July 5, 2009

 Filantropia 

Eu sempre digo que software não é coisa que se venda para usuários pessoais. Só quem paga mesmo por software (excetuando-se uma minoria) são aqueles que são bem fiscalizados, interna e externamente. Ou seja, empresas.

O usuário residencial trata seu computador como se fosse uma TV, que só se paga uma vez, e talvez a assinatura da TV à cabo (e, se considerarmos conexão com a Internet, é possível ver que a analogia é bem adequada). Pessoas não compram Windows, Office, muitos não compram jogos, a maioria baixa filmes e músicas de graça, usa anti-vírus gratuito, freewares para todo o lado… e têm suporte de graça, também.
E ninguém pensa que todas essas coisas tem valor. Logo, devem ter um custo associado, não importa quem o pague (ou então eu tenho um entendimento errado sobre esse ponto de economia). Alguém trabalhou para fazer isso, e podem ter descoberto algum modelo de negócios que permita distribuir o programa de graça. Ou talvez seja apenas hobby. Mas tem uma área onde isso não é possível: suporte e manutenção de computadores.

Tenho certeza que todos os entendedores de computador lendo esse texto reconhecem a seguinte frase, provavelmente em um ponto quase irritante: “Ah, vc entende de computadores? Olha só, o meu tá com um problema…”. A resposta correta para essa frase seria assumir uma cara de paisagem e ignorar, ou se prontificar pra formatar (”Não, não tem como salvar seus dados, sinto muito! :-(”), ou ouvir e dizer “O problema pode ser tal, mas pra ter certeza eu teria que ver pessoalmente. Esse é o meu telefone, me liga e a gente marca um horário para eu ir até lá”. E cobrar a visita. Não em uma pizza, um “favor” (possivelmente a moeda de valor mais flutuante da história da economia), ou algo assim, mas na mesma moeda usada por profissionais de todas as áreas: dinheiro.
Porque eu até posso fazer isso por diversão, mas também precisamos fazer supermercado.

Eu sei o que a maioria dos usuários pensa disso. “Ai, mas o que que custa, vc sabe resolver, prq não me ajuda?”, e a resposta é a mesma que seu médico, advogado ou arquiteto lhe daria caso você lhes pedisse “ajuda” similar: porque ninguém trabalha de graça. Não sou contra, e até realmente ajudo, um círculo pequeno de pessoas próximas. Mas tem que ter muita amizade pra poder me pedir algo assim e esperar que eu realmente faça o serviço pra valer. Pra não passar por antipático, eu costumo enrolar a pessoa: abro alguns programas, dou uma olhada no registro do Windows, penso em alguma outra coisa e digo que não sei resolver, e que é melhor chamar um técnico. Do tipo que cobra.

É uma tremenda sacanagem esperar que seu conhecido que entende de computadores resolva todos os seus problemas por 4 motivos, que vou explicar com uma analogia com carros:

  1. Mecânico nenhum vai consertar seu carro de graça, embora alguns mais camaradas não cobrem pelo diagnóstico
  2. Aprender como funciona e como consertar carros leva tempo e dinheiro, e é algo que merece compensação
  3. Mesmo só diagnosticando o problema, o mecânico vai estar te cedendo seu tempo e conhecimento. Pense nisso
  4. Contratar e pagar um mecânico profissional movimenta a economia (é dinheiro circulando)

Você não espera que nada para o seu carro seja gratuito. Na verdade, se você for como eu, provavelmente antecipa que qualquer coisa envolvendo o seu carro vai lhe custar os olhos da cara. Entenda: seu computador não é diferente. E vai ser pior que o seu carro, porque além da parte física, vai ter o custo do software. E as complexidades do software, com as quais você, querido usuário, não quer lidar. E aí o problema é seu.

Computadores são máquinas multifunção. Eles podem realizar virtualmente qualquer cálculo matemático, e podem atingir os mesmos resultados práticos que a manipulação de números consegue. Tudo em um computador são números (na verdade, até números são uma abstração, mas isso foge do escopo do texto), e apesar dos avanços dos últimos anos para simplificar o uso de computadores, o que roda por trás dessa simplicidade toda ainda é extremamente complexo. O seu conhecido que entende de computadores escolheu aprender parte disso, e a sua recompensa é não ter que chamar o técnico a cada problema. Você repete o mantra “tenho mais o que fazer” e vai assistir televisão, e aí o problema é seu. Não é difícil aprender a identificar quais endereços e quais tipos de e-mail são perigosos, ou como melhor reaizar tarefas básicas para evitar que seu computador exploda na sua cara (aliás, isso é um absurdo. Computadores explodem, mas derretimento é igualmente provável), e se você não pode se dar à esse trabalho (eu e seu conhecido que entende de computadores pudemos, e temos belas vantagens) para assistir o enésimo episódio de mesmo enredo da sua série de TV favorita, pague o preço. O preço cobrado pelo técnico.

Caso pessoal: certa vez, fui com meus pais almoçar na casa de um amigo deles. O tal sujeito, ao saber que eu faço Ciência da Computação, pediu pra eu ver se eu podia deixar o seu computador mais rápido. Eu disse que podia tentar, fui lá, verifiquei meus e-mails, feeds, orkut, voltei e disse que fiz o que podia, e que deu uma melhorada. Tempos depois, fiquei sabendo que o sujeito estava agradecido, que a velocidade realmente tinha melhorado. Detalhe: a instalação do Windows era bem recente, e ainda não tinha os danos que ele já deve ter causado.
Não me sinto culpado por ter agido assim. Ele recebeu o serviço pelo qual pagou, o que eu considero uma filosfia importante para qualquer um que trabalhe na área: dê a eles o serviço pelo qual pagaram. Você não deve nada além disso.

