Explicando
“É mais fácil ser legal do que ser estranho. E é bem mais divertido.” (Didi,
“Morte: o Alto Preço da Vida”)
Bom, já que pediram com tanto jeitinho, vou explicar meu blog. Não reclamem se vocês não entenderem. Provavelmente significa que vocês não estão se esforçando. Ou, pior ainda, que vocês estão.
Os que já falaram comigo, seja pessoalmente ou via MSN, geralmente acham que eu tenho uns parafusos a menos. Diacho, até gente que tem seus parafusos a menos acha que eu tenho ainda menos parafusos no lugar. Talvez até seja verdade, isso realmente depende do seu ponto de vista, mas mantenha em mente que não sou eu que bebo pra me divertir. Só porque eu já saí pra caminhar de madrugada em outro país e passei mais de uma hora sentado num gramado irregular na frente de uma fábrica, olhando montanhas, céus, estrelas e cidades, não quer dizer que eu seja louco.
Dito isso, vamos dizer mais coisas. Sabe, os meus olhos não são como os de vocês. As árvores, por exemplo. Eu sei que todo mundo olha pra uma árvore e vê uma árvore. Parece óbvio. Uma árvore é só uma árvore. ERRADO! Tem muito mais a ser visto em uma árvore além de uma árvore. A árvore é um sábio. Vive, morre, existe. E um dia se transforma em outra coisa, papel, adubo, palitos de dente ou de picolé. Quando foi a última vez que vocês olharam pra uma árvore e viram um papel higiênico que vocês usaram na última vez que foram no banheiro? Necessidade de uma espécie que insiste em comer gordura flavorizada depois de tomar banho. E lavar as mãos. E ainda querem ser limpos, cara! Por favor, me digam que não sou o único que enxerga a demência disso.
Mas estou fugindo do ponto. O que eu quero falar aqui é visão. Entendam, os olhos são os piores inimigos das suas cabeças. Se dependesse só dos seus olhos, o Sol giraria em torno da Terra, metais se atrairiam por magia, e um cuspe cairia no chão simplesmente porque cuspes caem no chão, oras(”É um cuspe, o que mais ele deveria fazer, brincar de cabra-cega?”). E, como a maioria de vocês suspeita, não é esse o caso (exceto o caso do cuspe, mas esse é outro caso, que não vem ao caso).
Outro problema sério que eu vejo nas pessoas é a necessidade de dar nome pras coisas. Tudo bem, é mais fácil pedir um martelo quando você o chama de martelo, mas, acreditem ou não, muitas coisas não são martelos. Muitas coisas são. Esqueçam a transição do verbo, porque não tem objeto. São, entende? O que mais poderiam ser, além do que são? É isso que vocês não querem aprender, e que dificulta me entender. Eu falo de coisas que estavam por aí muito antes de surgir o primeiro nome, mas não digo a vocês como devem chamá-la, aí vocês não entendem. Seria frustrante, se eu já não conhecesse o meu público. E o pior: se eu der nome, vou estar falando de uma coisa totalmente diferente. Não tenho como vencer.
Mais uma coisa: pensar é preciso. Pensar te torna estranho. Você passa a criar idéias. Unam o ato de pensar com o ato de não dar nome às coisas que vocês verão um mundo bem mais interessante.
Mais uma coisa: existe mais de um sentido. Especialmente se você estiver falando comigo de madrugada quando eu estiver com muito sono ou com a cabeça cansada. Ou se eu estiver saindo de um momento iluminado. Ou simplesmente bem feliz. Às vezes, o sentido que uma coisa faz não é o sentido que vocês esperariam que ela fizesse. Às vezes uma árvore é um buda, mesmo que não o seja o tempo todo. Aceitem as diferenças. Há um motivo para nós não sermos binários. Ou não, mas isso não interessa nesse caso.
Mais uma coisa: tudo é normal. A diferença é que algumas coisas são comuns.
Entendam isso.
Último detalhe: quando eu falo em entender, não estou falando no entender que vocês se acostumaram. Estou escrevendo de forma que vá confundir as suas mentes, pra poder falar do único jeito que realmente vai ser compreensível, porque a grama cresce sozinha. Não adianta adubar, molhar, secar, conversar. Ela ainda cresce sozinha.
Falei um monte, e podia ter falado bem menos. Se querem a versão resumida desse texto, ei-la:
:-)
Esse é o segredo do universo, mas só pros que enxergarem.
“Sentado na grama
fazendo silêncio
a grama cresce sozinha.” (Koan)
