September 8, 2009

 Mar 

Morar na praia tem um elemento engraçado: você nunca está sozinho. Às vezes eu gosto de sair, no fim de tarde, pra caminhar pela areia vazia (porque existem praias onde ninguém quer ir, e essas são as melhores, onde você encontra os deuses antigos do mar e pode beber e trocar histórias com eles), e ouvir aquilo que está por todo lugar, em toda cidade: o quebrar de ondas do mar.

Água vem, água vai, e o som começa forte, intenso, mas vai se reduzindo, ficando mais devagar, mais calmo, mas não pára. E quando ele ameaça parar, vem outra onda e tudo começa de novo. Esse som está na beira do mar, mas também está dentro da cidade. Quem vive perto do mar sabe desse som em todos os lugares. O vento carrega para dentro da casa mais fechada, e a música mais alta não abafa. É o som da alma coletiva da humanidade explodindo palavras e emoções que somem, uma alma individual de cada vez.

Estar com saudades é como viver em uma cidade com praia.

December 31, 2008

 Resoluções 

2008 foi um ano ruim. Olhando pra trás, digo que 2008 não foi um ano agradável. Não que tenha sido totalmente horrível; certamente ele teve seus momentos, e foram vários. Afinal, estamos falando de um ano inteiro. Tem muitos momentos dentro de um ano, e as estatísticas são bem favoráveis de que vários desses momentos serão bons. O pessoal do TMRS, meu estágio, os truques novos que aprendi com malabares, os shows do Cordel e do Teatro Mágico, o teatro do Lirinha, aqueles meses que não voltam mais… tem tanta coisa. Mas também tem algumas das piores decisões que eu tomei nos últimos tempos. Teve muita coisa ruim, coisas que eu não devia ter dito, gente que eu não devia ter machucado, coisas que eu não deveria ter feito. Mas, como diria o sábio africano Pumbaa, “a gente tem que colocar o traseiro no passado”. O que passou passou, e é fácil falar nisso agora. O que está passando, por outro lado, é bem mais complicado. E o que vem, então? Cara, desse nem dá pra falar. Eu não sei, você sabe? O que dá pra fazer é fazer o que a gente acha melhor e esperar que acabe tudo bem. É o que eu faço, não sei se dá certo. Tem cada cagada que faz parecer que não tem diferença entre pensar no assunto e simplesmente tomar decisões aleatórias. Na boa, tenho minhas dúvidas sobre se essa diferença existe. Existe? Não sei, quem consegue viver assim me avise e a gente conversa e a gente pode chegar a uma conclusão.
Eu, por mais que sempre erre, tenho mania de pensar adiante. Eu observo, vejo tendências, de onde veio, como está e pra onde parece que vai, tomo decisões baseado nisso, e erro. Não é sempre, mas erro. E aí, o que a gente pensa quando o melhor não é bom o bastante? Não sei.

Mas vamos continuar planejando. Com sorte, isso ajuda a evitar os erros mais óbvios. No mínimo. Espero.

E é nesse espírito, e na noção absurda de que uma data escolhida arbitrariamente possui realmente alguma influência na nossa vida além daquela que nós lhe damos, nesse caso, o “ano novo”, que na verdade é uma data dentro de um contínuo, uma divisão dentro do conjunto não-discreto que é o tempo, uma tradição cujas origens são desconhecidas para a maioria das pessoas, inclusive para seu humilde escriba, que determino que, nos dias vindouros (e mesmo o dia é uma arbitrariedade)(necessária, mas ainda assim, arbitrária), faço-me as seguintes promessas com alguma intenção de cumprir:

