Anitelli Amém
Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário: Letras, lados, lestes. O relógio de pulso pula de uma mão para outra e na verdade… nada muda. A criança que me pediu dez centavos é um homem de idade no meu retrovisor. A menina debruçando favores toda suja é mãe de filhos que não conhece, vendeu-os por açúcar, prendas de quermesse. A placa do carro da frente se inverte quando passo por ele. E nesse tráfego acelero o que posso, acho que não ultrapasso e quando o faço, nem noto. O farol fecha…Outras flores e carros surgem em meu retrovisor. Retrovisor é passado, é de vez em quando… do meu lado, nunca é na frente. É o segundo mais tarde… próximo… seguinte. É o que passou e muitas vezes ninguém viu. Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu. O que agora só ficou no pensamento. Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento. Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas. Mostra as ruas que escolhi… calçadas e avenidas. Deixa explícito que se vou pra frente, coisas ficam para trás. A gente só nunca sabe… que coisas são essas.
(Fernando Anitelli - Amém)

Dezembro… dezembro… chega logo, dezembro!
;o)
Comment por Carol Rodrigues — November 2, 2007 @ 6:59 pm