós, a minha namorada já é linda e gostosa, não preciso disso), e cara, meu refri tá com defeito, eu já bebi em lugares públicos dezenas de vezes e nenhuma vez uma modelo me agarrou. Nenhuma. Zero. Never. Quero meu dinheiro de volta!

Não só isso: tem todo um papo cômico sobre propagandas (ou melhor, sobre como elas seriam, em um mundo perfeito):
a) informar consumidores: NOT. Veja parágrafos anteriores.
b) estimular competição: NOT. Isso é feito pelo Deus Mercado. Propaganda, até onde eu vejo, só estimula competição entre propagandas. Conheço pouca gente que compra baseado em propaganda, e não me peçam pra respeitar inteligência de quem o faz. É o bastante eu acreditar que essa inteligência existe, se eu acreditar.
c) melhorar produtos e serviços: NOT. Isso se chama pesquisa e desenvolvimento. Pela minha experiência (relatos profissionais, na maioria), os departamentos de marketing até atrapalham, criando expectativas idiotas nos clientes.
d) motivar redução de preços: NOT. Exemplos de quando isso aconteceu são bem-vindos, e que podem ser documentadamente provados que a propaganda foi um fator decisivo, e que são casos peer-reviwed (quando pessoas da mesma área — no caso, pesquisa estatística — revisaram o estudo), são bem-vindos.
(pedindo demais? Pedir demais é me chamar de otário e esperar que eu acredite em mentiras repetidas mil vezes)
e) suportar liberdade de imprensa, diversidade e gratuidade dos meios de comunicação: quase-NOT. Suporta, realmente, a gratuidade dos meios de comunicação.

O que temos é uma classe, os publicitários, pedindo auto-regulação. Uma classe que atua baseada na venda de ilusões, ou seja, que não faz o trabalho (informar o consumidor sobre os produtos) (pra falar a verdade, eles informam bem sobre promoções, e só) que deveria fazer, que quer manter o direito de trabalhar como quiserem, mesmo que isso signifique vender propaganda que influencia negativamente crianças (seres extremamente influenciáveis, como todos sabemos). Quem nunca viu um caso de criança que se sente inferior por não ter um determinado produto que levante o braço. Vão querer me convencer que é errado proibir isso? Sem chance, filho.

Eu sou a favor dessa regulamentação sim. Se o setor de marketing atendesse às expectativas que vem com “auto-regulamentação” — ou seja, que o papo sobre censurar propagandas negativas fosse redundante — eu seria contra, mas do jeito que está, não ganharam a minha simpatia. Nem toda censura é ruim.

Só mais um detalhe: eu tenho quase certeza que aquela atriz tava segurando uma risada. Olha bem pra cara dela e diz que não.

March 9, 2008

 DIM 


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QUALQUER outra manifestação sobre essa data é bobagem. Parem de competir pra provarem que são melhores que nós e comecem a trabalhar conosco. Piadas feministas tornam vocês tão idiotas quanto as pessoas de quem zombam.

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