  1. degustar menos doces mesmo que por razões puramente estéticas.
  2. engajar-me em alguma atividade física digna desse nome além de malabares (atualmente, nível de aprendiz em swing poi, devil e flower stick e nível auto-flagelamento no meteoro). Provavelmente a natação. Intento começar tão logo volte para São Leopoldo.
  3. programar mais mesmo sem idéias úteis (leia-se divertidas) de programas.
  4. ler mais considerando-se que nesse ano eu li certamente menos que 20 livros, espero ler mais. E ler certos livros, especialmente terminar O Lobo da Estepe, do bom Hesse.
  5. aumentar minhas reservas econômicas que andam bem baixas, devido à uma grande onda recente de gastos da qual eu ainda estou me recuperando. Não que eu me arrependa de algum centavo gasto. Mas, como diria o Tio Patinhas, “economizar é preciso”.
  6. desenrolar esse bagunçado novelo de lã que eu chamo de mente porque ultimamente eu ando bem confuso, e gostaria de voltar aquele estado onde eu não me sinto assim o tempo todo.
  7. completar certos projetos como o MeNaEscLi, o Mês Nacional de Escrever um Livro, e as idéias de flash mobs.
  8. manter o bom trabalho em causar estranheza para alguma pessoa, todos os dias não tive uma taxa de 100% de aproveitamento, em termos de dias, mas consegui balançar as idéias das pessoas de variadas maneiras esse ano.
  9. reaproximar-me de quem eu me distanciei é auto-explicativo.
  10. comprar um chapéu novo porque o atual é o único. Quero um Fedora e um Chaplin :-) além de outro no mesmo estilo do meu fiel companheiro xadrez

São as promessas que, na verdade, eu sempre me faço, e que nunca cumpro a contento. Mas isso provavelmente tem a ver com o fato de eu nunca achar que nada em que eu estou envolvido está totalmente bom, sempre espezinhando e catando erros, mesmo onde eles não existem ou onde eles não são importantes. Tenho que parar com isso também.

E você, que promessas faz pra si mesmo todo ano? E que promessas fez pra si mesmo esse ano?

September 5, 2008

 Piada à Vista 2 

Cara, hoje eu vi o comercial da Microsoft estrelando Bill Gates e Jerry Seinfeld e, cara, é incrível! Eu nunca esperaria algo assim. Assistam por vocês mesmos.


Aos que não falam inglês, não se preocupem. O comercial não fala sobre o Vista. Na verdade, ele mal aborda computadores, salvo uma menção à Microsoft (no final) e o fato de que, bom, eu acho que o caixa da loja de sapatos usou um computador pra registrar a compra. E é isso. De resto, eles fizeram um comercial de sapatos.

Isso mesmo. Bill Gates se aposentou e foi vender sapatos.

Acho que é dizer alguma coisa sobre o sistema operacional que, quando você faz uma campanha pra melhorar a imagem do dito produto, você percebe que não há nada que você possa dizer de bom sobre o tal sistema e aí desiste e parte pra fazer uma sequência de bobagens, mencionando o produto ao final do comercial.(ei, a alternativa é pensar que esse comercial foi a melhor idéia de roteiro que eles tiveram, e, baseado no que eu vi, acho difícil isso ser considerado uma boa idéia)

E pensando bem, parece que muitos comerciais estão seguindo essa mesma linha de evitar falar do produto. Mas ao menos alguns são engraçados.
Embora esse não seja.

Observações finais:
1) Ainda acho engraçado que eles tenham chamado um cara que passou anos fazendo product placement pra Apple pra divulgar Windows. Duplamente engraçado por ele ser um comediante.

2) “Shoe Circus”?!? Wadaporra? Isso é uma demonstração da falta de idéias dessa gente?

3) Qual é a da reboladinha? Não tinha nenhum outro tipo de sinal que eles poderiam usar? O comercial já não era grande coisa, mas terminar com Bill Gates dando uma reboladinha? Oh shit.

