June 30, 2007

 MAZAAAAAAAAAA! 

ALEGRIA NERD ALEGRIA NERD!
Estou postando via Linux! DE CASA! URRU!!! Finalmente consegui colocar o vivozap pra funcionar aqui, alegria alegria!

Só para informação dos que chegarem aqui via google, procurando soluções para o mesmo problema, eu usei as dicas desse cara aqui, usando o Fedora 7 (Moonshine). E, pra poupar a encheção de saco, coloquem o “/sbin” na $PATH, pra evitar ter que digitar o caminho certo toda mesma maldita vez (e o tedioso “./”).

Logo testo a reconexão. Eu conhecia o problema que, depois de conectar uma vez, só era possível reconectar reiniciando o sistema, sabe-se lá por que. Vamos ver se continua, por aqui.

UPDATE: Sem problemas pra reconectar! Cara, que dia feliz :-D só falta o Yum colaborar =P

UPDATE 2: É até bom não ter problemas pra reconectar, porque a conexão tem caído bastante, mas acho que é por causa dos cem zilhões de atualizações que eu tou baixando.

UPDATE 3: O link tava quebrado, mas já corrigi.

UPDATE 4: Instale os codecs para ouvir MP3 :D e o fortune \o/
“Linux, DOS, Windows NT: o Bom, o Mau e o Feio” :D

June 29, 2007

 Nunca… 

… duvide de mim.

DanteZCO™-GB: O RLY? diz (23:46):
PRA QUEM VC TRABALHA?
Morgana diz (23:46):
pro governo
Morgana diz (23:47):
mas nao espalha, ta?
hahahahahaha
DanteZCO™-GB: O RLY? diz (23:47):
vou postar no blog
Morgana diz (23:47):
nao acredito
tsc tsc tsc
DanteZCO™-GB: O RLY? diz (23:48):
nunca duvide de mim

June 28, 2007

 Buda 

Essa manhã, eu vi um Buda pousado em um telhado. Ele olhou para mim e rapidamente olhou para o lado, pois havia muito para se ver. Havia a rua levemente enlameada pelas chuvas e pela terra, havia os cães nas outras casas, um cão particularmente grande deitado na casa laranja que também era uma creche, havia as mesmas casas de sempre, um céu onde as nuvens brancas velejavam lentamente no cinza, havia árvores, e este que vos fala.

Eu, não sendo dotado da mesma curiosidade, me limitei a parar em frente ao pequeno Buda, fazer-lhe uma reverência, e seguir meu caminho. Ao ver minha reverência, Buda bateu asas e voou.

June 24, 2007

 Análise Esportiva 

No orkut (aqui):

DanteZCO™
2:30 am(1 hour ago)
Eu tou dizendo, só tem valor o título pra torcida do time que ganhou. Tá todo mundo fazendo isso, e não vejo ninguém com intenção de parar.

É um dos motivos pelos quais eu deixei de prestar atenção em futebol. É sempre a mesma merda

Alex
2:48 am(48 minutes ago)
Queria eu, pensar assim!

hehehe

DanteZCO™
3:35 am(1 minute ago)
É bem simples, cara. O futebol gaúcho se baseia em dois times, logo temos quatro estados:

Grêmio bem, Inter mal:
Gremistas: “hahaha time de segunda blablabla segunda divisão”
Colorados: “Mimimi campeão mundial buabua vcs foram pra segundona”

Inter Bem, Grêmio mal:
Gremistas: “mimimi campeões do mundo mimimi melhores que vocês haha mimi”
Colorados: “Hahahah vivendo de passado blabla segunda divisão”

Ambos indo mal:
Gremitas: “Mimimi fomos campeões do mundo mimi mais títulos buabua”
Colorados: “Mimimi nós também buabuabua nunca fomos pra segundona”
E o torcedor do time que está pior sempre menciona isso

Ambos indo bem:
Gremistas: “Hahahah camepões do mundo haha melhor que vocês”
Colorados: “Hahaha nós também haha melhores somos nós”
E o torcedor do time que está pior sempre menciona isso

Obviamente, ambos os times ficam flutuando entre os dois estados, o que dá a ilusão de diversidade, mas é sempre a mesma coisa.

