Fedora 10
Bom, agora que o computador tá funcionando de novo, os backups foram restaurados e o ciclo de reinstalações terminou, posso falar sobre a experiência com o Fedora 10 (F10) até agora.
A Instalação
A instalação foi problemática. Baixei o LiveCD do Fedora com KDE como gerenciador de janelas padrão, e ele não bootava, acusava imagem defeituosa. Bom, deixei pra lá, já que também tinha o DVD padrão.
Bootei pelo DVD, optei por atualizar, tudo aconteceu tranquilamente. Até a instalação do meu E156 da Vivo aconteceu sem maiores incidentes, e fui atualizar o sistema. Depois de baixar mais de um giga de atualizações, o mesmo problema de sempre: conflito de pacotes. Provando que não se deve brincar com dependências quando estamos com sono, eu acabei desinstalando boa parte do sistema, incluindo o yum. Sem chance de restaurar o sistema, ou com preguiça de todo o esforço que teria, resolvi instalar do zero mesmo. Um bom plano, exceto pelo inesperado: a instalação do zero deixou de fora alguns elementos que eu considero essenciais, e que eu não tinha saco pra procurar nos repositórios, tais quais o configurador de tela. É muito irritante usar 800x600 em uma tela de 17″ LCD. Minha solução: instalar o F8, atualizar pro F10. Pouco prático, eu sei, mas já me permitiu fazer algumas customizações no F8 e, por exemplo, já entrei no F10 com os drivers vesa, que me permitem agradáveis 1280x1024
Se me permitem reclamar um pouco, eu não entendo por que conflitoes de pacotes sempre acontecem em instalações em sistemas 64bits, e por que sempre com pacotes i386, e como esse tipo de coisa ainda não foi solucionada. É um problema simples de resolver, é verdade, basta remover os pacotes com conflito e mandar atualizar normalmente, mas cara, é chato, e não deveria ser necessário.
Instalado e funcionando, descubro que o driver da nvidia não funciona com a versão mais recente do kernel. O sistema simplesmente não termina o boot, não há feedback visual, e eu fiquei trancado do lado de fora. E mais: o grub, por algum motivo, não aparece, indo direto pra tela de inicialização. Ou seja, não havia como usar o sistema. Minha solução: acessar um shell pelo DVD de instalação, editar o grub.conf da minha instalação pra alterar o kernel usado. Como eu só tinha instalado o módulo pro kernel 2.6.27.9-159, e não pro 2.6.27.5-117, eu não tive problemas em usar o kernel antigo e desinstalar os pacotes. Problema resolvido, continuamos. Mas estou esperando uma nova versão do kernel pra tentar de novo.
Outro recurso complicado de instalar foi o flash. Não que eu esperava que fosse simples, porque instalar algo proprietário (vide os drivers da NVidia) nunca é. Felizmente, a solução é simples. Foi preciso apenas instalar o repositório da Adobe, com o comando:
$ su
# rpm -ivvh flash-plugin-10.0.15.3-release.i386.rpm
# yum install flash-plugin nspluginwrapper.x86_64 /
nspluginwrapper.i386 alsa-plugins-pulseaudio.i386 /
libcurl.i386
O yum pode retornar um aviso de que um ou mais desses pacotes já estão instalados. Bom sinal, nada pra se preocupar. Fazendo isso, agora o plugin do Flash está funcionando certinho por aqui.
Apesar desses pequenos problemas (3, e só um não-solucionado), ainda foi mais tranquilo que reinstalar o Windows. Não tive as dezenas de boots, chaves de ativação, e todo o esquema “um reboot por programa”. E não tive que sair desativando vários serviços. Não foi simples, mas é uma grande evolução. Pelo menos eu acho.
O Sistema
Estou usando há pouco tempo, portanto todas as opiniões são bem superficiais. Meu gerenciador de janelas favorito é o KDE, e infelizmente o Fedora é uma distribuição centrada no GNOME. Tudo bem, também me viro bem no GNOME (apesar de achar pouco prático), e o pouco que usei, achei bom. A nova versão do GNOME não apresentou nenhuma evolução, em relação à anterior, mas isso era previsível. O KDE, por outro lado, é uma história bem diferente.
Eu estava usando o KDE 3.5 antes. Li várias reviews do KDE 4.0, e passei bem longe de instalá-lo, apesar de ler sobre as novidades e de estar esperando por elas há bastante tempo. Estou agora usando o KDE 4.1.3, e bastante satisfeito. O sistema já está usável, embora um pouco instável. Já sei que não devo abusar do Plasma, apesar de que ele se recupera muito bem. Fora isso, não tive problema nenhum. Não estou usando compositing porque estou só com os drivers vesa, que não me dão grande confiança. O sistema está mais bonito, todas as interfaces foram alteradas, e até os jogos tiveram a aparência incrementada, com gráficos bem melhores, vetoriais. De repente jogar Shisen-sho ficou mais divertido.