February 16, 2008

 Dia do prato 

Ok, quebrando o silêncio do blog, acho que agora eu já consigo escrever melhor. É, o dia do prato veio, e deu bái-bái-a-go-go de novo, e eu fiquei e estou malzão com isso. Mas é um olho chorando de alegria, e o outro de luto, gente. Ele veio, se foi, mas deixou uma certeza e uma promessa. E dessa vez vai ser. Eu entrei nisso com todas as dúvidas do mundo, mas eu acredito. Não é fácil, não é divertido, já falei “quémainão essa distância” mais vezes que eu me lembro, mas cara, eu seria um idiota se não tentasse. Essa certeza ficou.

E eu posso ser teimoso, tapado, perdido, ignorante (não que eu seja, quero dizer que eu POSSO ser), mas não sou idiota: É ela.

É só o que eu vou dizer aqui. O resto eu tenho que dizer é pra ela. Pra vocês, eu vou falar de webcomics, mas só depois.

“Como arroz e feijão
é feita de grão em grão
a nossa felicidade
como arroz e feijão
a perfeita combinação
soma de duas metades

como feijão e arroz
que só se encontram depois
de abandonar a embalagem
mas como entender que os dois
por serem feijão e arroz
se encontram só de passagem?

me jogo na panela
pra nela eu me perder
me sirvo à vontade
que vontade de te ver

o dia do prato chegou
é quando eu encontro você
nem me lembro o que foi diferente
mas assim como veio acabou
e quando eu penso em você
choro caféleite e você chora leitecafé
(O Teatro Mágico, “Pratododia”)

February 11, 2008

 Filosofia de Trânsito 

Tirando o pó…

“Em engarrafamentos, sempre tem os filhosdaputacaras que tentam ficar trocando de pista, costurando no trânsito. Eles tentam desesperadamente se encaixar entre os outros carros, um reflexo do seu próprio senso de inadequação e necessidade de se sentirem aceitos onde quer que seja possível.”

É algo assim. Deve ter coisa a mais, e coisa a menos. É um talento meu :-) eu esqueço tudo o que disse menos (com sorte) o sentido, aí enrolo e tento falar algo aproximado. Fiquem felizes por eu estaro postando. Eu estou feliz por não estar rolando deprimido na cama.

November 27, 2007

 The Real Folk Blues 

A vida não é tão má no pântano lamacento,
Se vida for.

Eu adoro esse trecho. A música original é o tema de encerramento de Cowboy Bebop.

September 14, 2007

Marvin   Nerd   Diarinho

 Linux 

Update: Descobri o problema e agora posso ler meus gibis de novo. Alegria alegria!

Update: Consegui instalar um programa pra abrir arquivos .RAR, e acho que o modem voltou a funcionar… 13 minutos sem falhas. Um recorde.

Não me entendam errado, eu não em arrependo em absoluto de ter mudado de sistema operacional. Não sinto falta do Windows a maior parte do tempo, e quando sinto, é daquelas vantagens que a Microsoft só conseguiu detendo dominância do mercado de sistemas operacionais (leia-se “abundância de drivers, amplo suporte”). Todos os problemas que eu encontrei no GNU/Linux até agora são assim, são falhas do mercado, não do sistema. Se não existem drivers, é porque fabricantes não se incomodam em desenvolvê-los (ou facilitar seu desenvolvimento). Não existe suporte porque não existem profissionais capacitados a prestar suporte (e nem interesse empresarial em oferecer suporte, aparentemente). Então, antes de dizerem “hahaha seu nerd xiita viu como windows é melhor hahah”, pensem nisso.

Vantagens legais do GNU/Linux:

  • eu não tenho que me incomodar em atualizar anti-vírus;
  • de fato, vírus nem me preocupam mais (além da quantidade disponível ser muito baixa, o modo como o Linux é organizado faz com que os vírus estejam limitados a serem incômodos);
  • não me preocupo com corporações espionando meu sistema (sabe aqueles relatórios de falhas de arquivos? Sabe o Windows Update? Pois é, tem mais coisa ali do que vocês pensam);
  • as atualizações e programas que eu baixo não exigem que eu reinicie o sistema, meu firewall não precisa de ajuda;
  • sabendo o bastante, eu decido o que roda no sistema (você sabe o que o seu Windows faz enquanto você não está olhando?)
  • um programa que trava não leva o resto do sistema junto (o que é uma alegria inacreditável).