Dá pra resumir nisso todas essas discussões.

DanteZCO™
3:36 am(0 minutes ago)
Putamerda, gostei desse comentário :D com licença, vou postar no blog.

June 21, 2007

 O Estranho 

AVISO: Esse não é um post bonitinho. O que eu escrevi abaixo é um post potencialmente perturbador. Não leia se você achar que não aguenta. E não reclame comigo depois.

Eu sei que eu brinco bastante, mas isso é sério. Só leiam se tiverem certeza absoluta que aguentam!

Lembrando que, como sempre, que meus personagens não são eu, que a história é ficcional, tirada de algum canto escuro da minha imaginação um tanto perturbada, e que isso é uma história de ficção e deve ser tratada como tal.

Era noite, estava frio e chovia. Muito. Mas ele estava lá. Suas mãos tremiam, mas não era de frio. Ele podia sentir os calafrios, sentia os dedos do diabo tocando em sua espinha. Sua pele congelava no vento, mas em sua mente febril as suas instruções queimavam. Ele era o assassino na estrada, com o cérebro se contorcendo como um sapo. Água rolava pelo seu rosto, mas não era chuva. Amarga demais, salgada demais.Não, era o que restava da sua alma, fugindo.

Alto, seus cabelos quase longos caíam pela sua cabeça meio abaixada, mas a mão sempre pro alto, pedindo carona. Era magro, muito magro, mas obviamente forte. O rosto era branco, realmente pálido, como que doente. Seus olhos eram imóveis, fixos em um ponto fixo móvel. Não era fácil olhar para ele sem ter a impressão de que ele era capaz de qualquer coisa. Não era realmente possível dizer se ele era um monstro ou um herói, mas o sorriso era reconfortante. Suavizava a sua expressão, fazia com que ele parecesse aquele velho amigo que você acabou de conhecer. “E talvez ele até seja”, você pensaria.

Um carro passou, e parou. Dentro, uma mulher, possivelmente a mais linda do mundo, ou do seu mundo, dirigia, e resolveu oferecer carona ao estranho.

Fogo. Ele se aproximou do carro. Queimando. Cumprimentou-o, e ofereceu carona. Seus olhos agora ardiam como o inferno. Ela mal teve temp de gritar. O fogo queimava nos olhos dele, contrastando ainda com o sorriso do seu melhor amigo. Ele tirou as mãos do pescoço dela, tirou o corpo do banco do motorista e jogou no meio da estrada. Que outra pessoa se preocupasse com isso. Ele tinha seu dever. Seus olhos voltaram à frieza de antes. O carro tinha gasolina o bastante.

Dirigiu a noite inteira, até chegar numa fazenda isolada. Um celeiro mais ao fundo, bois no pasto, um cavalo amarrado sob uma proteção, na frente de casa. O carro agora era inútil, tanque vazio e nenhum posto de gasolina nas proximidades, e nem dinheiro para pagar. A chuva havia parado há tempo, mas ele ainda estava encharcado.

Armando era um homem do campo. Não era alto, mas diziam que era forte como dois bois e um terneiro. Construiu o celeiro de sua propriedade sozinho, sem nenhum daqueles conhecimentos todos que a gente da cidade insistia, e já há mais de 20 anos o celeiro continuava firme e forte. Agora, ele era forçado a olhar pela janela enquanto seu orgulho pegava fogo. As labaredas queimavam alto no céu, e a única coisa que não brilhava era a silhueta de um estranho alto e magro parado ao lado do fogo. Com a espingarda em punho, Armando saiu de casa.

Nem mesmo o estranho sabia como havia feito aquilo. Só sabia que suas mãos estavam vermelhas, bem como sua jaqueta. No chão, aos seus pés, o cadáver de Armando. Há alguns passos de distância, sua cabeça, o rosto agora eternamente fixado em uma expressão de horror. Na janela, a esposa gritava. Não por muito tempo. Logo, ela estava caída no chão, seu rosto estraçalhado pelo tiro certeiro que o estranho havia disparado. Dentro de casa, seus dois filhos agora corriam por suas vidas. A mais velha tinha 7 anos.

