Não sei se vocês já cansaram da cobertura do caso Isabella seiláeudasquantas. Eu sei que eu já, e acho que descobri um jeito campeão de calar a boca de gente que fala do assunto como se fosse o maior evento do Brasil (até o Ronaldinho ser chantageado por travestis, claro).
Eu começo mencionando que, já que está na moda falar de crianças mortas, sobre como é engraçado que os noticiários não mostrem as crianças que, Brasil afora, já nasceram sem chance nenhuma de conseguir nada na vida, as que são abandonadas, que nascem em zonas de miséria, e que morrem lentamente de fome. Essas crianças não saem na capa da Veja, por que será? Será que tem a ver com o fato de parte da culpa ser nossa?
Vale a pena lembrar também crianças ao redor do mundo, que morrem de modos muito mais brutais. Crianças que morrem lutando em guerras e revoluções. Que morrem pisando em minas abandonadas há eras, pegas em tiroteios (seja em zonas de guerra (tipo a Faixa de Gaza) ou em escolas onde crianças que enlouquecem e saem matando seus colegas), que morrem de fome em corpos que estão tão cheios de vermes que as barrigas delas são maiores que a minha — e nos melhores dias elas provavelmente consomem um terço da quantidade de calorias que eu consumo. Mas eles também não saem no jornal. Não são crianças brancas loiras de olhos claros filhas de uma família branca.
Gente, crianças, por favor, aprendam a pensar no que vocês ouvem. O caso Isabella é caso de polícia. Existe uma coisa chamada sistema judiciário que deve cuidar disso. Não são vocês que vão ter voz nesse julgamento, e fazer com que o casal passe pelos maiores sofrimentos não vai trazer ninguém de volta e nem consertar mal nenhum. Se vocês discordam do julgamento do judiciário, bem, então acho que você devia fazer algo pra mudar o sistema, ao invés de cuidar desse caso específico que te causou revolta porque você viu na mídia.
Pensem bastante sobre o que ouvem, e pelo amor de Osíris, não saiam odiando alguém só porque uma matéria na Veja disse que sim.
(É, isso vale pro Ronaldinho também. Deixa o cara se divertir como ele quiser, quem são vocês pra julgar, seus urubus de tragédia alheia?)