É cedo. Eu acordo com um braço ao meu redor. Um abraço macio, gostoso, quentinho… cara, como eu tava precisando de um desses. Minha mente ainda está meio embaçada do sono, mas não preciso estar acordado pra saber que estou do lado de um anjo. Do meu outro lado, o sol vem entrando pelas frestas da janela. Sem ser convidado, mas esperado como sempre, ele entra no quarto, iluminando tudo (já posso ver a bagunça da minha mesa), e ele se prende à pele dela.
Do meu lado o rosto de um anjo, dormindo. Eu posso ver um pouco melhor, até porque já estou acordado. Delicadamente, afasto o braço dela de cima de mim (oh dor), para poder levantar um pouco e vê-la melhor. Os olhos fechados, um leve sorriso no rosto. Não sei qual o sonho, mas aposto que é bom. Ela acorda o bastante pra se virar de costas pra mim e pedir uma conchinha. O despertador vai tocar a qualquer segundo, mas como eu poderia resistir? Deito-me lentamente, pra não acordar ela, passo meu braço por cima de seu corpo com cuidado pra não usar muita força, e aperto bem forte.
Adormeço. Acordo num salto com o erredois tocando. Estranhamente, agora sou eu que estou de costas pra ela e ela me abraçando. Dormi tanto tempo assim? Ela me segura, pra eu me acalmar antes de sair da cama, ou pra não sair da cama. Talvez pelos dois motivos. Eu me acalmo, faço outro esforço para levantar e dessa vez ela não me segura. Desligo o despertador, volto para a cama e, óbvio, claro, lógico, previsível, eu olho pra ela e me deito mais cinco minutos. Dessa vez não durmo, mas espero ela adormecer.
Quando vou levantar, ela se abraça em mim. Ainda querendo dormir, mas já acordada, uma expressão de saudade e desespero no rosto. Os olhos fechados mais expressivos que abertos. Eu sento na cama, dou colo, faço cafuné. Ainda tem um pouco de tempo.
Aí lembro-me do relógio, que tenho que trabalhar. Com muito esforço, me desvincilho do abraço dela (dói). Então levanto e vou ao banheiro. O dia começa.