Esconderam-se no armário, tremendo de medo. Lá fora, o estranho aproximava-se lentamente. Não tinha pressa. Sabia o que devia fazer, as imagens dançavam em sua mente. Entrou na casa, sujou a sola dos sapatos no sangue da mãe, e foi até o quarto do casal. Derrubou uma luminária. O barulho encheu a casa, e um suspiro abafado veio do armário. Barulho de passos saindo do quarto. As crianças realmente pensaram que estavam seguras agora. Foi quando o fogo começou.

O estranho foi bastante precavido. Não haviam saídas que não estivessem cobertas pelas chamas. Elas gritaram, mas o que fazer? Não havia para onde fugir.

Mas a irmã sabia que havia ainda algo a fazer. Embrulharam-se em cobertas, e saíram correndo pela porta da frente. Queimaram os pés, e suas roupas estavam ainda chamuscadas. Lá fora, o estranho aguardava. Mal pisaram do lado de fora, os estranho as levantou pelo pescoço. Seus olhos cheios de lágrimas fitavam os olhos frios do assassino. Não eram capazes de compreender o motivo daquele sorriso.

O estranhou aproveitou bem cada segundo. Olhou dentro dos olhos de cada uma. Em suas mãos, sem ter o que fazer, as crianças se debatiam, choravam, imploravam. Olhavam-no com os olhos da maior pureza do mundo, olhos que brilhavam de lágrimas e de uma beleza triste reservada às crianças que morrem por motivos idiotas nesse mundo cruel. Quando ouviu o estralo do pescoço de seu irmão, a garota soltou um berro que não pertencia à esta terra. Não era um grito de dor, não era algo humano. Era o grito da mãe que, no inverno inclemente, observa os últimos momentos de seu último filhote, que morre de fome.

E o estranho apenas sorria. Não havia prazer em sua tarefa, havia apenas a confirmação de que fazia o necessário. Jogou o corpo do garoto perto do corpo do pai, e apertou o pescoço da garota, a última sobrevivente, com as duas mãos. Ia aumentando a pressão lentamente, dando tempo para que ela soubesse o inevitável. Súbito, uma explosão em sua mente, e em seus músculos, fez com que a cabeça da garota voasse em direção ao fogo.

Estava acabado. Tendo satisfeito seu senso de dever, o assassino pegou o único transporte que ainda restava, o cavalo, e saiu galopando noite afora.

“If you give this man a ride, sweet memoryfamily will die, killer on the road, yeah.”
(The Doors, Riders on the Storm)

June 17, 2007

 Richard 

“E ele me disse que todos os românticos encontram o mesmo destino algum dia
Cínicos e bêbados e incomodando alguém em uma cafeteria escura.”
(Joni Mitchell - The Last Time I Saw Richard)

Era tarde, bem tarde. O sol ia se pondo, as pessoas começavam a sumir das ruas, e eu fui ao café. Estava com muito pouca cafeína no sangue, precisava de um especial. O inverno de Detroit com bastante vento, mesmo meu sobretudo, meu cachecol e meu fedora não estavam ajudando. O fedora, aliás, insistia em se mexer na minha cabeça.

Entrei, o guizo na porta tocou, anunciando o novo cliente. O bar estava vazio, salvo as baratas e poucos clientes. Não é o lugar mais limpo da cidade, e certamente não é o melhor atendimento, mas existe algo aqui que faz com que eu perca a vontade de tomar café em outro lugar. Procurando uma mesa, vi um velho amigo.

Richard era um sujeito estranho. Seus olhos tinham olheiras profundas e constantes, embora que eu saiba ele tenha passado boa parte de sua vida dormindo. Sua camiseta branca tinha algumas manchas e estava amassada até para os padrões dele. O cinzeiro na mesa estava cheio, a xícara estava vazia, e o papel com manchas marrons estava coberto pelos rabiscos que Richard insistia em chamar de letra. Ele nem em viu, mas duvido que fosse notar algo menor que a queda de um meteoro. Ou melhor, de um planeta. Me aproximei, e vi que seus olhos estavam meio vermelhos. Ele olhava para o nada e ainda não me via, com certeza era o mesmo sujeito de sempre.

