August 29, 2008

 As Incríveis Aventuras do Homem que Perdeu Um Pedaço de Si 

Hoje eu acordei estranho. Acordei com o cabelo todo bagunçado, um gosto terrível na boca, até aí, normal. Senti uma coceira no peito, e quando fui coçar doeu. E caralho, como doeu. E o motivo era bem estranho: tinha um buraco enorme no meu peito. Aberto.

Minha reação foi a mais razoável possível, dentro da situação: corri desesperado para o telefone. “Alô, mamãe, socorro! Eu estou com um buraco horrível no peito!”. Mas tudo que eu ouvi foi os mesmos papos de “Calma, filho, eu sei que foi difícil, mas vai passar. Você vai conhecer alguém melhor”.

Como primeira ajuda não deu certo, eu saí correndo. No elevador topei com um vizinho que ficou olhando o buraco no meu peito. Eu devia ter saído usando mais do que só a calça. O sujeito não parava de encarar.
“Cara… aí não deveria ter, tipo… carne? Pulmões? Coração?”
“Acho que sim, né?”, respondi o mais sarcasticamente possível.
“Mas cara… sem essas coisas você não vai, tipo, pegar no breu?”
“Pegar no breu?”
“É. Tipo, morrer.”
Pensei em uma resposta, mas de repente fui atingido por um ataque fulminante de lógica, e caí morto.

E cara, não acredito que minhas últimas palavras foram “pegar no breu”. Que idiotice.

August 22, 2008

 Piada à Vista! 

Antes de tudo, gostaria de pedir desculpas por todos os links estarem em inglês. Não conheço uma fonte de informações confiável em português que tenha as informações que eu precisava.

A Microsoft alistou Jerry Seinfeld para sua campanha milionária para melhorar a imagem do Vista.

Vocês talvez não vejam tanta graça quanto eu nessa notícia, então permitam-me oferecer outra chance de apreciar melhor a idéia: um comediante (um dos grandes mestres do stand-up comedy) foi contratado para fazer propaganda de uma piada. E não qualquer piada. Estamos falando daquele que é possivelmente um dos maiores fracassos da Microsoft desde o Windows Millenium, tanto do ponto de vista (tu-dum-psh!) técnico quanto do ponto de vista (tu-dum-psh!) comercial.

Sobre o Seinfeld, pra quem não conhece: o cara é um dos grandes nomes do stand-up estadunidense. E foi o criador e astro de uma das possivelmente mais famosas, reconhecíveis e saudosas (e, obviamente, a melhor de todas) sitcoms estadunidenses de todas. A auto-intitulada “melhor série sobre nada” era engraçadíssimo. Durante boa parte da vida do programa, as histórias dos personagens eram intercaladas com trechos de apresentações do Jerry que tinham (ou não) a ver com a trama. E o ato dele é baseado no cotidiano, comentando coisas como aeroportos, salas de espera, mulheres, homens, supermercados… acho que virtualmente qualquer coisa poderia ser material nas mãos dele.

O que nos leva ao Vista. Nomeado pela PC World como a segunda maior decepção tecnológica de 2007, o Windows Vista é o primeiro sistema operacional do qual eu ouvi falar que é tão bom que fabricantes de computadores mandam CDs para realizar o downgrade (ou seria upgrade?) do Windows Vista para o Windows XP. De fato, segundo a HP, a esmagadora maioria dos compradores querem o XP.

Mas o Vista é tão ruim assim? Bom, eu não sei, mas acho que a Microsoft diria que sim. Sabe, eles estenderam o prazo de vida do XP (por pressão de fabricantes e usuários), e já se adiantaram para a próxima versão do sistema operacional, atualmente chamado de Windows 7. Cara, aparentemente houve uma petição no estilo “Salvem o XP”. Isso mesmo, o sistema é uma espécie ameaçada, pelo jeito. Obviamente, a Microsoft nega a existência de tal petição. A coisa é tão ruim que até o Steve Ballmer (CEO, dançarino e arremessador de cadeiras oficial da Microsoft) já declarou à imprensa que “o Vista é um trabalho em progresso”.
Para vocês terem noção do nível da falcatrua, houve um processo contra a Microsoft pela campanha “Vista Capable”, que consistia em um selo dizendo que computadores estavam aptos a rodar o Windows Vista. Porém, entretudo, todavia, no entanto, há-se de ler as letras miúdas: rodar o Windows Vista. Só. Sem coisas como a interface Aero, que é uma das melhores coisas do sistema, e uma das mais pesadas. Para rodar os “extras” do sistema, o consumidor teria que comprar uma máquina “mais apta” do que a que estava levando. E o melhor: e-mails internos que vazaram (link para PDF) mostram que a microsoft sabia que essa campanha era má idéia.

