February 28, 2008

 Saudades 

E aí, sentiram saudades? Eu também. Só pra esclarecer que o conto abaixo é uma velha idéia (beem velha, da primeira vez que eu ouvi “One For My Baby”). Não é o meu humor, meu clima, nem nada. E eu não sou nem Frank nem o estranho.

Por algum motivo, sempre que eu penso numa cena de alguém triste, essa pessoa está bebendo ou fumando. Influência do cinema, talvez? Pode ser parte do motivo pelo qual eu não bebo nem fumo. Me parecem ser o tipo de coisas que eu faria quando estivesse realmente nas últimas.

Outra: cadê minha festa de boas-vindas? :-P magoei.

 Tochas 

“Essa tocha que eu achei
Ela tem que ser afogada,
Ou logo vai explodir.
Então sirva uma para minha garota
E mais uma para a estrada.”
(One For My Baby - Johnny Mercer/Harold Arlen)

Era tarde, provavelmente depois das três da madrugada. O bar estava vazio, exceto pelo barman e pelo cliente em uma banqueta com um copo vazio.

- Mais uma, Frank.

O barman, Frank, era um americano alto, olhos azuis, um sorriso discreto mas marcante e uma cara de sono que diria a qualquer pessoa mais sóbria que já era hora de fechar. Claro, o sujeito no banco estava muito além de reconhecer isso. Não parecia, mas alguém que estava bebendo a noite inteira não poderia estar sóbrio. Não mesmo.

- Cara, já tá na hora de fechar. Esse é o último, ok?
- Claro, claro - respondeu o homem, obviamente não ouvindo - mas aí, Joe…
- Frank.
- Frank, isso, claro. Senta aí, Frank, eu tenho uma história que vale a pena você ouvir.

Ele era persuasivo, e Frank resignou-se. Serviu de um copo de Jack, e sentou-se para ouvir a história.

- Nós estamos bebendo, meu velho - disse, ao até então desconhecido velho amigo - em homenagem ao fim de um episódio breve.
- Uma mulher?
- E não é sempre?
Ambos riram.

- E ela se foi. - perguntou Frank, afirmando.
- Como todas, meu velho - e a seguir, falou mais baixo - como todas. Sabe, eu poderia te falar muito, sobre reinos nas nuvens e sobre as princesas que os construíram, mas é contra as regras.
- Um brinde às regras! Elas nos separam dos animais.
Copos se tocam.
- E da realidade.
- Também.
Mais um brinde, mais risadas. Não era um clima agradável, certamente, mas era contagioso. Frank colocou uma música bela, mas triste, cantada pelA Voz, no jukebox.

- Somos só gatos se achando leões entre as damas, eu acho - disse Frank, meio sem saber o porquê, mas sabendo muito bem.
- Fale por si. Eu me sinto mais um york se passando por lobo entre as chacais.
- Uhh - disse Frank, em um tom meio de gozação - seria mais engraçado se não valesse para todos nós.
Silêncio.

E então, mais silêncio.

E mais do mesmo silêncio.

E, finalmente, gargalhadas. Ambos choravam de rir. Frank se segurando no banco pra não cair, e o estranho com a cabeça deitada no bar.

- Então, um brinde.
- A esses palhaços solitários.
- E aos amigos ausentes.
- Viva.
Um último brinde, e a última dose. A última última mesmo. Então o estranho se levanta.

- Espero que não tenha se importado por eu alugar seu ouvido.
- Em absoluto. Apareça mais vezes, não seja um estranho.
- Pode deixar.

Então o estranho foi embora, enquanto Frank fechava o bar e ia para casa.

February 16, 2008

 Dia do prato 

Ok, quebrando o silêncio do blog, acho que agora eu já consigo escrever melhor. É, o dia do prato veio, e deu bái-bái-a-go-go de novo, e eu fiquei e estou malzão com isso. Mas é um olho chorando de alegria, e o outro de luto, gente. Ele veio, se foi, mas deixou uma certeza e uma promessa. E dessa vez vai ser. Eu entrei nisso com todas as dúvidas do mundo, mas eu acredito. Não é fácil, não é divertido, já falei “quémainão essa distância” mais vezes que eu me lembro, mas cara, eu seria um idiota se não tentasse. Essa certeza ficou.

E eu posso ser teimoso, tapado, perdido, ignorante (não que eu seja, quero dizer que eu POSSO ser), mas não sou idiota: É ela.

É só o que eu vou dizer aqui. O resto eu tenho que dizer é pra ela. Pra vocês, eu vou falar de webcomics, mas só depois.

“Como arroz e feijão
é feita de grão em grão
a nossa felicidade
como arroz e feijão
a perfeita combinação
soma de duas metades

como feijão e arroz
que só se encontram depois
de abandonar a embalagem
mas como entender que os dois
por serem feijão e arroz
se encontram só de passagem?

me jogo na panela
pra nela eu me perder
me sirvo à vontade
que vontade de te ver

o dia do prato chegou
é quando eu encontro você
nem me lembro o que foi diferente
mas assim como veio acabou
e quando eu penso em você
choro caféleite e você chora leitecafé
(O Teatro Mágico, “Pratododia”)

February 11, 2008

 Filosofia de Trânsito 

Tirando o pó…

“Em engarrafamentos, sempre tem os filhosdaputacaras que tentam ficar trocando de pista, costurando no trânsito. Eles tentam desesperadamente se encaixar entre os outros carros, um reflexo do seu próprio senso de inadequação e necessidade de se sentirem aceitos onde quer que seja possível.”

É algo assim. Deve ter coisa a mais, e coisa a menos. É um talento meu :-) eu esqueço tudo o que disse menos (com sorte) o sentido, aí enrolo e tento falar algo aproximado. Fiquem felizes por eu estaro postando. Eu estou feliz por não estar rolando deprimido na cama.

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Em caso de dúvidas, e-mêia eu, tio.


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