Caso pessoal 2: eu recentemente postei um tutorial rápido, simples, objetivo e bem completo sobre como configurar um modem 3G no Linux. Isso atraiu e ainda atrai bastante visitas, e também parasitas. Veja alguns comentários que não passaram pela minha triagem:

Name: Antonio Marcos | E-mail: antmarsousa@msn.com | URI: | IP: 189.97.230.21x

Amigo você pode me ajudar? eu quero usar linux no meu not mais nenhum ainda consegui fazer conexão com a net, pra eu usar tem que ter net. meu modem é um huawei E156. por favor me ajude mande-me pelo meu email

Name: kobold_sequelado | E-mail: kobold_sequelado@hotmail.com | URI: | IP: 189.0.234.14x

eu tenho um huawei e156 e uso windows vistas, porém o modem tem um problema constante, quando to jogando jogo online ele da um pico q acho ser de upload e trava o jogo. mas net ainda esta conectada. existe algum mei de se resolver isso ?
to meio desesperado.
=-p
manda um email com o titulo 3g ou e156 pls.

Essas são pessoas de quem eu estou falando. Os dois me irritaram pelo mesmo motivo, o pedido de enviar instruções por e-mai. Ora, se querem um retorno, voltem ao blog e releiam a seção de comentários, que é o único lugar onde eu respondo, a não ser que eu esteja de ótimo humor. Outro motivo é que ambos são idiotas completos: um quer usar linux e obviamente não seguiu o tutorial, e provavelmente usa outra operadora ou algo assim, e não entendeu que não se estende para o caso dele; o outro é um idiota que não entendeu que o tutorial é para Linux, e que eu não sou suporte técnico para Windows, em especial o “Vistas”. Por que eu deveria aceitar ajudar gente assim?
Não receberam resposta até hoje, mas ambos estarão recebendo em seus e-mails o link para esse post, que eles não lerão, mas que os irritará :-) e essa é toda a diversão que eu espero tirar disso.

Houve um outro sujeito que também pediu ajuda.

Name: Eduardo Luna | E-mail: lunadudu@gmail.com | URI: | IP: 189.0.236.24x

Otimo tutorial, estou baixando o fedora 10 para usar este turorial e instalar o meu e156 da vivo, mais gostaria de saber se no fedora(nao conheco muito) tem como voce mudar a rede dele para WCDM ao inves de GSM? Aqui em recife conectado em WCDMA(inicialmente só conseguir no windows, tentei no ubuntu e no debia e nao obtive sucesso com WCDMA só GSM).
Parabes pelo tutorial e espero um retorno seu.
abraco

Esse teve uma abordagem BEM melhor que os primeiros, mas pediu conhecimentos que eu não tenho. Claro, eu poderia pesquisar no Google para ver se acho a resposta, mas ele também poderia, e sendo o maior interessado, acho que é a pessoa que deve fazê-lo. Eu PODERIA ajudá-lo, mas nisso estaria falhando na minha lista de motivos acima (notem que ele falha em quase todos os items).
Mas é o único que me faz sentir algo próximo de lamentação por não ajudar.

Em nenhum desses casos a pessoa me ofereceu qualquer tipo de compensação, e eu duvido que pudesse extrair algum conhecimento válido disso. Eu não tenho, realisticamente, motivos para ajudá-los, a não ser que vocês contem aquele sentimento gostoso de ficarmos felizes por ter ajudado alguém que precisava que as pessoas costumam considerar compensação válida por consertar o seu computador. Me digam, por que eu deveria fazê-lo?

Agora, eu sei que existem por aí diversos técnicos ruins, que vão simplesmente te dizer para formatar o seu computador (dica: os piores “técnicos” fazem isso mesmo que não seja necessário). Não discuto, e na verdade, sou o primeiro a falar isso. Não é meu ponto. Existem maus médicos, maus advogados (com o perdão da redundância), maus mecânicos… é seu dever pesquisar e identificar esses caras, e evitá-los. Simples assim.

Como eu disse, o problema é seu. Não espere que seu conhecido que entende de computadores o resolva por você. Ou que eu o faça.

May 29, 2009

 Comofas? 

História verdadeira, apesar de parecer que não. Acabei de ouvir uma conversa que eu nunca achei que ia ouvir. Ou que, talvez, segundo o @fazzatti, eu sempre quisesse ter ouvido — embora com certeza reze toda noite para não participar de uma dessas.

Foi uma conversa por celular, então eu não ouvi um lado da conversa, e estava muito ocupado rindo pra caralho (essa é a única expressão que se aproxima da intensidade do quanto eu estava rindo) pra ouvir a outra metade, então eu tenho apenas detalhes esparsos.

Porém, que detalhe a mais você precisa quando a conversa começa com um “Alô? [Pausa] Ah, clica no menu iniciar e clica em desligar. Isso.”? Nessa hora eu me ajoelhei gargalhando. Tenho a impressão de que, não estivesse na empresa, eu teria rido alto o bastante pra ser ouvido por boa parte da Unisinos, de tão cômica que foi a cena.

E a conversa não parou aí. Essa instrução foi repetida. Mais de uma vez. No meu íntimo, eu sabia duas coisas: 1) era uma mãe ao telefone. Só isso podia estar impedindo meu colega de perguntar “com licença, você é do passado?” e 2) tava muito difícil evitar rir alto pra caralho. Mas muito difícil mesmo.