Eu não usei muito o Vista; abandonei o mundo Windows já faz algum tempo, e não tenho arrependimentos (o número de reboots na minha máquina diminuiu consideravelmente). Usei no laptop do meu pai, no curto período em que ele manteve o sistema por ali (é, papai engrossou as estatísticas de pessoas que fizeram o upgradedowngrade). Fui tentar tornar o menu Iniciar mais usável para ele, e cara, não acreditei que eu precisava autorizar o sistema a deletar um ícone do menu iniciar. THIS IS MADNESS! Eu sei que a função é desativável, e tenho certeza que não é um procedimento complicado, mas pessoas que afirmam isso estão perdendo de vista (tu-dum-psh!).
Outras críticas sobre as quais eu li, mas não experimentei em primeira mão, são a integração com sistema de manutenção de “direitos” digitais (DRM)(leia-se “ferramenta facilitadora de monopólio”), tremenda quebra de compatibilidade com hardware antigo, lentidões gerais (não usei o computador tempo o bastante pra conferir isso de perto) e, apesar das alegações de segurança melhorada, essas medidas poderiam ser facilmente ultrapassadas.

Tá, acho que já deu pra entenderem por que eu considero o Vista uma piada. Claro, existem várias pessoas que com certeza não viram problema algum no Vista. Ou então, de tão acostumadas, ignoraram completamente os que encontraram e declararam o sistema como não tendo nenhum problema. No entanto, você não ouve falar muito dessas pessoas. Pra mim, isso encerra o caso.

Agora voltemos à cena inicial: A Microsoft está gastando 300 milhões numa campanha para melhorar a imagem do Windows Vista, e pra isso, entre outras medidas, pagaram 10 milhões para um comediante falar bem do sistema.
Se eu fosse o Seinfeld, começaria o ato mais ou menos assim:
“E aí, que tal essa campanha da Microsoft pra melhorar a imagem do Vista? Quero dizer, eles estao gastando 300 milhões para melhorar a imagem do produto mas, para mim, se você tem que gastar 300 milhões só para tentar fazer com que as pessoas acreditem quando você fala ‘meu produto não é uma droga’ me parece o melhor jeito de acabar com seu ponto de vista (tu-dum-psh) logo de cara. E por que contratar um comediante? Quero dizer, eu não sei nada de computadores. Minha maior experiência pública com computadores foi com o computador que tinha no cenário de Seinfeld, e ele era um Apple. O que eu posso falar para vocês de bom sobre o sistema? Acho que teriam mais sucesso chamando um lixeiro, ao menos ficaria dentro do mesmo tema.”

Mal posso esperar para ver o que vai sair dessa campanha.

August 21, 2008

_   Diarinho

 Manhã 

É cedo. Eu acordo com um braço ao meu redor. Um abraço macio, gostoso, quentinho… cara, como eu tava precisando de um desses. Minha mente ainda está meio embaçada do sono, mas não preciso estar acordado pra saber que estou do lado de um anjo. Do meu outro lado, o sol vem entrando pelas frestas da janela. Sem ser convidado, mas esperado como sempre, ele entra no quarto, iluminando tudo (já posso ver a bagunça da minha mesa), e ele se prende à pele dela.

