November 25, 2008

 Music Magick 

Escrito no bar opinião, perto da meia noite, sentado em uma cadeira de metal barulhenta e com o pé apoiado em outra.

E tem quem diz que eu sou ateu. Caramba, até eu digo isso, mas é uma puta bobagem, pois eu sou fiel, devoto, seguidor e pregadora da igreja da música. Pulando, berrando e dando 100% de uma garganta que não tem nem 80% pra dar que eu me junto ao universo, percebo a matéria não-matéria que une tudo e separa aquilo que é daquilo que também é, e é onde eu me torno um daqueles que é mais.

Auto-flagelo minha garganta com berros e urros, pagando pelo pecado do meu silêncio. Pisando em pés, tendo meus pés pisados, empurrando e sendo empurrado, pulando com meus irmãos e irmãs eu sou parte de tudo. Sou a nota, ainda que seja desafinado. Sou a canção, ainda que não tenha ritmo. Sou ritmo enquanto moldo o pequeno espaço que ocupo, que se fosse maior não seria melhor usado.

Sou coletivo e sou indivíduo, tudo em uma coisa só.

Pensando bem, talvez eu deva parar de escrever chapado. Mesmo que seja chapado de música.

November 24, 2008

 MeNaEsRo 

Conversando com o Cafetron sobre o NaNoWriMo via twitter, de repente me surgiu uma idéia maluca, que pode ser muito legal: o MeNaEsRo, Mês Nacional de Escrever um Romance.

Óbvio, “romance” não são aqueles livretos água com açúcar, são livros mesmo. Tema livre, mesmo, você pega e escreve o que quiser. Caramba, não precisa nem fazer muito sentido, só precisa escrever mesmo. Faça uma história absurda sobre uma vagem mutante maníaca que deseja livrar o mundo dos vegetarianos, e no processo se transforma em um ser humano e aprende como é dura a vida de um ser humano e se apaixona por uma mulher e ambos acabam tendo filhos que nascem verdes. Escreva sobre a vida das abelhas. Escreva sobre a vida da sua bisavó, que criou cinco filhos durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto seu bisavô estava no bar enchendo a cara de dia e em casa enchendo todos de porrada de noite. Ou, melhor ainda, escrevam sobre ornitorrincos.

Por enquanto eu tenho a idéia em linhas gerais, mais ou menos assim:

  1. Baseado em uma página de 40 linhas, escrever algo na ordem de 40k-50k linhas (entre 100-150 páginas), com uma fonte específica de tamanho predeterminado.
  2. Sem premiações. Só participar pelo prazer do desafio, mesmo, como nos moldes do original. E sem restrições, só que seja um romance mesmo!
  3. Meu único motivo pra realmente achar essa idéia boa: novembro é um mês fudido. No Brasil nós temos festas, faculdade, trabalho, escola, um monte de coisas que realmente atrapalham a idéia de se dedicar à escrita. Minha idéia inicial seria pegar o começo do ano, ou seja, Março, como mês oficial.
  4. OK, eu sei que o item 3 aumentaria em um dia o prazo, mas cara, no projeto original, um autor tem 30 dias para escrever 50.000 palavras (uma métrica que eu acho estranha, pelo menos), o que dá 50000/30 =~ 1667 palavras por dia. Se fossem 31 dias, a média baixaria para 1613. Não acho que cinquenta palavras sejam uma quantidade significativa, a não ser que o participante não tenha idéia de como continuar, e aí sempre tem o ano seguinte (se vingar).

Só pensei nisso por enquanto, mas ainda vou olhar essa idéia com mais carinho. O que vai ser realmente necessário pra botar ela pra funcionar é: Um nome melhor, porque, fala sério, MeNaEsRo é péssimo. Minha desculpa pra ele é que eu não parei pra pensar no nome. Divulgação e acho que isso não vai ser problema. Um logo, pra garantir reconhecimento. Participantes, e isso provavelmente vai ser fraco, ao menos no começo. Eu não esperaria mais de 50 pessoas no primeiro ano, sendo otimista. Mas uma coisa que poderia ajudar nisso é renome, algo que eu não tenho (e nem quero). Quem dos blogueiros grandões será que apoiaria essa idéia? Será que eu consigo ajuda do Interney?