O Dolphin é um programa que estava fazendo MUITA falta no KDE 3.5. Ele supera e muito o Konqueror como gerenciador de arquivos. Possui favoritos, possibilidade de dividir a tela em duas para acessar pastas diferentes, preview ágil de figuras (miniaturas e um preview um pouco maior no canto). Outra grata surpresa foi o Okular, um visualizador de documentos novo que é muito bom, leve, rápido, e tem um bom suporte pra arquivos .cbz e .cbr, que eu tenho vários.
O KDE tem também agora duas formas diferentes de menu, a clássica e uma nova, diferente, com barra de busca, programas favoritos, abas na parte de baixo e onde cada nível de menu aparece no lugar do nível anterior. Não gostei, prefiro o menu antigo.
Uma coisa que fez falta é um dock, como o do OSX, que eu já usava no KDE 3.5, e pro qual ainda não há substituto nos repositórios ou nos plasmoids. Claro, não fiquei sem, eu simplesmente coloquei um painel só com atalhos pros programas que eu mais uso na parte de baixo da tela e fiz com que ele se auto-escondesse. Não é o kooldock mas quebra bem o galho.
As configurações do sistema também estão diferentes, o programa parece menos poderoso que o anterior. Menos funções. Isso realmente me desagradou, me senti tentando customizar o GNOME. Poucas opções.
Outra coisa faltando, mas de fácil solução: o kdesu. Quem conhece sabe, é um programa pra abrir aplicativos em modo gráfico como superusuário. Muito útil pra procurar e alterar arquivos de configuração. Pra esse a solução foi bem simples. Procurei o kdesu com o locate e descobri que ele foi movido para o diretório /usr/libexec/kde4/, então o próximo passo era lógico:
$ su -c ‘ln -s /usr/libexec/kde4/kdesu /usr/bin/kdesu’
Outro detalhe importante: o projeto Fedora honra o compromisso de software livre 100% legal, e isso é bom. Infelizmente, isso também significa que certas coisas, como suporte à MP3, ficam de fora. Felizmente, é bastante simples permitir que nós possamos ouvir nossas músicas de novo: basta instalar o RPM Fusion.
$ su -c ‘rpm -Uvh http://download1.rpmfusion.org/free/fedora/rpmfusion-free-release-stable.noarch.rpm http://download1.rpmfusion.org/nonfree/fedora/rpmfusion-nonfree-release-stable.noarch.rpm’
Uma vez instalado, procure pacotes que possuam, em seu
Para tocar DVDs, é necessário outro repositório, o livna. Esse repositório possui apenas um pacote, o libdvdcss. Informação interessante, aos que não sabem, esse pacote instala uma biblioteca que permite decodificar os DVDs que você compra, superando as limitações artificialmente inseridas pelos fabricantes. O livna só existe para hospedar o libdvdcss, que é ilegal em alguns lugares (até onde eu sei, não no Brasil).
O que isso quer dizer? Que o DVD que você compra vem com uma falha que foi colocada lá de propósito, que impede que ele seja reproduzido sem autorização do fornecedor. Claro, eles dizem “fazemos isso por causa dos piratas”, mas eu simplesmente não consigo comprar essa idéia. Outro dia escrevo mais sobre o assunto. De qualquer forma, para instalar essa utilíssima biblioteca, apenas rode os seguintes comandos:
$ su -c “rpm -ivh http://rpm.livna.org/livna-release.rpm”
$ su -c “yum install libdvdcss”
Agora você pode executar seus DVDs, sejam os que você copiou, sejam os que você comprou.
Conclusão
Eu estou bastante satisfeito com o KDE4. Acho que o projeto tem que amadurecer um pouco ainda, e discordo de algumas das mudanças, mas não é nada crítico. O sistema está mais bonito e mais rápido (nota-se uma diferença na velocidade de boot). Apesar dos pesares (e são poucos, eu que me detive demais neles), o pessoal do projeto Fedora merece um tapinha nas costas. Essa é a distribuição que eu recomendaria.
P.S.: Sei que não me aprofundei tanto quanto poderia, mas optei por fazer um post que vocês possam ler sem ter que fazer pausa para ir ao banheiro. Desculpem-me, os desagradados.


er…
o.O
Comment por Lou — January 3, 2009 @ 10:37 pm