Até agora, meus maiores problemas são falta de suporte pra arquivos .RAR (tá difícil), e internet de vez em quando é um pé no saco, porque não existe ADSL na gruta onde eu moro e o Vivo Zap é um arremedo malfeito de conexão(se você tiver opção, escolha outro provedor!). O resto vai tranqüilo.

Na real, eu só estou realmente puto no momento com minha conexão totalmente inativa. E pensei em deixar um relatório de como está indo a experiência com GNU/Linux. Está indo bem, mas a internet tá freuds :-P alguém conhece um bom provedor banda larga por aqui?

September 12, 2007

 Eu Não Sou Underground 

Hoje eu vi um link para uma página que media o pagerank de uma página (aos que não sabem, “pagerank” é o modo como o google mede a relevância de páginas, baseado na quantidade de links que apontam para elas e outras coisas mais) e resolvi usar isso no meu blog, ver como andava minha “relevância”.

O resultado tá ali do lado: 3/10. 3! Pra fins de comparação, um dos blogs mais famosos da blogosfera brasileira, o Interney.net, tem 6. O Dilbert Blog tem 7. O Leis de Murphy tem 3 também(!!!). O Cris Dias tem 5. 3 é um valor alto demais pra mim :-P

Devolvam minha undergroundalidade!

 11 de Setembro 

“Remember, remember,
The fifth of november
The gunpowder treason and plot
I see no reason
Why the gunpowder treason
Should be forgot”
(V de Vendetta)

Hoje eu tava em aula quando a professora comentou “pois é, hoje é o primeiro onze de setembro a cair numa terça-feira”. Meu primeiro pensamento foi que ela também assina o newsletter da Reuters. Meu segundo pensamento foi como estava sendo legal ouvir pessoas comentarem (depois dela, mais dois colegas — e eu — falamos sobre onde estávamos quando caíram as torres) sem aquele papo babaca de “eu odeio americanos, eles mereceram”. Babaca porque, porra, foram quase três mil pessoas. Ninguém merece isso, ponto. Seu ódio é idiota e você é um(a) babaca. Troque “americanos” por “judeus”, “negros”, “gays” e repita essa frase em voz alta. Um preconceito ser socialmente aceito não é correto.

Os motivos pra se odiar os americanos são os mais esdrúxulos. Quero dizer, por que odiar os EU e A? Porque o presidente deles faz guerra? Claro que faz, isso dá dinheiro e, até algum tempo, rendia boa reputação. Eles têm práticas de negócio sacanas? Nós também! Os filmes de lá são merdas idióticas e patrióticas? Pare de assisti-los.

Lembro que na época eu me surpreendi com a reeleição do Bush, mas hoje em dia me parece natural. Os americanos estavam assustados. Faz todo o sentido eleger alguém que imediatamente declarou guerra ao inimigo. Foi uma busca por segurança. O que não faz sentido é culpar as pessoas por agirem de modo irracional quando estão em pânico. E vejam bem, o mundo não acabou. Pelo contrário, a guerrao massacre no Iraque trouxe alguns pontos positivos, como por exemplo uma tremenda queda de popularidade da idéia de começar novos massacres em outros países. Fez com que mais pessoas prestassem atenção ao seu governo, e isso é bom. Governos são como crianças, precisam de vigilância constante.

Aliás, seria bom pensar que isso aconteceu no Brasil também, no caso da mídia revelando todos os podres possíveis sobre o governo atual (e fazendo o possível para mencionar as palavras “PT” ou “Lula” no meio das notícias — ou sou só eu que acho isso?). Infelizmente, eu sei que é esperar demais.