E aí? Será que estou exagerando, a idéia é idiota, e eu devia esperar acabar a faculdade pra entrar em algo assim? Será que é uma boa idéia? Será que eu esqueci algum detalhe? Será que eu bebi extrato de sapos coloridos e estou viajando? Será que vocês querem esse chá que eu estou tomando agora? Opiniões. Eu sei que tem gente lendo essa coisa! Hora de espancar esses teclados!

November 20, 2008

 Crítico 

“Tu é muito crítico.”

Isso é algo que uma amiga disse, esses tempos, quando a gente estava num grupo discutindo sobre algo (provavelmente TV, mas não me lembro), no Cavanhas, alta madrugada, depois de um fantástico episódio onde eu escapei por pouco de ficar com o cabelo vomitado.
Mas essa é outra história.

Eu lembro que eu estava falando empolgado sobre alguma coisa, e ela me vira e disse. O choque só me atingiu bem depois… “peraí, como assim, EU sou muito crítico? Será que sou mesmo?”.
Claro, eu sou, e sei que sou, mas a pergunta surgiu por outro motivo: cara, e quanto aos outros, que não são críticos? Quero dizer, eu estou cansado de ver gente que ouve música que não gosta, assiste programas que não vê, faz as coisas sem saber o motivo, e nem ao menos pensam nisso. Obviamente ela não pensou nisso, ou não é comigo que ela ficaria surpresa.
Porque, na boa, eu me choquei por muito tempo com gente assim. Hoje em dia, só acontece com casos extremos. Dos outros, já é meio que esperado (e já cometi algumas injustiças por causa disso :-( ).

Eu não sei ser assim. Ou não sei mais ser assim. Eu sou absolutamente incapaz de olhar pra uma letra e não pensar “cara, que merda” ou “cara, que coisa mais incrivelmente totalmente fantástica!”. Eu não funciono assim, e me surpreenderia se você funcionasse. Todos emitimos julgamentos, é normal. São diferentes, é verdade. Você vê um toxicômano (”drogado”, para os que não se preocupam com bobagens politicamente corretas) e vê o quê?
Não interessa. Pelo menos, não agora. O que interessa é que você pensa algo. E são altas as chances de que você, pense o que pensar, tenha vergonha de se expressar. E, se for o caso, não se sinta mal (mas não fique igual), é o que se ensina hoje em dia.

Porque hoje em dia pessoas mentem que não julgam (boa sorte tem tentar me convencer que você REALMENTE não julga). Julgar é feio, errado, chato e causa cáries. Claro, é uma prova de que você pensa, e pensa criticamente, sobre algo, e todos sabemos como pensar é feio. Você não demonstra que pensa sobre algo porque sua opinião pode potencialmente ofender alguém. E isso seria um grande pecado, não? Pior que ofender, a outra pessoa pode discordar de você, o que seria terrível. Nesse caso, você teria duas opções:
ser o cabeça-dura provocando uma discussão “tentando ter razão” (como se ter razão fosse algo decidido em uma discussão (é algo que se descobre, não que se decide. São duas coisas MUITO diferentes)),
ou aceitar, dizer que a outra pessoa tem razão, baixar a cabeça e evitar maiores confrontos. Cada um tem direito à sua opinião, certo? Certo. E discutir essa opinião seria negá-lo, certo? Errado.

Não é crime questionar alguém.
Questionar outra pessoa não é errado.
É mentira afirmar que é ruim iniciar uma discussão que possa levar alguma das pessoas a descobrir que está errado.
Existe uma multidão de pessoas lá fora que se forçam a não questionar. A não criticar. Mas, gente, criticar é preciso. Criticar e-mails que você recebe, notícias que você lê, músicas que você ouve, coisas que as pessoas dizem, as pessoas que dizem essas coisas. É inevitável, isso se chama pensar, e eu gosto muito. As vezes dói, as vezes incomoda, as vezes cansa, mas é bom. Te dá uma apreciação maior sobre o mundo. Te dá um mundo maior pra apreciar.