Na cozinha, além de eu e esse colega, também estava o @fazzatti, o @taijutsu, e talvez mais alguém. Estávamos todos rindo, mas o que mais ria era eu, disparado. Eu estava me contorcendo de rir, literalmente. Quase um ROFLOL. O tempo todo eu fiquei pensando, “como pode alguém levar tanto tempo para desligar um computador? É uma tarefa simples, estamos no século XXI, porrameuqualé?“.
Porém, tudo que é bom acaba. E a conversa, que durou uns cinco minutos (de pura diversão)(ao menos, eu me diverti pra caralho), também terminou, quando meu colega falou “Tá, então sabe o botão de força? Aperta e fica segurando, e ele vai desligar. Isso. Tchau.”

Quando ele desligou, eu olhei pra ele e falei: “era tua mãe, né? Porque só assim pra você não dizer ‘are you from the past?’”

May 5, 2009

 Asus EeePC 1000H 

Feliz, feliz, feliz, feliz \o/ finalmente tenho o netbook que eu queria, o Eee PC 1000H.

A Máquina

Aos que não sabem, o 1000H é uma máquina pequena, 10″ mais ou menos, com 160GB de disco rígido, um teclado 92% do tamanho de um normal, e um Atom 1.6GHz. Antes de comprar, eu escolhi muito, li muitos reviews de várias marcas e aparelhos, e através de um processo de longa eliminação, cheguei à esse modelo. Tela, teclado, velocidade e tempo de vida da bateria. Tudo parecia perfeito.

E era. É. Estou com ele ligado há mais de duas horas e o note mal aqueceu. O teclado é confortável e quem disse que o Atom é lento tem sérios problemas ou esqueceu a que nicho pertence o Eee. Pra um computador desse tamanho, com essa duração de bateria (a minha — 4 células — veio carregada cerca de 15%, e com brilho mínimo, webcam e wifi ligados, acusava 53 minutos de duração) (pra efeitos de comparação, pros que precisam, um note normal com bateria boa dura duas horas e meia, em média), o processador é ótimo. Esse aparelho roda até screensavers 3D (claro, um Flying Toasters da vida, com várias torradeiras voando, reduzem muito o desempenho do coitado). Pra vocês terem idéia, meu desktop é um Athlon X2 6000+, potente pra caramba, com 4 GB de RAM, uma placa de vídeo onboard bem bacana, e com os drivers genéricos ele mal abria os screensavers. Tá certo que com os específicos da nVidia ele mata a pau, mas nem se compara a combinação processador/placa de vídeo dele e do Eee. Esse computador é poderoso, podem crer.

O Problema

Tudo tá muito legal, mas o meu veio com um pequeno defeito de fábrica… o sistema operacional é Windows.

Não me entendam errado. O Windows XP roda MUITO rápido, ainda mais pra um sistema do seu porte, com o tanto de coisas pré-instaladas que vêm.
Não que eu não tenha a cura. Pro meu novo sistema, tenho peguei três opções: Easy Peasy, Eeebuntu e Ubuntu Netbook Remix.

Easy Peasy noysy waysy

Por algum motivo, a instalação do Easy Peasy não quis nem começar, sei lá eu o motivo. E nem quero saber. Parti pro próximo. Já que o Eeebuntu funcionou, não dou muito mais bola pra esse aqui. Não vi muitas diferenças entre os dois, tirando que a página na wikipedia desse é mais completa, o que não é grande coisa…

Eeebuntu Netbook Remix Blues Version

O EeeBuntu Netbook Remix iniciou legal, tem uma tela de boot gráfico bonitinha, etcétera e tal. Foi o único que funcionou com o Unetbootin, sei lá por quê. O instalador é bem simples, até demais pro meu gosto. Permitiu que eu reparticionasse o disco, configurações regionais, e instalar. Só. Bem estilo Ubuntu mesmo. Não gosto muito, mas não é nada terrível. Webcam e wifi funcionaram direto, não tive que configurar nada! Só o Bluetooth que não funcionou de cara, mas isso é provavelmente porque ele não vem com bluetooth integrado xD
O Eeebuntu usa o Synaptic como gerenciador de pacotes, que não é nenhum yumex, mas que eu já usei antes e não acho terrivelmente complicado. Gostei bastante dessa distro, mas, claro, vou testar também o outro. Se não der certo, Eeebuntu é o escolhido.

Ubuntu Netbook Remix Dance Version

Ubuntu Netbook Remix. Na real, só peguei esse porque Ubuntu é o sistema mais mainstream e, embora os outros dois sejam baseados nele, eu não tenho certeza de como funciona o esquema dos repositórios, então peguei ele pra, caso funcione tão bem quanto o melhor dos outros dois, tenho consciência tranquila sobre isso.
Bom, chega de enrolar, ‘bora falar do sistema.
A instalação começa como a do Easy Peasy, o que, confesso, me deixa com uma má impressão. Talvez o Unetbootin não tenha funcionado tão bem, mas o instalador só cai no BusyBox Shell. Tento usando o comando dd do Linux. E deu certo, abriu o instalador! E é um típico Ubuntu, não te dá muitas opções. Felizmente, sempre posso resolver isso após a instalação.
Terminada a instalação, só posso dizer que não gostei. Sei lá porque, mas o Eeebuntu foi muito mais confortável. Funcionou tudo certinho, sem problemas, mas talvez seja todo aquele marrom, ou minha veeelha rixa com o Ubuntu (nunca consegui instalar um funcionando direto antes), mas o Eeebuntu é mais confortável. Então, é o escolhido :D

Conclusão

E terminado. Três da madrugada, sem cafeína. Afinal, eu estou brincando com um netbook, quem conseguiria dormir? Eu não.

