November 27, 2006

 Explicando 

“É mais fácil ser legal do que ser estranho. E é bem mais divertido.” (Didi,
“Morte: o Alto Preço da Vida”)

Bom, já que pediram com tanto jeitinho, vou explicar meu blog. Não reclamem se vocês não entenderem. Provavelmente significa que vocês não estão se esforçando. Ou, pior ainda, que vocês estão.

Os que já falaram comigo, seja pessoalmente ou via MSN, geralmente acham que eu tenho uns parafusos a menos. Diacho, até gente que tem seus parafusos a menos acha que eu tenho ainda menos parafusos no lugar. Talvez até seja verdade, isso realmente depende do seu ponto de vista, mas mantenha em mente que não sou eu que bebo pra me divertir. Só porque eu já saí pra caminhar de madrugada em outro país e passei mais de uma hora sentado num gramado irregular na frente de uma fábrica, olhando montanhas, céus, estrelas e cidades, não quer dizer que eu seja louco.

Dito isso, vamos dizer mais coisas. Sabe, os meus olhos não são como os de vocês. As árvores, por exemplo. Eu sei que todo mundo olha pra uma árvore e vê uma árvore. Parece óbvio. Uma árvore é só uma árvore. ERRADO! Tem muito mais a ser visto em uma árvore além de uma árvore. A árvore é um sábio. Vive, morre, existe. E um dia se transforma em outra coisa, papel, adubo, palitos de dente ou de picolé. Quando foi a última vez que vocês olharam pra uma árvore e viram um papel higiênico que vocês usaram na última vez que foram no banheiro? Necessidade de uma espécie que insiste em comer gordura flavorizada depois de tomar banho. E lavar as mãos. E ainda querem ser limpos, cara! Por favor, me digam que não sou o único que enxerga a demência disso.

Mas estou fugindo do ponto. O que eu quero falar aqui é visão. Entendam, os olhos são os piores inimigos das suas cabeças. Se dependesse só dos seus olhos, o Sol giraria em torno da Terra, metais se atrairiam por magia, e um cuspe cairia no chão simplesmente porque cuspes caem no chão, oras(”É um cuspe, o que mais ele deveria fazer, brincar de cabra-cega?”). E, como a maioria de vocês suspeita, não é esse o caso (exceto o caso do cuspe, mas esse é outro caso, que não vem ao caso).

Outro problema sério que eu vejo nas pessoas é a necessidade de dar nome pras coisas. Tudo bem, é mais fácil pedir um martelo quando você o chama de martelo, mas, acreditem ou não, muitas coisas não são martelos. Muitas coisas são. Esqueçam a transição do verbo, porque não tem objeto. São, entende? O que mais poderiam ser, além do que são? É isso que vocês não querem aprender, e que dificulta me entender. Eu falo de coisas que estavam por aí muito antes de surgir o primeiro nome, mas não digo a vocês como devem chamá-la, aí vocês não entendem. Seria frustrante, se eu já não conhecesse o meu público. E o pior: se eu der nome, vou estar falando de uma coisa totalmente diferente. Não tenho como vencer.

Mais uma coisa: pensar é preciso. Pensar te torna estranho. Você passa a criar idéias. Unam o ato de pensar com o ato de não dar nome às coisas que vocês verão um mundo bem mais interessante.

Mais uma coisa: existe mais de um sentido. Especialmente se você estiver falando comigo de madrugada quando eu estiver com muito sono ou com a cabeça cansada. Ou se eu estiver saindo de um momento iluminado. Ou simplesmente bem feliz. Às vezes, o sentido que uma coisa faz não é o sentido que vocês esperariam que ela fizesse. Às vezes uma árvore é um buda, mesmo que não o seja o tempo todo. Aceitem as diferenças. Há um motivo para nós não sermos binários. Ou não, mas isso não interessa nesse caso.

Mais uma coisa: tudo é normal. A diferença é que algumas coisas são comuns.
Entendam isso.

Último detalhe: quando eu falo em entender, não estou falando no entender que vocês se acostumaram. Estou escrevendo de forma que vá confundir as suas mentes, pra poder falar do único jeito que realmente vai ser compreensível, porque a grama cresce sozinha. Não adianta adubar, molhar, secar, conversar. Ela ainda cresce sozinha.

Falei um monte, e podia ter falado bem menos. Se querem a versão resumida desse texto, ei-la:

:-)

Esse é o segredo do universo, mas só pros que enxergarem.

“Sentado na grama
fazendo silêncio
a grama cresce sozinha.” (Koan)

November 26, 2006

 Iron Maiden 

Eu sou um homem que caminha sozinho
E quando estou andando pela estrada escura
De noite ou andando pelo parque

Quando a luz começa a mudar
Eu às vezes me sinto meio estranho
Um pouco ansioso quando está escuro

Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho um medo constante de que alguém está sempre próximo

(…)

Quando estou andando em uma estrada escura
Eu sou um homem que caminha sozinho

November 24, 2006

_

 Dica 

Ok, já que acontece bastante de não entenderem muito bem o contexto dos posts, olhem para as categorias. Deixem o mouse sobre o link e vai aparecer uma legenda com mais detalhes sobre o que ela significa.