Sem contar que você não passa vergonhas como se dizer feminista e gostar de funk, ou ser o cara que discorda de absolutamente tudo o que ouve, ou ser o cara que concorda com absolutamente tudo o que houve, ou ser o babaca escroto sem auto-crítica que fica criticando quase tudo e não se importa com o sentimento das pobres pessoas que discordam de você.
Uma dessas frases foi irônica. Espero não ter que especificar qual.

Então parem de dizer que eu sou crítico demais. Perguntem-se por que vocês não são tanto. Adoraria saber as respostas pra isso.

P.S.: Só pra deixar o óbvio explícito: Estou falando de crítica construtiva. Saiba seus motivos.

November 15, 2008

 MAX POSTAR! 

Esses dias eu terminei de assistir uma série chamada “Sexy Voice and Robo”, escrita por Iou Kuroda. A trama é muito bizarra. Uma guria de 14 que consegue imitar qualquer voz que já tenha ouvido (e que tem ouvidos muito potentes), um dia conhece um otaku (fã de animes de robôs, de onde vem seu apelido, “Robo”) (que está na casa dos 20 anos e tem a maior coleção de bonecos que eu já vi) e os dois conhecem um homem chamado Mikkabouzo (em japonês, “aquele que não consegue lembrar de nada), um homem que esquece tudo o que sabia a cada três dias, e por isso carrega uma espécie de diário e vários objetos pra não esquecer o que já fez, o que pensa e por onde já esteve. A dupla impede que Mikkabouzo mate uma mulher, e acabam se tornando uma espécie de “agentes secretos”, sob serviço daquela mulher.

Eu falei, a trama é bizarra. Mas muito bem escrito. Não tem grandes cenas de ação, violência ou afins, a história é toda na trama, nos diálogos e no apelo emocional dos protagonistas. Niko, a guria, que é o cérebro da dupla, e Robo, o ajudante trapalhão, que deve ser um dos personagens mais legais que eu já vi, com sua mania de sair gritando frases que começam com “MAX”, como seu personagem favorito, o Max Robo. Por exemplo, quando ele sai correndo, ele berra “MAX CORRIDA!”. Para atacar, “MAX ATAQUE!”. Para passar a raiva, “Bateren Renkon Tomato MAX!”.
Por sinal, se vocês me virem falando “MAX ALGUMACOISA”, é porque, estejam avisados, fazer isso vicia.

E, no primeiro episódio, aparece um poema que provavelmente foi escrito pelo Iou Kuroda (o autor do poema seria uma pessoa chamada Sanrou Kuroda), que é assim:

Você olha para um amanhã incerto
O dia depois de amanhã
Dez anos no futuro
Na forma das camisas que você descartou
Na forma das sobras de pão
Sua humilde casa que você ainda não construiu
Deixe que seu pequeno sonho permaneça um sonho
Dentro de você, como está agora
Suspenso lá, e difícil de ver
Enquanto desaparece… durante… conforme você desmorona

Eu acho um pouco engraçado essa forma de escrever. O poema é triste, cara, muito triste. É sobre você olhar pra trás e ver que não está nada feliz com a sua vida. Por outro lado, tem uma coisa meio positiva nisso, o amanhã é incerto, ainda não aconteceu. Não precisa ser assim. É uma coisa meio blues, eu leio e fico triste, feliz e nenhum dos dois, ao mesmo tempo. É divertido.

Tem um mangá também, que eu ainda não li, mas lerei. Enquanto isso, se tiverem a chance, assistam. Eu só tenho uma versão com legendas em inglês.

Agora, MAX ATAQUE A GELADEIRA!

November 14, 2008

 Chuva 

Alguém aí fez a sua lição de história? Eu não vou explicar isso não, hein!

November 13, 2008

 Refrão 

Era só um sonho. Ele sabia que sim. Sonho, e do tipo que não costuma se realizar.