“Sabe, Dan” começou ele, me assustando pra caramba. Quem diria, ele notou que eu estava aqui. Algo estava errado. “Sabe”, continuou ele, “todos os românticos sempre encontram o mesmo final: cínicos e amargos e bêbados, incomodando alguém em algum café escuro. A minha vítima é a garçonete ali”, falou, apontando para uma mulher atrás do balcão. Uma cara gorda e nervosa, cabelos loiros presos por uma rede no cabelo, mas um cigarro caído no canto da boca. “Uma verdadeira lady,” disse eu, rindo.

“E quem é a sua vítima?”, ele me perguntou. Soltei uma gargalhada, involuntária. Mesmo previsível como o inferno, ele ainda sabia me pegar de surpresa. “Tá rindo, é. Por acaso você acha que está a salvo? Olhe-se no espelho, meu amigo, eles brilham como as últimas rosas da primavera, antes de murcharem para o outono.”
“Bom, nesse caso, acho que a minha vítima é você. A não ser que queira dividir”, falei, referindo-me à garçonete, que lavava louça enquanto derrubava cinzas na pia alagada. Vai ver era esse o sabor defumado do café.
“Eu sei como você pensa, você gosta de rosas, beijos, afagos, todas aquelas mentiras bonitas quando dizemos que amamos alguém. Provavelmente gosta mais de falá-las do que de ouvi-las, ah, eu sabia”, interrompeu-se ele, vendo a resposta no meu rosto. “Pelo amor de Bog, rapaz, você é pior que eu!”, berrou ele, com um tom de desapontamento na voz. Era óbvio que ele tinha, como ele mesmo gostava de dizer, “aberto mais um vácuo”.

Ele é tão romântico quanto eu, não o entendam errado. Nós dois somos daquela rara última espécie de cara que realmente pensa em algo romântico com outros objetivos além de conseguir sexo. De fato, algumas vezes nem ambicionamos o beijo, fazemos simplesmente porque, bem, é algo que a gente faz. Mas, vocês vêem, essa era a teoria do Richard, que ele bolou depois de vários relacionamentos ultraromânticos (e ultrafalhos também): a gente se aproxima das mulheres, dá a elas o que elas querem, e aí elas vão embora nos deixando com mais um vácuo. Se relacionar com pessoas é difícil, e com mulheres em dobro porque elas adoram joguinhos e alimentam fantasias idiotas de caras que as entendem só pelos gestos. Acham que isso é possível o tempo todo, e acham que querem isso, mas quando conseguem, vêem que não queriam mesmo aquilo, desistem e vão atrás do mesmo sonho, de novo. Essa é a teoria do Richard, mas não sei se realmente discordo ou concordo com ela. Acho que, como tudo o mais que ele diz, em parte.

Richard levantou-se e foi até o jukebox. Colocou uma ficha e escolheu um álbum, e enquanto ele fazia isso eu olhava seus rabiscos. Não entendi porra nenhuma, como sempre, essa letra dele é tão ruim que eu juraria que são desenhos. Malfeitos, aliás, muito mal feitos. Coloquei o papel de volta na posição anterior e fiquei observando a postura de Richard. O mesmo passo levemente cambaleante para a esquerda, aquela incerteza toda que ele ocultava sob uma postura meio cínica, meio arrogante, mas puramente amarga na maior parte do tempo. Ao menos era assim que ele agia em público, alguns seletos conheciam ele melhor que aquilo. Ele sentou-se e a garçonete nos serviu mais café defumado. “Bebam, já está quase na hora de fechar”, ela falou, com sua voz monótona, meio arranhada. Como eu disse, o atendimento não é dos melhores, mas cara como esse café é bom!