Pra fins de registro, e recomendação, para quem tiver dúvida, eu instalei o sistema com 12GB ocupados pelo sistema, 1GB de swap e o resto como disco mesmo, sob o /home. Pra mim, é a melhor forma de distribuir o espaço. Até prq, o meu desk, com tudo que eu instalei nele (OOffice, KDE, GNOME, programas, jogos e afins) ocupa só 9GB. Até me arrependo de ter deixado 25GB livre. Mas o Kerouac (é o nome deeele, porque vai ser usado on the road)(sacaram? Sacaram?) tá rodando redondinho, e eu não podia estar mais feliz. Máquina altamente recomendada.

UPDATE: Depois de atualizar o eeebuntu, ele baixou a Jaunty Jackalope e virou um Ubuntu lento. Então, instalei o UNR e estou usando ele por enquanto.

February 13, 2009

 Rendição 

Ok, humanos, eu me rendo. Na verdade, já há muito desisti, só que hoje formalizo minha rendição. Sou obstinado, persistente, teimoso até, mas a sabedoria exige o reconhecimento das batalhas perdidas que não merecem ser travadas. E a interação social seguindo suas regras é uma delas.

Tentei aprender, como melhor faço: observação. Acredito que, com observação e com a mente apurada o suficiente, não há sistema lógico que não possa ser decifrado; mas essa regra vale apenas para sistemas lógicos. Interações entre humanos não são lógicas, ou talvez o sejam, mas sua natureza não-determinística impede que sejam reduzidas a um número adequado de algoritmos bem-definidos. Pelo contrário, a quantidade de desvios e exceções e variáveis aumentam rumo ao infinito. Há sim um conjunto de regras básicas, em especial para relacionamentos mais distantes, como conhecidos ou parentes distantes. E mesmo nesses casos, é normalmente aceito, é impossível atingir algo próximo à adequação em cem por cento dos casos. O que resta, então, senão a rendição? Desisto, então, prezados e nem tanto, de tentar participar de sua tão aclamada civilização.

Ao menos, em seus termos. Explico-me.

Assim como muitos (e, bom ou mau, muito poucos), estou agora impondo meu próprio conjunto de regras para interações. Sei que nenhum ou poucos irão compreendê-las em sua plenitude, ou mesmo aceitá-las, mas espero conseguir transmitir a estrutura lógica que as guia.

A primeira é repúdio total ao tratamento melhor que polido e frio à pessoas que me desagradam, seja pelo motivo que for. O motivo mais forte é que, ao meu ver, tratar pessoas desagradáveis tal como eu trato amigos é uma ofensa aos últimos, que possuem características que eu considero virtuosas, e que me tratam com o respeito e o carinho que os primeiros não demonstram. Igualar ambos é um ato que beira o criminoso.

Eu renuncio toda sutileza absurda. A interação é muitas vezes dificultada pelo abuso de comunicação que ocorre em um nível imperceptível e sinais dúbios. Esses procedimentos inserem um nível de ruído na comunicação tamanho que é surpreendente que quaiquer duas pessoas se entendam. É como procurar padrões na fumaça, o que deve explicar a atração de certas pessoas por ele. Por ser inevitável, eu continuarei tentando encontrar esses padrões na fumaça (mesmo sabendo que, em nível atômico, eles são óbvios e belos), mas reservo-me o direito de abdicar deles em absoluto. Não tenho necessidade ou desejo de comunicar nada além daquilo que desejo comunicar.
Ou, resumidamente, “sim é sim, não é não, talvez é talvez”. Aquilo que eu digo significa exatamente aquilo que quer dizer. Nem mais nem menos.

Reivindico os direitos roubados pelas bazófias de bufões: direito à solidão, à melancolia, à ignorância saudável, aos “defeitos”. Nada tenho contra a provocação bem-intencionada, contra a sátira, mas ergo minha voz contra a acidez desnecessária, o ataque e toda a agressividade contra os defeitos não-danosos. Estar sozinho é um direito e, segundo minha crença, condição irrevogável para uma mente saudável, permite à pessoa ordenar os pensamentos, meditar e atingir conclusões próprias. A melancolia, semelhantemente, permite uma alteração no ponto de vista, por vezes benéfica. A ignorância saudável, aquela que admite que não sabe e busca o conhecimento. Em suma, reivindico todos os defeitos não danosos ao ser e aos outros.

Esses são meus termos e, aceitos ou não, constituem minha renúncia às regras, formais ou não, instituídas pela sociedade e minha desistência de tentar a adaptação, e o compromisso com um conjunto específico de regras: o meu.

Assinado,
O Ornitorrinco.

February 4, 2009

 Bobagem colaborativa 

Não sei se vocês conhecem, mas tem uma coisa chamada Twitter, da qual eu sou membro. É uma espécie de miniblog com rede social.
Expliquei muito, certo? Digamos que é um chat onde você adiciona amigos, pronto. Acessem, confiram, cadastrem-se e me adicionem :-) depois vocês viciam.

