Privacidade
A internet vai acabar com a vida privada?
Aceitem os fatos, dinossauros: comunicação via internet veio para ficar. Vocês podem reclamar o quanto quiser sobre como é impossível conhecer pessoas sem ser cara-a-cara, como não é a mesma coisa, como existem coisas faltando, e tantas outras reclamações sobre as quais vocês poderão até estar certos. E em alguns casos até estarão certos, mas não importa, a tecnologia avança, e se o melhor uso que vocês podem fazer dela é para reclamar no twitter/orkut/facebook/afins sobre como twitter/facebook/orkut/afins é ruim, então sai da frente, que eu vou me adaptando (e saindo do seu jardim).
Minha motivação é o caso da professora infantil que foi filmada dançando “Todo Enfiado”, com a “coreografia” e tudo. Foi demitida. Se tivessem demitido ela pelo gosto musical, eu entenderia. “Todo Enfiado”, por acaso isso é nome de música? Já existe a “Dança Vadia, Que Eu Quero Te Comer”? Se não existe, descobri o hit do próximo verão.
Mas divago.
Eu tenho certeza que o principal argumento foram as “más influências” que ela pode exercer sobre os seus alunos. Imaginem o horror, quando criancinhas de 5 anos começarem a se vestir como prostitutas e a dançar ao som de melodias libidinosas de forma erótica.
Se bem que isso já existe, e se chama “Rebeldes”, que, pelo que eu entendo, faz um puta sucesso, com aval dos pais. Não, não deve ter sido pelas “más influências”, em especial porque ela não fez isso em aula, não fez isso na escola, fez isso num festival de pagode (ou como quer que essas zorras se chamem), em seu tempo pessoal, e imagino que sem levar qualquer aluno junto. E teve o azar de ser filmada, e ter ido parar na internet. E aí vem várias pessoas (e, se formos pesquisar cada uma a fundo, eu imagino que vamos descobrir que várias delas fazem coisas tão “ruins” quanto ou piores, sem câmeras por perto — ou com, vai saber) chegam pra julgar.
Essa demissão me lembrou um assunto que surgiu esses tempos em uma reunião na empresa onde eu trabalho: regras de conduta em redes sociais, para qualquer um que se apresentar como funcionário da empresa. Ou seja, se eu disser o nome da empresa no twitter, de repente não posso mais defender posição como ateu, não posso falar mal de certas empresas cujas práticas e/ou produtos eu não gosto, além de ter que manter uma conduta como se estivesse o tempo inteiro no trabalho.
Mas peraí!
Não estão me pagando para isso. É o meu lazer, comoassim a empresa acha que pode determinar o que eu faço no horário no qual eles não estão me pagando? Isso é baseado em quê? Eu não sou um representante da empresa, sou adulto e responsável pelo que escrevo. Se eu escrever um livro (é, sonhe!), a empresa vai poder ditar o tema?
As empresas têm direito de exigir conduta fora do trabalho? Quais as opiniões de vocês sobre isso? GO!