“Richard, você não mudou nada, cara! Você só está remoendo de novo e de novo e de novo uma daquelas velhas dores que ficam dentro da sua cabeça. Você fica aí falando sobre românticos cínicos e deixando a garçonete e as baratas e eu sabermos que você quebrou a cara e que nunca mais vai se apaixonar, mas ouça a o disco que você escolheu. Você não vai convencer ninguém ouvindo As Time Goes By!”, eu falei, rindo.
“É, e não foi a última vez. Foi a última vez essa semana, com sorte esse mês, mas definitivamente não foi a última vez, nisso você tem razão”. Isso é outra coisa interessante sobre o Richard: de vez em quando ele responde uma pergunta com a resposta pra sua pergunta seguinte, e quem não o conhece fica meio perdido com isso. Felizmente, eu já estou acostumado.
“Mal assim, hein?”, perguntei, porque tem vezes em que as perguntas mais idiotas não são tão idiotas assim.
“É mais um livro, meu caro, mais uma metáfora e mais um livro. É o que nos sobra no final, certo? Elas nos dizem que somos seus sonhos, e aí um dia elas acordam e nos deixam com uma metáfora e a trama de mais um livro pra pessoas que procuram motivos pra sentir tristeza.”
“E o próximo livro, é sobre o que?”, eu perguntei, tentando mudar de assunto.
“Sobre um idiota. Não é sobre o que são todos? Todo livro é sobre uma marionete seguindo as ordens de um autor todo-poderoso. É parte do barato de escrever, nós podemos controlar vidas de personagens. Eles só existem na nossa imaginação, mas isso não significam que não seja divertido.”
Súbito, o refrão de Blue Moon foi interrompido e as luzes foram sendo apagadas. Era o sinal de que estavam realmente fechando. Cada um pegou suas coisas, pagou sua conta, e fomos embora.

Do lado de fora já estava escuro, e vários postes estavam apagados. Eu e Richard nos cumprimentamos, e cada um seguiu seu caminho. Foi a última vez que o vi.

Não sei dizer o que aconteceu com ele. De quando em quando me pego pensando nisso. Poucas das pessoas que eu encontrei eram tão interessantes quanto ele. A maioria era tão chata quanto qualquer outro. Acho que eu nunca mais encontrei um sábio urbano como ele, com aquele jeitão melodramático, sempre o guardanapo pronto pra virar rosa no bolso, os olhos tristes mas o sorriso que, de um jeito que eu nunca entendi, encantava as mulheres. Ele nunca conseguiu relações duradouras, mas eu sei que tentou bastante. Eu também, para falar a verdade, e não posso dizer que consegui. De vez em quando, eu pego um café e fico imaginando Richard fazendo a mesma coisa, em alguma mesa em alguma cozinha num apartamento em algum lugar, a luz entrando pelo lado de fora, e ele curtindo um momento de solidão antes de ir deitar do lado de sua esposa e dormir, com aquele sorriso estranho e atraente no rosto.

Mas isso é só a minha imaginação. Richard tinha toda a razão, sabe? É nessas horas que eu percebo como me tornei um velho sentimental. Sozinho, mas ainda um romântico com seus livros na estante e um café quente, levemente defumado, do lado da poltrona.

Obviamente baseado na música The Last Time I Saw Richard.

June 16, 2007

 Woody Again 

“Depois disso [o encontro dele com uma ex-namorada], já era bem tarde e nós dois tínhamos que ir embora, mas foi ótimo ver Annie de novo e eu percebi que pessoa incrível ela é e como era legal simplesmente conhecê-la… e eu lembrei daquela velha piada, sabe, o, esse, esse cara vai até o psiquiatra e diz, ‘Doutor, hã, meu irmão é maluco, ele acha que é uma galinha,’ e hã, o doutor diz, ‘Bem, porque você não o traz aqui?’ E o cara diz, ‘Eu traria, mas preciso dos ovos.’ Bem, eu acho que isso resume a minha visão sobre relacionamentos. Você sabe, eles são totalmente irracionais e loucos e absurdos e - mas hã, nós continuamos passando por eles… porque… a maioria de nós precisa dos ovos.”

Não é exatamente otimista, mas faz sentido, não faz?

June 14, 2007

Marvin   Nerd   Diarinho   Koans   magick

 Insônia 

// AVISO: DOSES CAVALARES DE DANTE LOGO ABAIXO. APRECIE COM MODERAÇÃO
Engraçado como as minhas insônias — e sempre as causadas por problemas extrernos — tendem pras noites de quarta-feira. Meu lado “filho de Murphy” acredita, e sem chance de dissuasão, que é porque nas quintas de manhã eu tenho uma das aulas mais fodidas da semana, e de noite idem. Se existisse outro lado, talvez ele discordasse.