Enfim, hoje de tarde tava tendo um papo com o Barone, do Banana Radioativa, e surgiu esse momento memorável.

barone Caraca, uma montanha de fake tá me seguindo de uma vez! Será que é porque eu escrevi hashtag?

ornitorrinco @barone Vamos descobrir. hashtag

barone @ornitorrinco hahahahaha, isso é arriscado

ornitorrinco @barone Rá! eu rio na cara do perigo! Ha ha ha ha!

barone @ornitorrinco @evilhiena is now following you on twitter #runsimba

ornitorrinco @barone UHAUHAUAHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHUAHAUAUHAUAUHAUHAH UHAHUAHAUHAUAHAUUAUHAUAHAUHAUHAHUAHU NOOOOOOOOOOOOO! #simbarunning

ornitorrinco @barone Mufasa, meu filho, cadê você?!?

barone @ornitorrinco It’s the circle of problogging, my son about

ornitorrinco @barone Problogging? Quer dizer que o Mufasa é o @interney?

barone @ornitorrinco se o Mufasa é o @interney, o Zazu é o Yabu

barone @ornitorrinco errei o nome do japonês. Tava pensando no cara do Pensar Enlouquece. O Scar seria o @crisdias… reclamão igual!

ornitorrinco @barone uhauahuahua será que o @crisdias é enrustido tb? E o @inagaki tem jeito de Zabu mesmo

barone @ornitorrinco a Nala pode ser a @baunilha

ornitorrinco @barone uhauahua Ai se sêsse… até prq o Simba sou eu :-) ai se sêsse

ornitorrinco @barone E vc, quer papel de Timão ou Pumbaa?

barone @ornitorrinco Timão, só pra dançar a ula! É a parte mais memorável do desenho e eu sei a letra de cor, hahahahahahaha

Só bobagem. Até parece que essa gente não trabalha. Mas trabalhamos. Tanto que eu deixei pra noite essas montagens…

@interney
Edney — Interney, o papa dos ProBloggers.

@baunilha
Bruna — Baunilha, nunca ouvi falar, mas é linda.

@crisdias
Cris Dias — crisdias, blogueiro nerd.

@inagaki
Inagaki — inagaki, blogueiro pop, como você não conhece?

@barone
Barone — Barone, o único anônimo da lista… (além de mim)

@ornitorrinco
Ornitorrinco — ornitorrinco, não acharam que eu ia mostrar a cara, acharam? :-D

As montagens eram pra ser toscas mesmo :-) tanto por eu não ser grandes coisas em fazer montagens, quanto pra manter o ar underground da coisa.
O Barone vai escrever um texto sobre isso. Quando estiver pronto eu posto o link aqui.

UPDATE: Coloquei o link. E de noite acho que upo as outras montagens.

January 11, 2009

 Fedora 11: “Leonidas” 

Foi divulgado o nome oficial da versão 11 do Fedora. Será “Leonidas”.

Óbvio que minha mente voltou a um velho meme…

THIS IS FEDORA!!!
Clique para ver maior (mas não MUITO maior)

January 2, 2009

 Fedora 10 

Bom, agora que o computador tá funcionando de novo, os backups foram restaurados e o ciclo de reinstalações terminou, posso falar sobre a experiência com o Fedora 10 (F10) até agora.

A Instalação

A instalação foi problemática. Baixei o LiveCD do Fedora com KDE como gerenciador de janelas padrão, e ele não bootava, acusava imagem defeituosa. Bom, deixei pra lá, já que também tinha o DVD padrão.

Bootei pelo DVD, optei por atualizar, tudo aconteceu tranquilamente. Até a instalação do meu E156 da Vivo aconteceu sem maiores incidentes, e fui atualizar o sistema. Depois de baixar mais de um giga de atualizações, o mesmo problema de sempre: conflito de pacotes. Provando que não se deve brincar com dependências quando estamos com sono, eu acabei desinstalando boa parte do sistema, incluindo o yum. Sem chance de restaurar o sistema, ou com preguiça de todo o esforço que teria, resolvi instalar do zero mesmo. Um bom plano, exceto pelo inesperado: a instalação do zero deixou de fora alguns elementos que eu considero essenciais, e que eu não tinha saco pra procurar nos repositórios, tais quais o configurador de tela. É muito irritante usar 800x600 em uma tela de 17″ LCD. Minha solução: instalar o F8, atualizar pro F10. Pouco prático, eu sei, mas já me permitiu fazer algumas customizações no F8 e, por exemplo, já entrei no F10 com os drivers vesa, que me permitem agradáveis 1280x1024

Se me permitem reclamar um pouco, eu não entendo por que conflitoes de pacotes sempre acontecem em instalações em sistemas 64bits, e por que sempre com pacotes i386, e como esse tipo de coisa ainda não foi solucionada. É um problema simples de resolver, é verdade, basta remover os pacotes com conflito e mandar atualizar normalmente, mas cara, é chato, e não deveria ser necessário.

Instalado e funcionando, descubro que o driver da nvidia não funciona com a versão mais recente do kernel. O sistema simplesmente não termina o boot, não há feedback visual, e eu fiquei trancado do lado de fora. E mais: o grub, por algum motivo, não aparece, indo direto pra tela de inicialização. Ou seja, não havia como usar o sistema. Minha solução: acessar um shell pelo DVD de instalação, editar o grub.conf da minha instalação pra alterar o kernel usado. Como eu só tinha instalado o módulo pro kernel 2.6.27.9-159, e não pro 2.6.27.5-117, eu não tive problemas em usar o kernel antigo e desinstalar os pacotes. Problema resolvido, continuamos. Mas estou esperando uma nova versão do kernel pra tentar de novo.

Outro recurso complicado de instalar foi o flash. Não que eu esperava que fosse simples, porque instalar algo proprietário (vide os drivers da NVidia) nunca é. Felizmente, a solução é simples. Foi preciso apenas instalar o repositório da Adobe, com o comando:
$ su
# rpm -ivvh flash-plugin-10.0.15.3-release.i386.rpm
# yum install flash-plugin nspluginwrapper.x86_64 /
nspluginwrapper.i386 alsa-plugins-pulseaudio.i386 /
libcurl.i386

O yum pode retornar um aviso de que um ou mais desses pacotes já estão instalados. Bom sinal, nada pra se preocupar. Fazendo isso, agora o plugin do Flash está funcionando certinho por aqui.

