O Estranho
AVISO: Esse não é um post bonitinho. O que eu escrevi abaixo é um post potencialmente perturbador. Não leia se você achar que não aguenta. E não reclame comigo depois.
Eu sei que eu brinco bastante, mas isso é sério. Só leiam se tiverem certeza absoluta que aguentam!
Lembrando que, como sempre, que meus personagens não são eu, que a história é ficcional, tirada de algum canto escuro da minha imaginação um tanto perturbada, e que isso é uma história de ficção e deve ser tratada como tal.
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Era noite, estava frio e chovia. Muito. Mas ele estava lá. Suas mãos tremiam, mas não era de frio. Ele podia sentir os calafrios, sentia os dedos do diabo tocando em sua espinha. Sua pele congelava no vento, mas em sua mente febril as suas instruções queimavam. Ele era o assassino na estrada, com o cérebro se contorcendo como um sapo. Água rolava pelo seu rosto, mas não era chuva. Amarga demais, salgada demais.Não, era o que restava da sua alma, fugindo.
Alto, seus cabelos quase longos caíam pela sua cabeça meio abaixada, mas a mão sempre pro alto, pedindo carona. Era magro, muito magro, mas obviamente forte. O rosto era branco, realmente pálido, como que doente. Seus olhos eram imóveis, fixos em um ponto fixo móvel. Não era fácil olhar para ele sem ter a impressão de que ele era capaz de qualquer coisa. Não era realmente possível dizer se ele era um monstro ou um herói, mas o sorriso era reconfortante. Suavizava a sua expressão, fazia com que ele parecesse aquele velho amigo que você acabou de conhecer. “E talvez ele até seja”, você pensaria.
Um carro passou, e parou. Dentro, uma mulher, possivelmente a mais linda do mundo, ou do seu mundo, dirigia, e resolveu oferecer carona ao estranho.
Fogo. Ele se aproximou do carro. Queimando. Cumprimentou-o, e ofereceu carona. Seus olhos agora ardiam como o inferno. Ela mal teve temp de gritar. O fogo queimava nos olhos dele, contrastando ainda com o sorriso do seu melhor amigo. Ele tirou as mãos do pescoço dela, tirou o corpo do banco do motorista e jogou no meio da estrada. Que outra pessoa se preocupasse com isso. Ele tinha seu dever. Seus olhos voltaram à frieza de antes. O carro tinha gasolina o bastante.
Dirigiu a noite inteira, até chegar numa fazenda isolada. Um celeiro mais ao fundo, bois no pasto, um cavalo amarrado sob uma proteção, na frente de casa. O carro agora era inútil, tanque vazio e nenhum posto de gasolina nas proximidades, e nem dinheiro para pagar. A chuva havia parado há tempo, mas ele ainda estava encharcado.
Armando era um homem do campo. Não era alto, mas diziam que era forte como dois bois e um terneiro. Construiu o celeiro de sua propriedade sozinho, sem nenhum daqueles conhecimentos todos que a gente da cidade insistia, e já há mais de 20 anos o celeiro continuava firme e forte. Agora, ele era forçado a olhar pela janela enquanto seu orgulho pegava fogo. As labaredas queimavam alto no céu, e a única coisa que não brilhava era a silhueta de um estranho alto e magro parado ao lado do fogo. Com a espingarda em punho, Armando saiu de casa.
Nem mesmo o estranho sabia como havia feito aquilo. Só sabia que suas mãos estavam vermelhas, bem como sua jaqueta. No chão, aos seus pés, o cadáver de Armando. Há alguns passos de distância, sua cabeça, o rosto agora eternamente fixado em uma expressão de horror. Na janela, a esposa gritava. Não por muito tempo. Logo, ela estava caída no chão, seu rosto estraçalhado pelo tiro certeiro que o estranho havia disparado. Dentro de casa, seus dois filhos agora corriam por suas vidas. A mais velha tinha 7 anos.
Esconderam-se no armário, tremendo de medo. Lá fora, o estranho aproximava-se lentamente. Não tinha pressa. Sabia o que devia fazer, as imagens dançavam em sua mente. Entrou na casa, sujou a sola dos sapatos no sangue da mãe, e foi até o quarto do casal. Derrubou uma luminária. O barulho encheu a casa, e um suspiro abafado veio do armário. Barulho de passos saindo do quarto. As crianças realmente pensaram que estavam seguras agora. Foi quando o fogo começou.
O estranho foi bastante precavido. Não haviam saídas que não estivessem cobertas pelas chamas. Elas gritaram, mas o que fazer? Não havia para onde fugir.
Mas a irmã sabia que havia ainda algo a fazer. Embrulharam-se em cobertas, e saíram correndo pela porta da frente. Queimaram os pés, e suas roupas estavam ainda chamuscadas. Lá fora, o estranho aguardava. Mal pisaram do lado de fora, os estranho as levantou pelo pescoço. Seus olhos cheios de lágrimas fitavam os olhos frios do assassino. Não eram capazes de compreender o motivo daquele sorriso.
O estranhou aproveitou bem cada segundo. Olhou dentro dos olhos de cada uma. Em suas mãos, sem ter o que fazer, as crianças se debatiam, choravam, imploravam. Olhavam-no com os olhos da maior pureza do mundo, olhos que brilhavam de lágrimas e de uma beleza triste reservada às crianças que morrem por motivos idiotas nesse mundo cruel. Quando ouviu o estralo do pescoço de seu irmão, a garota soltou um berro que não pertencia à esta terra. Não era um grito de dor, não era algo humano. Era o grito da mãe que, no inverno inclemente, observa os últimos momentos de seu último filhote, que morre de fome.
E o estranho apenas sorria. Não havia prazer em sua tarefa, havia apenas a confirmação de que fazia o necessário. Jogou o corpo do garoto perto do corpo do pai, e apertou o pescoço da garota, a última sobrevivente, com as duas mãos. Ia aumentando a pressão lentamente, dando tempo para que ela soubesse o inevitável. Súbito, uma explosão em sua mente, e em seus músculos, fez com que a cabeça da garota voasse em direção ao fogo.
Estava acabado. Tendo satisfeito seu senso de dever, o assassino pegou o único transporte que ainda restava, o cavalo, e saiu galopando noite afora.
“If you give this man a ride, sweet memoryfamily will die, killer on the road, yeah.”
(The Doors, Riders on the Storm)

Mmmmmmmm!
Comment por Garfield — June 21, 2007 @ 2:21 am
o.Õ
bruuuuuu
Genteeee, tadinhas das crianças!!!
Dante meu querido, faz muito bem de colocar aquele aviso no inicio
Mas ele não funciona com pessoas curiosas
Alias, até funciona, só que no sentido inverso!
É só dizer pra não ler que eu ja li tudo! =P
Outra coisa…
Não fico com medo de você depois disso, mas fico me perguntando até onde você pode ir!
~sweet mistery
Comment por Honey — June 21, 2007 @ 3:16 am
Sim, a curiosa aqui não ia conseguir dormir se não lesse!
Resultado: eu sonhei com as crianças… T.T
Comment por Beli — June 21, 2007 @ 3:21 pm
E o toque do meu celular é qual? Riders on the storm…
Comment por Lou — June 23, 2007 @ 10:59 am