E quando você não consegue dormir, e seu cérebro tá pilhado demais pra fazer qualquer coisa produtiva, você apela pra uma das mais antigas e poderosas armas de aliviar cabeças que existem: video games. Felizmente, meu computador tem alguns, em especial um de luta — velho vício que eu nunca tive muita chance de ter quando criança — que é bem poderoso nisso. Zerar o jogo uma vez já me acalmou bastante. Até deu um pouco de sono. Só que depois da animação final você nota que não tá mais com vontade de jogar. E aí, o que sobra?

Obviamente, gibis. As pérolas da minha infância, antigas histórias (ocasionalmente maniqueístas) onde certo e errado são claros e distintos, por vezes óbvios, mais vezes que na nossa vida não-ficcional, tenho certeza.

Só que — isso acontece comigo sempre, mas nessas madrugadas insônes fica bem mais forte — uma hora é inevitável, você acaba entrando no perigoso terreno da auto-contemplação. Eu não sei se é assim com todo mundo, ou se eu li gibis demais, mas parece que, por mais acertos que eu faça, os erros ainda são estrondosamente maiores. A balança não funciona direito, sabe? É um dos motivos pelos quais, embora eu passe muito tempo do meu dia — um dos contras de morar sozinho — olhando pro metafórico espelho, eu ao mesmo tempo não goste muito do que eu vejo.

Felizmente, a existência é binária. Existem só duas coisas: aquilo que eu reconheço como eu, e aquilo que eu reconheço como não-eu. E o segundo é muito maior que o primeiro, embora o primeiro seja o que chame mais atenção. Até porque está mais perto, e proximidade parece ser uma coisa importante nesses dias. Um certo egoísmo também, porque eu quero que todo o não-eu que está longe esteja perto, embora há uma distância razoável. Bem o dilema do ouriço, sabe? Você quer se aproximar, mas sabe que vai doer, então instintivamente recua. É estranho passar boa parte da vida procurando esse equilíbrio, entre proximidade e dor, e talvez pareça pior do que realmente é porque, mesmo sabendo que não, sempre temos a impressão de que as coisas estão indo bem em todo o resto: no não-eu, no passado e no futuro.

E o legal é que, como a nossa percepção de tempo pode ser mais uma ilusão (um tema deveras consistente nesse texto), talvez passado e futuro aconteçam simultaneamente, e nós estejamos com a mesma idéia de antes, a de que estamos sozinhos. Meio como o AD tem no blog dele: “às vezes o mundo parece um grande buraco, e você passa toda a sua vida lá, gritando, e tudo o que você escuta são ecos de um idiota berrando besteiras em um buraco.” Ou, citando Alan Moore (sobre uma placa do teste de manchas de Rorschach), “o horror final é esse: é apenas uma mancha preta. Estamos sozinhos. Não existe mais nada.”

Afinal, o universo é um ponto de vista. Quando você acredita que tudo está uma merda, o universo ESTÁ uma merda. Os problemas se destacam, sejam os do eu ou os do não-eu. É interessante o poder e a impotência que essa percepção nos dá: por um lado, o universo — conforme você o percebe, o que resume bastante bem a realidade em que você vive — é regido pelas suas percepções. Por outro lado, não dá pra simplesmente virar a cabeça pro lado e mudar de idéia. Seja por qual motivo for, nós continuamos ali, no buraco, berrando besteiras, com consciência disso, mas incapazes de simplesmente calar a boca e ir fazer outra coisa. É engraçado, de um jeito meio trágico. É como se as nossas vidas fossem escritas por um redator sem idéias que, pra ganhar tempo, fica inventando dramas baratos.

É praticamente uma tirinha em quadrinhos. Nós passamos a nossa vida esperando e nos esforçando pra ter momentos em que nos sentimos bem, e quando eles chegam nós ainda perdemos tempo pensando em como eles vão logo chegar a um fim. E sempre a noção de fim, nunca a de intervalo. Eu realmente acredito no budismo, que o grande êxtase em viver está mesmo na superação do desejo, da vontade. É a capacidade de simplesmente dizer “foda-se, vamos ver como as coisas acontecem”. Mas é difícil pra quem se acostumou com a filosofia enxadrística de pensar vários movimentos adiante. Eu passo boa parte do meu dia analisando “jogadas” que nunca vão acontecer. Seja num flame na internet, e até em um bote em corredeiras velozes, eu começava a analisar, automaticamente. Acontece bastante quando estou dirigindo entre Santa Cruz e São Leopoldo. Eu conheço o caminho de cor, então boa parte do trecho eu posso simplesmente me desligar um pouco e pensar na vida. E é legal perceber como eu de repente me desliguei e ao mesmo tempo me mantive atento à estrada. E como eu consigo alternar entre esses dois estados com facilidade.