O nerd magrelo e espinhento da escola, sonhava com a princesinha da turma. Clássica história de filmes, o desajeitado que conquistava a rainha do baile. Claro, ele não era um cara bonito que não sabia se cuidar. Era feio, muito feio. Sua mãe elogiava qualquer coisa sobre ele, mas não sua aparência. Só sua inteligência, mas isso não lhe era bom o bastante.
(coitado, mal sabia que se elogiassem só sua aparência ele também não seria feliz. Se elogiassem ambos, ele ainda acharia outro motivo pra insatisfação. De certas coisas não fugimos)

Estava sentado na sala de aula, matemática, chatíssima, enquanto a professora tentava ensinar aos primatas ao seu redor por que era aceitável utilizar área e altura para calcular o volume de um polígono regular, ele rabiscava seu caderno com um olhar ao mesmo tempo concentrado e perdido. Uma de suas espinhas estoura espontaneamente, e ele nem nota. A colega de seu lado passa mal, mas quem liga?
A figura se parecia cada vez mais com uma pessoa. A pessoa, óbvio. Ele não sabia, mas desenhava muito bem.

Toca o sinal, aquela desgraça barulhenta, e acaba a aula. O professor abandona a sala deprimido, notou que seus alunos eram exatamente isso: a luminis, seres realmente sem luz. Pessoas iam ao bebedor, iam ao banheiro. Uma voz elogia o desenho que agora cobre metade da página do caderno virado. E, óbvio, era A voz. Vermelhidão vergonha oh cara o que eu digo meu deus ela tá realmente falando comigo e acho que gostou do desenho e oh cara o que eu falo agora.
Óbvio, ele não falou.
Não óbvio, ela não desistiu.
Ela perguntou se era assim mesmo. Ele não conseguiu responder, mas balançou a cabeça. Não tinha certeza, mas achava que tinha balançado de forma afirmativa. A expressão dela colaborava com essa impressão. Por algum milagre da semiótica, marcaram de se ver de tarde (oh cara o que aconteceu com o mundo o que isso tá acontecendo mesmo oh cara como assim oh cara).

De tarde, ela confessa que ficou toda derretida ao ver o desenho, que nunca tinham feito algo tão lindo, que ela não acreditava que alguém realmente a enxergava daquela forma. Ele não acreditava que estava ouvindo aquilo da musa do colégio. Oh cara. Beijaram-se. Iniciativa dele, por mais bizarro que pareça.
Acordou.

Era só um sonho. Ele sabia que sim. Sonho, e do tipo que não costuma se realizar.

November 8, 2008

 Ornitorrinco 2 

“Eu não acredito em finais felizes”, disse o pombo.
Não que ele tivesse muitos motivos pra dizer isso. Ele já teve finais felizes antes, embora tivesse continuado.

Pensando bem, vamos do começo.
Existia esse pombo, realmente estúpido. Veja, ele vivia entre humanos, em um criadouro, uma vida gorda e feliz. Claro, ele não podia sair por onde quisesse, mas poderia ficar ali quanto tempo quisesse. Tinha algum espaço dentro de sua casinha, onde podia ter o básico, e todo dia, várias vezes, vinha uma pessoa alimentá-lo. Os outros pombos pareciam satisfeitos com aquilo, e gabavam-se de como eram sortudos. Muitos invejavam suas vidas, todos a queriam, mas só eles tinham. Ao menos, que soubessem.
Menos nosso amigo pombo. Ele gostava, adorava aquela vida, é verdade, tinha muitas vantagens. Delícias, uma cama confortável, a companhia constante. Na verdade, o único ruim era a constante lembrança dada pelo teto e pelas janelas e pela porta fechada que se abria na hora de comer que ele estava preso ali. Havia algo lá fora, algo de que ele teria que desistir para viver do lado de fora.
E foi o que ele fez. Ele sofreu por fazer isso, sentiu-se traindo uma parte de si mesmo (especificamente, seu estômago), mas não podia evitá-lo. Claro, ele sentia falta, em especial quando vinha a fome, mas aprendeu a lidar, e com o tempo entendeu que era um preço. Estava vivendo livre, e isso não saía de graça.

Tempos depois, estava vivendo algo diferente. Tinha outra casinha, agora em um parque. Raros eram os dias em que não comia, pois dessa vez não apenas um, mas vários humanos apareciam para dar a ele e aos outros comida. E não haviam paredes, janelas, tetos ou portas. Ele voava para onde queria, por quanto tempo queria, e era certo de ter comida e uma casa confortável quando chegasse.
E mesmo isso, logo, não era o bastante. E dessa vez não era uma necessidade que ele conseguia identificar, apenas uma que existia. E novamente ele voou para longe.