Apesar desses pequenos problemas (3, e só um não-solucionado), ainda foi mais tranquilo que reinstalar o Windows. Não tive as dezenas de boots, chaves de ativação, e todo o esquema “um reboot por programa”. E não tive que sair desativando vários serviços. Não foi simples, mas é uma grande evolução. Pelo menos eu acho.

O Sistema

Estou usando há pouco tempo, portanto todas as opiniões são bem superficiais. Meu gerenciador de janelas favorito é o KDE, e infelizmente o Fedora é uma distribuição centrada no GNOME. Tudo bem, também me viro bem no GNOME (apesar de achar pouco prático), e o pouco que usei, achei bom. A nova versão do GNOME não apresentou nenhuma evolução, em relação à anterior, mas isso era previsível. O KDE, por outro lado, é uma história bem diferente.

Eu estava usando o KDE 3.5 antes. Li várias reviews do KDE 4.0, e passei bem longe de instalá-lo, apesar de ler sobre as novidades e de estar esperando por elas há bastante tempo. Estou agora usando o KDE 4.1.3, e bastante satisfeito. O sistema já está usável, embora um pouco instável. Já sei que não devo abusar do Plasma, apesar de que ele se recupera muito bem. Fora isso, não tive problema nenhum. Não estou usando compositing porque estou só com os drivers vesa, que não me dão grande confiança. O sistema está mais bonito, todas as interfaces foram alteradas, e até os jogos tiveram a aparência incrementada, com gráficos bem melhores, vetoriais. De repente jogar Shisen-sho ficou mais divertido.

O Dolphin é um programa que estava fazendo MUITA falta no KDE 3.5. Ele supera e muito o Konqueror como gerenciador de arquivos. Possui favoritos, possibilidade de dividir a tela em duas para acessar pastas diferentes, preview ágil de figuras (miniaturas e um preview um pouco maior no canto). Outra grata surpresa foi o Okular, um visualizador de documentos novo que é muito bom, leve, rápido, e tem um bom suporte pra arquivos .cbz e .cbr, que eu tenho vários.

O KDE tem também agora duas formas diferentes de menu, a clássica e uma nova, diferente, com barra de busca, programas favoritos, abas na parte de baixo e onde cada nível de menu aparece no lugar do nível anterior. Não gostei, prefiro o menu antigo.

Uma coisa que fez falta é um dock, como o do OSX, que eu já usava no KDE 3.5, e pro qual ainda não há substituto nos repositórios ou nos plasmoids. Claro, não fiquei sem, eu simplesmente coloquei um painel só com atalhos pros programas que eu mais uso na parte de baixo da tela e fiz com que ele se auto-escondesse. Não é o kooldock mas quebra bem o galho.

As configurações do sistema também estão diferentes, o programa parece menos poderoso que o anterior. Menos funções. Isso realmente me desagradou, me senti tentando customizar o GNOME. Poucas opções.

Outra coisa faltando, mas de fácil solução: o kdesu. Quem conhece sabe, é um programa pra abrir aplicativos em modo gráfico como superusuário. Muito útil pra procurar e alterar arquivos de configuração. Pra esse a solução foi bem simples. Procurei o kdesu com o locate e descobri que ele foi movido para o diretório /usr/libexec/kde4/, então o próximo passo era lógico:
$ su -c ‘ln -s /usr/libexec/kde4/kdesu /usr/bin/kdesu’

Outro detalhe importante: o projeto Fedora honra o compromisso de software livre 100% legal, e isso é bom. Infelizmente, isso também significa que certas coisas, como suporte à MP3, ficam de fora. Felizmente, é bastante simples permitir que nós possamos ouvir nossas músicas de novo: basta instalar o RPM Fusion.
$ su -c ‘rpm -Uvh http://download1.rpmfusion.org/free/fedora/rpmfusion-free-release-stable.noarch.rpm http://download1.rpmfusion.org/nonfree/fedora/rpmfusion-nonfree-release-stable.noarch.rpm’
Uma vez instalado, procure pacotes que possuam, em seu

Para tocar DVDs, é necessário outro repositório, o livna. Esse repositório possui apenas um pacote, o libdvdcss. Informação interessante, aos que não sabem, esse pacote instala uma biblioteca que permite decodificar os DVDs que você compra, superando as limitações artificialmente inseridas pelos fabricantes. O livna só existe para hospedar o libdvdcss, que é ilegal em alguns lugares (até onde eu sei, não no Brasil).
O que isso quer dizer? Que o DVD que você compra vem com uma falha que foi colocada lá de propósito, que impede que ele seja reproduzido sem autorização do fornecedor. Claro, eles dizem “fazemos isso por causa dos piratas”, mas eu simplesmente não consigo comprar essa idéia. Outro dia escrevo mais sobre o assunto. De qualquer forma, para instalar essa utilíssima biblioteca, apenas rode os seguintes comandos:
$ su -c “rpm -ivh http://rpm.livna.org/livna-release.rpm”
$ su -c “yum install libdvdcss”

Agora você pode executar seus DVDs, sejam os que você copiou, sejam os que você comprou.

Conclusão
Eu estou bastante satisfeito com o KDE4. Acho que o projeto tem que amadurecer um pouco ainda, e discordo de algumas das mudanças, mas não é nada crítico. O sistema está mais bonito e mais rápido (nota-se uma diferença na velocidade de boot). Apesar dos pesares (e são poucos, eu que me detive demais neles), o pessoal do projeto Fedora merece um tapinha nas costas. Essa é a distribuição que eu recomendaria.

Meu Desktop =)
Meu desktop =)

P.S.: Sei que não me aprofundei tanto quanto poderia, mas optei por fazer um post que vocês possam ler sem ter que fazer pausa para ir ao banheiro. Desculpem-me, os desagradados.