E isso nem é apenas dirigindo. É em tudo: no banho, caminhando na rua, antes de dormir. É um jeito legal de manter um equilíbrio dentro de si. Um tipo estranho de equilíbrio, é verdade, onde a balança ainda está quebrada, mas equilíbrio. É praticamente como escrever no blog, mas com muito menos palavras — porque alguns dos meus pensamentos existem em níveis acima delas (uma questão de percepção, claro) . É até um dos motivos pelos quais eu sou tão travado na hora de falar (pelo menos, eu me considero), enquanto minha mente está em um ponto, a boca está lá atrás e não vai conseguir acompanhar.

E deixa eu contar um segredo bastante óbvio: a maioria dos contos que eu escrevo são esses pensamentos. A forma que eles adquirem. São imagens aleatórias que me aparecem e que aí eu finalmente consigo botar pra fora.

E só pra finalizar, deixa eu explicar um ponto do último conto que ficou estranho (pra dizer o mínimo), de propósito: eu não falei sobre a mensagem porque achei que estava bastante evidente que o lobo teve uma epifania, uma súbita compreensão, um kensho. Pelo menos, eu tinha em mente isso, e a intenção era de que você que leu tivesse a sua impressão. Talvez tenham, até, ou talvez achem que tenham. Era para evocar aquela sensação fantástica de quando você olha para um detalhe e percebe o todo. E todo o todo, tudo aquilo que é não eu, e começa a pensar que talvez a distinção esteja apenas na sua cabeça. Não sei com quantos isso já aconteceu, mas comigo já, e é ótimo.

Vou lá dormir um nada e acordar com olheiras imensas. Ou não. Seja como for, vou fazer outra coisa. Já escrevi o bastante.

 Comédia 

“La Commedia è finita!”

Hah. O Canio não sabia de nada. Eu fui mais palhaço que ele jamais sonhou em ser.
Mas deixe estar. “Se continuarmos andando, sem desistir, quem sabe não encontramos algo mais adiante? Como a lua, brilhando lá no céu.”(fonte)

June 13, 2007

 Evil 

Uma amiga minha, a quem, para evitar revelar sua identidade chamarei de “Balestro”, gosta de mencionar como, apesar de sua carinha infantil de 14 anos de idade, é evil. Eu sempre digo que não, até porque é ÓBVIO que ela não é evil, apesar de fazer engenharia. E eu, obviamente, sempre falo como eu sou mais evil porque, bom, eu sou.

Mas a histe eu estávamos esse dia vendo tosqueiras no Youtube. Ela me mostrou tosqueiras imencionáveis, realmente o fundo sujo da privada do Brasil, e eu resolvi mostrar Robot Chicken pra ela. Pros que não sabem, Robot Chicken é uma série que faz algumas paródias, geralmente com um final, no mínimo, negativo. [SPOILERS] Por exemplo, em Mario Vice City, eles morrem. Mesmo. E o Yoshi é devorado no final também. E o Calvin acaba matando os pais e é internado num hospício. O Swedish Chef quase bate na mulher. Toda a turma do Scooby-Doo, menos a Welma, morre. O “Lil’ Hitler” acaba com todos os colegas, menos o americano[FIM DOS SPOILERS]. E coisas delicadas, fofas e açucaradas como essas.

E a cada vídeo ela me olhava horrorizada, com o senso de humor macabro daquilo.
E sabe, eu não tinha percebido o quanto eu sou evil até essa hora. Cara, meu senso de humor é meio doentio MESMO. Eu ri do Super Mario sendo metralhado ao vingar o Luiggi.
I’m evil. Fear me.

June 11, 2007

 Pronto 

Estou inscrito no concurso. Desejem-me sorte =)

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Em caso de dúvidas, e-mêia eu, tio.


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