August 31, 2007

 7 

Engraçado como certos números parecem nos perseguir, não? Sete, três, dois, um, zero, quarenta e dois, eles estão em todo lugar (especialmente o 42). Sete maravilhas, santíssima trindade, os três troféus (campeão, vice e terceiro lugar), sete dias na semana, sete dias para criar o mundo (hahahahaha), código binário (zeros e uns), a resposta para a vida, o universo e tudo o mais (42). É evidente que os números estão à solta, mas no final é só mais uma questão de perspectiva: com as operações certas, fica fácil transformar um número em outro, e se você mantiver o nível das operações simples (evitem usar fatoriais ou logaritmos, por exemplo)(evitem especialmente logaritmos de fatoriais) as pessoas vão acreditar que não é apenas coincidência. É só saber manipular os números, e eu sei algo sobre isso. O bastante para achar 42 em qualquer lugar.

Mas esse post não é sobre números ou sobre 42, mas sobre sete. Mais especificamente, sete coisas sobre mim. Não me perguntem por quê sete, ou mesmo se vai ter sete (eu não sou bom em falar sobre mim), mas se quiserem saber de quem foi essa idéia, foi da blogueira mais doce da blogosfera. Diz ela que eu corro o risco de perder minha fortuna, minha família ficar louca e ser mandada para um manicômio em uma ilha deserta (se a ilha é deserta, como pode ter um manicômio?), e o pior, ficar broxa e minha mulher frígida. Mas eu não tenho fortuna, minha família já não bate 100% bem da bola, ilhas desertas não podem, por definição, conter manicômios, e eu mesmo que eu ficasse broxa, já existem pílulas que levantam até cadáveres :-) acho que estou seguro, mas como dizem, o seguro morreu de golpevelho.

Então, sem mais delongas:
1) Eu não sou ativo, sou reativo: eu sou seu melhor amigo, ou o cara mais chato e babaca e escroto que você vai conhecer em toda a sua vida. Na maior parte do tempo, a minha reação vai depender da sua. Se você for razoável, eu serei razoável. Se você for amigável, eu serei amigável. Se você me der um chute, eu chutarei seus dentes. Não é assim 100% do tempo, mas na maior parte do tempo é o que vale: não preciso ser gentil com babacas, mas se a pessoa for legal comigo, por que não ser legal com ela? Tenho certeza que todos pensam a mesma coisa sobre sua visão a respeito de relacionamentos com outras pessoas, mas me parece uma boa regra. Funciona, até agora, embora talvez me renda mais brigas do que a média de outras pessoas, mas eu não me importo muito (veja item 7)

2) Eu sou imprevisível: na verdade, eu me acho bastante previsível, o que deve significar que eu sigo um padrão, mas não um padrão com o qual as pessoas estão acostumadas. Esse post deve tornar o padrão mais óbvio, mas eu reconheço que a aleatoriedade de algumas coisas que eu faço deve incomodar algumas pessoas. O motivo é simples: acontecem coisas. Eu posso pensar de acordo com uma linha de pensamento LP1, e depois acontecer algo que vai me fazer mudar para uma linha de pensamento LP3. Diferentemente de Einstein, eu acredito que deus jogue dados com o universo, e aceito isso. Sabe, a vida é bastante aleatória, e eu não tento fingir o contrário, e tenho a impressão que sou mais saudável assim.

3) Provoque demais, e veja eu deixar de me importar: eu não perco muito tempo com pessoas que me incomodam. Às vezes têm aquelas pessoas que aparecem e enchem tanto o saco por qualquer motivo (querem um favor, ou querem “exigir sentimentos” (uma idéia absurda), ou qualquercoisa), e quando eu topo com uma dessas, eu aguento até certo ponto. Depois, eu deixo de me importar. Meu melhor exemplo é meu último namoro. A guria era paranóica, e achava que qualquer amiga minha tava dando em cima de mim, insistia que eu tava ficando com outras gurias, e martelou e incomodou tanto por isso que eu deixei de me importar, e realmente fiquei com outra guria. E não posso dizer que me sinto culpado, foi uma reação à ação dela (veja item 1). E é por aí, eu não aguento pessoas incômodas por muito tempo, e por que deveria? Não me venham com papo sobre “intenções”, porque nós sabemos qual é o pavimento do caminho pro inferno, certo?
(só pra concluir, um detalhe interessante: nenhuma das gurias acusadas tentou qualquer coisa comigo em qualquer momento, e a outra foi alguém totalmente de fora. Não consigo não achar esse detalhe divertido)