December 23, 2008

 Vivozap + KDE 3.5.10 + E156 

UPDATE: As instruções também valem para o OpenSuse 11.0 64b.

Oi gente =D voltando dos mortos pra dar uma dica bem simples de linux: como configurar seu modem Huawei E156 num sistema Linux, usando o KDE.
Obviamente, as instruções pra GNOME não devem ser muito diferentes, apenas o programa discador deve ser outro. Se alguém fizer o teste, avise o/

Pra essa instalação, estou usando o Fedora 8, KDE 3.5.10 e o discador KPPP, meu favorito.

IMPORTANTE: Se algum dos comandos não funcionar, o problema pode ser que a variável $PATH não possui o diretório /sbin, onde os programas estão. Então, adicione o caminho à variável com o comando

# PATH=$PATH:/sbin

SEM espaços. Deve funcionar como eu descrevi, a partir disso.

Primeiro de tudo, conecte o modem e abra uma janela do Konsole. Mude para o usuário root, e executem os seguintes comandos.

$ su
# lsusb
Bus 001 Device 007: ID 12d1:1003 Huawei Technologies Co., Ltd. E220 HSDPA Modem
Bus 001 Device 001: ID xxxx:xxxx DEVICE
Bus 002 Device 005: ID xxxx:xxxx DEVICE
Bus 002 Device 004: ID xxxx:xxxx DEVICE
Bus 002 Device 003: ID xxxx:xxxx DEVICE
Bus 002 Device 002: ID xxxx:xxxx DEVICE
Bus 002 Device 001: ID xxxx:xxxx DEVICE
# modprobe usbserial vendor=0x12d1 product=0x1003
# echo \"usbserial vendor=0x12d1 product=0x1003\" >> /etc/modules
# touch /etc/resolv.conf

O comando lsusb serve para verificar os identificadores do seu aparelho. O aparelho que você está procurando é aquele fabricado pela Huawei. Por algum motivo, o sistema aponta o meu modem como sendo um E220 (será que ganhei um modem melhor do que pensei? :-), mas isso não faz diferença. O importante são os dois números, 12d1 e 1003 (sim, ambos são números) (não, você não tem que rolar 12 vezes um dado de uma face) (sim, isso foi uma piada de RPG), que são identificadores do seu aparelho (respectivamente, fabricante e produto).

O comando modprobe carrega o módulo usbserial para esse aparelho, o echo insere o módulo no arquivo /etc/modules e o touch serve pra atualizar o timestamp do arquivo resolv.conf. Pare de fazer perguntas e vá aproveitar seu modem, estamos quase lá!

Agora, se tudo correu bem, o sistema sabe que seu modem está lá. Falta agora só configurar o discador. Abra o KPPP.


Clique no botão Configure.


Na janela que se abre, selecione primeiro a aba Modems. Clique em New.

O que você tem que fazer aqui é dar um nome pro seu modem (faça um favor a si mesmo, use como nome o modelo do modem, não algo tipo “1337_m0d3m”) e dizer qual arquivo de dispositivo é seu modem (Linux, lembra? Tudo é arquivo). Para a maioria dos modems USB (provavelmente todos) esse arquivo é o /dev/ttyUSB0.
Cuidado, há alguns nomes parecidos. Não confunda.


Agora vamos para a aba “Accounts”. Estamos quase lá!


Essa parte é importante: eu sei que a opção Wizard Setup pode ser tentadora, mas pelo bem de suas almas, escolham MANUAL SETUP.


De novo, permitam-me frisar isso: Dêem o nome certo pra sua conexão. Vivo, VivoZAP, ZAP… Acreditem, faz diferença. E o número é *99#. Facílimo de memorizar, certo?

Como modo de autenticação, escolha apenas PAP, caso contrário a conexão vai cair logo depois de o modem conectar. Sempre. Eu, digamos, testei isso.

Agora, se você fez tudo certinho e não mexeu em abas estranhas que você não precisaria ter mexido, só precisa dar alguns oks e estará tudo funcionando certinho.
Tudo? Quase tudo. Tanto o nome de usuário como a senha são “vivo”, tudo em minúsculo. Agora é só clicar em conectar e divirtam-se! Antes desse eu tinha um Kyocera KPC650, que era muito bom, também extremamente fácil de configurar (quase os mesmos passos), mas o E156 deixa ele no chinelo no quesito velocidade! Baixei 147MB de atualizações em menos de uma hora (de onde eu estou isso é bem rápido). É uma bela melhora sobre o KPC650, muito bom trabalho pra Huawei.

Dúvidas, perguntas, curiosidades, escrevam nos comentários. Se eu errei alguma coisa, ou você teve resultado diferente em algo, avise. Pergunte o que quisere, mas talvez eu não saiba a resposta. E aí, o que você faz? man, Google e fuçar. A gente aprende assim.

November 24, 2008

 MeNaEsRo 

Conversando com o Cafetron sobre o NaNoWriMo via twitter, de repente me surgiu uma idéia maluca, que pode ser muito legal: o MeNaEsRo, Mês Nacional de Escrever um Romance.

Óbvio, “romance” não são aqueles livretos água com açúcar, são livros mesmo. Tema livre, mesmo, você pega e escreve o que quiser. Caramba, não precisa nem fazer muito sentido, só precisa escrever mesmo. Faça uma história absurda sobre uma vagem mutante maníaca que deseja livrar o mundo dos vegetarianos, e no processo se transforma em um ser humano e aprende como é dura a vida de um ser humano e se apaixona por uma mulher e ambos acabam tendo filhos que nascem verdes. Escreva sobre a vida das abelhas. Escreva sobre a vida da sua bisavó, que criou cinco filhos durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto seu bisavô estava no bar enchendo a cara de dia e em casa enchendo todos de porrada de noite. Ou, melhor ainda, escrevam sobre ornitorrincos.