Mas dessa vez, ele não achou o que procurava. Na verdade, achou pouco e insuficiente. Uma bicada ali, e outra aqui, e nunca o suficiente para que ele se sentisse satisfeito na parte que protestava desde o começo.
Certo dia, fatigado, parou para descansar. E topou com uma coruja, sendo “topou” o verbo certo. Ele havia derrubado a coitada da árvore onde dormia. Sendo a coruja um ser paciente, ouviu a história do pombo. Quando ele terminou, e após pensar um pouco, a coruja disse o seguinte:
“Seu tolo! Cresça e seja alguém melhor. Você tem olhos, tem pernas e têm asas. Nada lhe falta, exceto saber usá-los. Seus olhos são fracos, enxergam apenas o ruim e ignoram todo o resto. Suas pernas mal lhe dão sustenação, e deixam-no dependente de suas asas. E o dependente é, por essência, limitado. Aprenda a andar com suas próprias pernas, enxergar todos os lados, e exercite suas asas, mas saiba descansar.”

“Entendi, mamãe. Então a moral da história é que devemos saber quando estamos confortáveis, e aí parar de voar, certo?”, disse uma pequena massa rósea, do fundo da toca.
“Não, seu burro. A moral da história é que não importa o quanto ele procure, ele nunca vai ficar satisfeito. Nada é bom o bastante para quem não pára de procurar”, disse outro filhote de ornitorrinco.
“Errado vocês dois. A fábula é sobre o eterno conflito da vontade de mudar contra a vontade de permanecermos os mesmos. Todos os seres sentem conforto em situações em que têm seus desejos, ou uma quantidade razoável deles, atendidos. Porém, quando há consciência, também há imaginação, e surge a dúvida ‘há algo melhor?’. Essa dúvida é a transiostase, a vontade de mudar a situação atual, que conflita com a homeostase, o hábito e a rotina e seus confortos. É uma história que define muito bem os inconvenientes da consciência” disse um terceiro, intelectual.
“Mamãe, qual é a moral da história?” perguntou uma filhote, a última a sair de seu ovo.
“A moral é aquela que vocês entenderem. A vida não traz lições prontas, apenas as histórias. Agora deixem de conversar e vão dormir.”

November 4, 2008

 Mais morte 

Navegar é preciso. Hoje eu estava com vontade de fazer algo diferente, e fui ao Guaíba. Pulei na água e saí correndo. O lago é um lugar perigoso, tem jet skis de gente que não se importa com a merda e o lixo na água. E essa gente nunca olha por onde anda até ser tarde demais. Conheço muita gente assim fora do lago também.

No meio do caminho, quase como se fizesse sentido, encontro ela. A minha gótica favorita, a Morte. Não entendo como esses encontros acontecem, mas qualquer hora vira compromisso.

“Dando uma volta?”, ela me pergunta, com aquele sorriso meio que olhando pro canto. Cara, se algum dia eu achar uma mulher que consiga imitar esse sorriso perfeitamente eu juro que eu caso.
“É. Cabeça cheia. Pensei que brincar do truque da provação podia, sei lá. Alguma coisa. Enfim.”
“E por que você me procurou?”
“Procurar? Eu não procurei ninguém.”
“É, você nunca procura mesmo. Seu problema é que a gente sempre te acha.”
“Problema?”
“É. Não minta, você sabe que pra mim não adianta.”
“Teoria da represa, conhece? Ah, desculpa, pergunta idiota. Claro que tu conhece. Mas vou falar mesmo assim. Quando rompe, não tem volta. Existia um monte de água que se solta. Não que eu seja a represa. É todo o resto.”
“E pra pensar nisso você vem pra água?”
“Ué, me parece apropriado. Bom, fora esse cheiro.”
“Você não gosta? Acho que eu também não, mas é tão legal sentir cheiros que eu mal noto. Mas o problema é unidade, né?”
Sempre direta. Não sei se gosto quando uma pessoa enxerga tão através de mim assim, mas acho que com ela não dá pra ser muito diferente…
“É. Tou com essa idéia faz tempo, mas como eu parto pra prática.”
“Partindo.”

Acordei sentado à beira do Guaíba, com meus pés na água.
Lembrei do Castle. Vai e pronto.

Vai e pronto.

Falta de idéia é foda =P

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