4) meu blog é autobiográfico: surpreendente, eu sei, mas por trás de contos, bobagens, frases, e afins, está a minha vida. Acho que é impossível escrever por muito tempo sem que isso aconteça. Claro, diferente de uns e outros que gostam de expor suas vidas na internet atrás de atenção ou diversão ou só um sentido pra continuar vivendo, eu não quero meu dia-a-dia exposto, então eu falo de modo extremamente sutil (ou não)(mas geralmente sim). Por exemplo, o último post foi uma explosão de stress causado por problemas autocausados (sabe quando você fica fazendo coisas que drenam tanto seu tempo que você perde noção das suas prioridades? Eu tenho que aprender a parar com isso). É o tipo de pensamento que me ocorre mais quando eu estou realmente nervoso, uma espécie de trava, porque eu nervoso não sou exatamente alguém com quem você possa levar uma discussão bacana.

5) Eu uso humor para lidar com situações difíceis: merda acontece. Dizia Siddartha que parte o caminho para a iluminação era ser capaz de viver o momento sem se preocupar com futuro ou presente. A preocupação com o passado é um fardo, e a ansiedade pelo futuro drena a felicidade do presente. E, no fim das contas, ambos são apenas coisas que existem na cabeça das pessoas (e o futuro geralmente existe só na sua). Eu dei toda essa volta para dizer o seguinte: não vale a pena agir como se as coisas fossem o fim do mundo, porque elas não são, e se você sabe disso fica mais fácil rir de um problema. Claro, nem sempre é possível, mas vale muito bem o esforço. Mas, oculto nas minhas piadas, tem sempre o meu ponto de vista sobre qualquer coisa, e obviamente as pessoas sabem disso, o que lhes permite entender tudo errado com mais eficiência.

6) Eu uso meus defeitos para sondar pessoas: eu não faço a barba, eu uso tênis detonados (e extremamente confortáveis), eu faço muitas piadas, e faço muitas piadas ruins, eu sou esquecido, tenho vários defeitos, e alguns deles eu “uso” para afastar pessoas que não valem a pena deixar se aproximar. Hoje em dia eu vejo que faço isso há muito muito tempo, mas só recentemente tomei consciência, e ainda assim, só noto depois que o inconveniente foi embora (”ufa, que sorte, imagina se eu não soubesse antes o quanto ele/ela era babaca?”)(eu sou extremamente lento com sutilezas). Pessoas que julgam pelas aparências normalmente se afastam de mim, e pessoas com bom senso de humor se aproximam. Muito legal, não?

7) O blues comanda o jogo: “viver é uma aposta, querida, e amar é a mesma coisa. Onde quer que eu tenha jogado, onde quer que jogue aqueles dados, onde quer que eu jogue, o blues manda no jogo.” Essa música eu conheço tocada pelo Counting Crows, e o nome é Blues Runs the Game, e é mais ou menos assim que eu vejo a vida: estamos apostando. Você aposta que uma pessoa vai ser boa, e trata ela bem, ou não. Você aposta que alguém vai ficar do seu lado pelo resto da vida e depois descobre que essa pessoa vai te deixar na semana seguinte. Você aposta que as pessoas não vão cometer as mesmas cagadas de novo. Não dá pra saber como vai ser qualquer coisa que você faça. A vida é cheia demais de elementos caóticos para simplesmente fazermos planos e ficar nervosos quando eles não saem como esperados, e é o que muita gente faz. Eu já fui assim, mas felizmente cresci um pouco mais nos últimos tempos, o bastante pra saber disso. E outro problema (crônico, da parte da maioria das pessoas, e minha também), é que nós vemos as coisas sempre pelo lado negativo. Tenho conseguido mudar isso em mim, mas tenho certeza que outras pessoas não têm a mesma sorte. Eu consigo ver dois meses de diversão e dois anos de dor pelo que eles foram, e consigo vezes o bastante pra ficar feliz :-)
A estrada pode ser longa e escura, mas tenho certeza que, se continuar caminhando, vou achar algo, como a lua brilhando lá no alto.

