História
Quero ver a história que teus olhos contam,
com o brilho próprio dos projetores de cinema,
que me mostram tua vida,
tuas agruras e alegrias,
teus caminhos perdidos e achados e o sorriso
que só os olhos sabem dar e que se projetam
nos meus vindos dos teus
Quero ler a história que teu corpo me conta
de por onde tu andou e o que pensa e sente agora,
do quanto gosta e desgosta
e gosta do gostar
Quero ouvir as histórias que tua voz me conta,
na língua tradicional dos humanos,
e ouvir teu passado,
teu presente,
teus pensamentos e sentimentos.
Quero sentir
vindo de ti
o cheiro do seu dia,
o quanto ele te cansou e descansou,
enquanto tu descansa no meu peito
imprimindo essa história no meu nariz
juntando ela com a minha em nós dois
Quero que tua língua conte para a minha
do que eu sei que tu sente e que eu sinto,
e que é simples e belo
Não quero as histórias do futuro
As do passado só quero para te conhecer
A do presente, vamos escrever,
E quero todas as nossas histórias juntas
naquele momento onde contamos
um ao outro,
por onde andamos,
com todos os sentidos.
O sentido é nosso para criar.
—
Da série “Poesia em cinco minutos”.
Espero não achar ruim amanhã de manhã. Culpem Nando Reis. “O sono é a poesia com um texto tátil”. Santa Maria. Ouçam.