Do meu lado o rosto de um anjo, dormindo. Eu posso ver um pouco melhor, até porque já estou acordado. Delicadamente, afasto o braço dela de cima de mim (oh dor), para poder levantar um pouco e vê-la melhor. Os olhos fechados, um leve sorriso no rosto. Não sei qual o sonho, mas aposto que é bom. Ela acorda o bastante pra se virar de costas pra mim e pedir uma conchinha. O despertador vai tocar a qualquer segundo, mas como eu poderia resistir? Deito-me lentamente, pra não acordar ela, passo meu braço por cima de seu corpo com cuidado pra não usar muita força, e aperto bem forte.

Adormeço. Acordo num salto com o erredois tocando. Estranhamente, agora sou eu que estou de costas pra ela e ela me abraçando. Dormi tanto tempo assim? Ela me segura, pra eu me acalmar antes de sair da cama, ou pra não sair da cama. Talvez pelos dois motivos. Eu me acalmo, faço outro esforço para levantar e dessa vez ela não me segura. Desligo o despertador, volto para a cama e, óbvio, claro, lógico, previsível, eu olho pra ela e me deito mais cinco minutos. Dessa vez não durmo, mas espero ela adormecer.

Quando vou levantar, ela se abraça em mim. Ainda querendo dormir, mas já acordada, uma expressão de saudade e desespero no rosto. Os olhos fechados mais expressivos que abertos. Eu sento na cama, dou colo, faço cafuné. Ainda tem um pouco de tempo.

Aí lembro-me do relógio, que tenho que trabalhar. Com muito esforço, me desvincilho do abraço dela (dói). Então levanto e vou ao banheiro. O dia começa.

August 8, 2008

 Suicídio Gargantal Raro 

Imaginem a seguinte cena: temos aqui uma figura, do alto de seus esplêndidos 22 anos de vida, que na quarta feira passa metade do dia praticamente escarrando no trabalho (aposto que teve gente querendo saber por que eu saía tanto da minha mesa), falta a outra metade pra morrer de febre na cama, falta o outro dia porque ainda não está curado (mas está bem melhor — só uma leve febre pela manhã e começo da tarde) (mas o que são 38° de febre, não é mesmo?) e vai, nessa mesma noite num show em Porto Alegre.

Claro, não eu (ih, me entreguei) já não estava mais com febre há várias horas, já não me sentia mais tão pesado (foda se mover quando parece que seu corpo não ajuda), só a garganta que ainda estava uma caca.
Claro, agora ela está pior. E com coceirinha de fumaça de cigarro. Odeio gente que fuma em lugar fechado. Grande motivo pra eu preferir minha casa, de noite, e em dobro depois do cabelo crescer.

Mas cara, show muito fooooda, maluco. Tocaram aquela música que eu adoro, aquela música que eu amo, aquela música que eu sempre chorome emociona um pouco, e uma porrada de outras. Só faltou aquela que eu adoro, amo e que eu sempre chorome emociona um pouco, mas essa eles nunca tocam quando eu vou. Será perseguição? Queria muito ver a interpretação do Rober ao vivo… (é forte, cara)

E depois, claaro, fotos com a Trupe! Porque Teatro Mágico é isso, cara, é interação com o público, é você se espremer contra fãs pra tirar fotos com o vocal só por esporte, porque o cara vai ficar lá tirando foto (e fazendo vídeo) até quando tiver gente pedindo. É tirar foto fazendo careta com o pessoal, tirar foto beijando a boneca, é detonar a garganta cantando, pular, empurrar cadeira, deixar de cantar metade das músicas pra tossir (olhando sempre pro palco), é usar nariz de palhaço com led na testa (meu, todo mundo fez a piada da espinha/verruga), é ver o vocalista lendodeclamando poesia-homenagem dos gaúchos raros (“EU SOU GAÚCHO RARO!”) , cara, só estando lá. Só estando lá.

Claro, essa tosse toda valeu a pena só pela apresentação, e pela oportunidade de tirar fotos com toda a trupe, incluindo ESTA MEMORÁVEL:
Pés: Eu (marrom) e Fernando Anitelli
(nem vi a Carol tirando essa aí)

Minha garganta discorda MUITO de mim, e dou toda razão à ela, mas eu faria tudo de novooo :-D muito muito foda!

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