E era isso. Será que eu faço mais sentido agora? Tomara que não, eu adoro o olhar de confusão na cara das pessoas.

Bom, como é tradicional, passo agora a maldição adiante:
Morgana E Juliana, porque essa dupla é incrível.
Nathy, porque ela está na TV e quem está na TV sempre acaba com esses pepinos.
Egídio, o cara com a chapinha mais bem-feita do universo :-D
Caetano, porque ele (não) toca Raul.
Thahy, mãe do leão mais legal do mundo.
Maria, porque ela tá à toa.
_g, porque ele é uma bola azul sorridente com fones de ouvido.
Fernanda, que por não ser blogueira vai ter que me responder por e-mail.

June 21, 2007

 O Estranho 

AVISO: Esse não é um post bonitinho. O que eu escrevi abaixo é um post potencialmente perturbador. Não leia se você achar que não aguenta. E não reclame comigo depois.

Eu sei que eu brinco bastante, mas isso é sério. Só leiam se tiverem certeza absoluta que aguentam!

Lembrando que, como sempre, que meus personagens não são eu, que a história é ficcional, tirada de algum canto escuro da minha imaginação um tanto perturbada, e que isso é uma história de ficção e deve ser tratada como tal.

Era noite, estava frio e chovia. Muito. Mas ele estava lá. Suas mãos tremiam, mas não era de frio. Ele podia sentir os calafrios, sentia os dedos do diabo tocando em sua espinha. Sua pele congelava no vento, mas em sua mente febril as suas instruções queimavam. Ele era o assassino na estrada, com o cérebro se contorcendo como um sapo. Água rolava pelo seu rosto, mas não era chuva. Amarga demais, salgada demais.Não, era o que restava da sua alma, fugindo.

Alto, seus cabelos quase longos caíam pela sua cabeça meio abaixada, mas a mão sempre pro alto, pedindo carona. Era magro, muito magro, mas obviamente forte. O rosto era branco, realmente pálido, como que doente. Seus olhos eram imóveis, fixos em um ponto fixo móvel. Não era fácil olhar para ele sem ter a impressão de que ele era capaz de qualquer coisa. Não era realmente possível dizer se ele era um monstro ou um herói, mas o sorriso era reconfortante. Suavizava a sua expressão, fazia com que ele parecesse aquele velho amigo que você acabou de conhecer. “E talvez ele até seja”, você pensaria.

Um carro passou, e parou. Dentro, uma mulher, possivelmente a mais linda do mundo, ou do seu mundo, dirigia, e resolveu oferecer carona ao estranho.

Fogo. Ele se aproximou do carro. Queimando. Cumprimentou-o, e ofereceu carona. Seus olhos agora ardiam como o inferno. Ela mal teve temp de gritar. O fogo queimava nos olhos dele, contrastando ainda com o sorriso do seu melhor amigo. Ele tirou as mãos do pescoço dela, tirou o corpo do banco do motorista e jogou no meio da estrada. Que outra pessoa se preocupasse com isso. Ele tinha seu dever. Seus olhos voltaram à frieza de antes. O carro tinha gasolina o bastante.