Por enquanto eu tenho a idéia em linhas gerais, mais ou menos assim:

  1. Baseado em uma página de 40 linhas, escrever algo na ordem de 40k-50k linhas (entre 100-150 páginas), com uma fonte específica de tamanho predeterminado.
  2. Sem premiações. Só participar pelo prazer do desafio, mesmo, como nos moldes do original. E sem restrições, só que seja um romance mesmo!
  3. Meu único motivo pra realmente achar essa idéia boa: novembro é um mês fudido. No Brasil nós temos festas, faculdade, trabalho, escola, um monte de coisas que realmente atrapalham a idéia de se dedicar à escrita. Minha idéia inicial seria pegar o começo do ano, ou seja, Março, como mês oficial.
  4. OK, eu sei que o item 3 aumentaria em um dia o prazo, mas cara, no projeto original, um autor tem 30 dias para escrever 50.000 palavras (uma métrica que eu acho estranha, pelo menos), o que dá 50000/30 =~ 1667 palavras por dia. Se fossem 31 dias, a média baixaria para 1613. Não acho que cinquenta palavras sejam uma quantidade significativa, a não ser que o participante não tenha idéia de como continuar, e aí sempre tem o ano seguinte (se vingar).

Só pensei nisso por enquanto, mas ainda vou olhar essa idéia com mais carinho. O que vai ser realmente necessário pra botar ela pra funcionar é: Um nome melhor, porque, fala sério, MeNaEsRo é péssimo. Minha desculpa pra ele é que eu não parei pra pensar no nome. Divulgação e acho que isso não vai ser problema. Um logo, pra garantir reconhecimento. Participantes, e isso provavelmente vai ser fraco, ao menos no começo. Eu não esperaria mais de 50 pessoas no primeiro ano, sendo otimista. Mas uma coisa que poderia ajudar nisso é renome, algo que eu não tenho (e nem quero). Quem dos blogueiros grandões será que apoiaria essa idéia? Será que eu consigo ajuda do Interney?

E aí? Será que estou exagerando, a idéia é idiota, e eu devia esperar acabar a faculdade pra entrar em algo assim? Será que é uma boa idéia? Será que eu esqueci algum detalhe? Será que eu bebi extrato de sapos coloridos e estou viajando? Será que vocês querem esse chá que eu estou tomando agora? Opiniões. Eu sei que tem gente lendo essa coisa! Hora de espancar esses teclados!

November 15, 2008

 MAX POSTAR! 

Esses dias eu terminei de assistir uma série chamada “Sexy Voice and Robo”, escrita por Iou Kuroda. A trama é muito bizarra. Uma guria de 14 que consegue imitar qualquer voz que já tenha ouvido (e que tem ouvidos muito potentes), um dia conhece um otaku (fã de animes de robôs, de onde vem seu apelido, “Robo”) (que está na casa dos 20 anos e tem a maior coleção de bonecos que eu já vi) e os dois conhecem um homem chamado Mikkabouzo (em japonês, “aquele que não consegue lembrar de nada), um homem que esquece tudo o que sabia a cada três dias, e por isso carrega uma espécie de diário e vários objetos pra não esquecer o que já fez, o que pensa e por onde já esteve. A dupla impede que Mikkabouzo mate uma mulher, e acabam se tornando uma espécie de “agentes secretos”, sob serviço daquela mulher.

Eu falei, a trama é bizarra. Mas muito bem escrito. Não tem grandes cenas de ação, violência ou afins, a história é toda na trama, nos diálogos e no apelo emocional dos protagonistas. Niko, a guria, que é o cérebro da dupla, e Robo, o ajudante trapalhão, que deve ser um dos personagens mais legais que eu já vi, com sua mania de sair gritando frases que começam com “MAX”, como seu personagem favorito, o Max Robo. Por exemplo, quando ele sai correndo, ele berra “MAX CORRIDA!”. Para atacar, “MAX ATAQUE!”. Para passar a raiva, “Bateren Renkon Tomato MAX!”.
Por sinal, se vocês me virem falando “MAX ALGUMACOISA”, é porque, estejam avisados, fazer isso vicia.

E, no primeiro episódio, aparece um poema que provavelmente foi escrito pelo Iou Kuroda (o autor do poema seria uma pessoa chamada Sanrou Kuroda), que é assim:

Você olha para um amanhã incerto
O dia depois de amanhã
Dez anos no futuro
Na forma das camisas que você descartou
Na forma das sobras de pão
Sua humilde casa que você ainda não construiu
Deixe que seu pequeno sonho permaneça um sonho
Dentro de você, como está agora
Suspenso lá, e difícil de ver
Enquanto desaparece… durante… conforme você desmorona

Eu acho um pouco engraçado essa forma de escrever. O poema é triste, cara, muito triste. É sobre você olhar pra trás e ver que não está nada feliz com a sua vida. Por outro lado, tem uma coisa meio positiva nisso, o amanhã é incerto, ainda não aconteceu. Não precisa ser assim. É uma coisa meio blues, eu leio e fico triste, feliz e nenhum dos dois, ao mesmo tempo. É divertido.

Tem um mangá também, que eu ainda não li, mas lerei. Enquanto isso, se tiverem a chance, assistam. Eu só tenho uma versão com legendas em inglês.

Agora, MAX ATAQUE A GELADEIRA!

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Em caso de dúvidas, e-mêia eu, tio.


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