Dirigiu a noite inteira, até chegar numa fazenda isolada. Um celeiro mais ao fundo, bois no pasto, um cavalo amarrado sob uma proteção, na frente de casa. O carro agora era inútil, tanque vazio e nenhum posto de gasolina nas proximidades, e nem dinheiro para pagar. A chuva havia parado há tempo, mas ele ainda estava encharcado.

Armando era um homem do campo. Não era alto, mas diziam que era forte como dois bois e um terneiro. Construiu o celeiro de sua propriedade sozinho, sem nenhum daqueles conhecimentos todos que a gente da cidade insistia, e já há mais de 20 anos o celeiro continuava firme e forte. Agora, ele era forçado a olhar pela janela enquanto seu orgulho pegava fogo. As labaredas queimavam alto no céu, e a única coisa que não brilhava era a silhueta de um estranho alto e magro parado ao lado do fogo. Com a espingarda em punho, Armando saiu de casa.

Nem mesmo o estranho sabia como havia feito aquilo. Só sabia que suas mãos estavam vermelhas, bem como sua jaqueta. No chão, aos seus pés, o cadáver de Armando. Há alguns passos de distância, sua cabeça, o rosto agora eternamente fixado em uma expressão de horror. Na janela, a esposa gritava. Não por muito tempo. Logo, ela estava caída no chão, seu rosto estraçalhado pelo tiro certeiro que o estranho havia disparado. Dentro de casa, seus dois filhos agora corriam por suas vidas. A mais velha tinha 7 anos.

Esconderam-se no armário, tremendo de medo. Lá fora, o estranho aproximava-se lentamente. Não tinha pressa. Sabia o que devia fazer, as imagens dançavam em sua mente. Entrou na casa, sujou a sola dos sapatos no sangue da mãe, e foi até o quarto do casal. Derrubou uma luminária. O barulho encheu a casa, e um suspiro abafado veio do armário. Barulho de passos saindo do quarto. As crianças realmente pensaram que estavam seguras agora. Foi quando o fogo começou.

O estranho foi bastante precavido. Não haviam saídas que não estivessem cobertas pelas chamas. Elas gritaram, mas o que fazer? Não havia para onde fugir.

Mas a irmã sabia que havia ainda algo a fazer. Embrulharam-se em cobertas, e saíram correndo pela porta da frente. Queimaram os pés, e suas roupas estavam ainda chamuscadas. Lá fora, o estranho aguardava. Mal pisaram do lado de fora, os estranho as levantou pelo pescoço. Seus olhos cheios de lágrimas fitavam os olhos frios do assassino. Não eram capazes de compreender o motivo daquele sorriso.

O estranhou aproveitou bem cada segundo. Olhou dentro dos olhos de cada uma. Em suas mãos, sem ter o que fazer, as crianças se debatiam, choravam, imploravam. Olhavam-no com os olhos da maior pureza do mundo, olhos que brilhavam de lágrimas e de uma beleza triste reservada às crianças que morrem por motivos idiotas nesse mundo cruel. Quando ouviu o estralo do pescoço de seu irmão, a garota soltou um berro que não pertencia à esta terra. Não era um grito de dor, não era algo humano. Era o grito da mãe que, no inverno inclemente, observa os últimos momentos de seu último filhote, que morre de fome.

E o estranho apenas sorria. Não havia prazer em sua tarefa, havia apenas a confirmação de que fazia o necessário. Jogou o corpo do garoto perto do corpo do pai, e apertou o pescoço da garota, a última sobrevivente, com as duas mãos. Ia aumentando a pressão lentamente, dando tempo para que ela soubesse o inevitável. Súbito, uma explosão em sua mente, e em seus músculos, fez com que a cabeça da garota voasse em direção ao fogo.

Estava acabado. Tendo satisfeito seu senso de dever, o assassino pegou o único transporte que ainda restava, o cavalo, e saiu galopando noite afora.

“If you give this man a ride, sweet memoryfamily will die, killer on the road, yeah.”
(The Doors, Riders on the Storm)

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