Se insistirem, eu faço um post explicando uma a uma.

November 23, 2006

 Smith 

So, from all of us from Aero, to all of you, out there, wherever you are, remember: the light in the end of the tunnel may be you!
Good night!

November 21, 2006

 Ironic 

Eu acordei por uma semana com meu despertador tocando Alanis (Hand In My Pocket).

Ontem troquei pra Jimi Hendrix (All Along the Watchtower), e perco a hora.

Isn’t it ironic?
Don’t you think?

November 20, 2006

 Endless: Despair 

por Neil Gaiman

Ela esperou até que seu marido e as crianças estivessem longe e adentrassem a floresta nevada, e encerrou tudo. Abandonou tudo. Ela queria que a dor parasse, a dor no coração. Adormeceu no caminho para a morte, acordando apenas quando a patrulha rodoviária encontrou seu corpo. Ela estava fria, rígida, congelada, quando a encontraram. Ela tentou falar, contar que foi isso que tornou a dor insuportável.

“Uma pessoa assim,” disse o policial, “você pensaria que tem todos os motivos do mundo para viver.” Ela tentou falar, contar que foi isso que tornou a dor insuportável, mas como alguém preso em um pesadelo, não conseguia ser ouvida. ela gritou e nenhum som saiu.

Ela observou seu corpo ser levado.
Ela sentou ao lado da estrada, na neve, sem corpo e amedrontada, esperando a felicidade começar.

November 14, 2006

 Nostalgia 

:-)
=:-)
>:-)
:-D
:-P
:-d
and so on…

November 11, 2006

 Lembrem-se 

Se você se machuca, você consegue dormir.
Se você machuca outra pessoa, você não consegue.

 Coincidências 

Eu sou o cético. Sabe aquele cara que, no show de mágica, enquanto todo mundo fica aplaudindo o ilusionista, fica tentando sacar como o truque funciona? Prazer.
Não que eu não admita que não possa haver algo mágico. Só gosto de esgotar todas as alternativas antes de sair por aí dizendo que sapos nascem do lodo. Prefiro nadar até o fundo do lago e me certificar de que não tinha ovos por lá.

Ainda bem, porque provavelmente sairiam idéias mais estranhas da minha cabeça.

Enfim, relatando os fatos: no último feriado, estava eu na sorveteria com a mui amada família Sorriso (da qual sou o irmão mais velho, segundo mais alto e único herdeiro dos genes nerds), e era o segundo da fila. Pensava eu em quais sabores pegar. Um deles era obviamente flocos. O segundo, frutas vermelhas, mas eu estava vacilante. Algo no fundo da minha cabeça dizia que tinha que haver uma opção melhor. Uma opção que não era feita a base de iogurte.
Eis que veio a resposta: cereja.
Um segundo após fazer meu pedido, o Cunhado Sorriso, vulgo Bob’sman, me chama de copiador. Aparentemente, ele estava na iminência de pedir o exato mesmo sorvete.

Deixando isso de lado, hoje, no final da tarde, fui pedir um crepe. Ao mesmo tempo chegaram mais três pessoas. Estava eu ponderando sobre a possibilidade de experimentar o de presunto e queijo. Nisso, um cara pede um crepe de presunto e queijo. Por algum motivo, não me senti confortável em pedir exatamente o mesmo crepe, e mudei para coração e queijo, com orégano.
Adivinhem para qual sabor ele mudou.
Dica: não foi nenhum dos outros vinte e tantos.

Muito mais tarde, na seção de perguntas de uma palestra, pensei em perguntar ao palestrante que linguagens a empresa dele usava. Desisti porque era uma pergunta idiota, afinal, não importa a linguagem, mas sim o resultado final. Linguagem se aprende.
O último vivente a falar resolve perguntar exatamente isso, de um modo tão absurdamente parecido com o que eu tinha pensado, que teria passado desapercebido se não fossem os outros acontecimentos.

Um pouco depois, sortearam-se três mochilas. Claro, até começarem o sorteio boa parte dos apressados já estava do lado de fora do auditório, mas ainda restavam tranquilamente umas 30 pessoas. Mais, talvez. Não contei, na verdade. Começa o sorteio:
Primeiro nome, não era o meu.
Segundo nome, não era o meu.
Terceiro nome, não era o meu.
E eu com uma idéia meio idiota, que me ocorre com certa frequência, que depois de tentarem passar o prêmio para várias pessoas que não estavam no local, meu nome seria chamado.
Quarto nome, adivinhem… não era o meu também. E não estava presente.
Quinto nome, idem.
Sexto nome, ibidem.
Sétimo nome, não tenho certeza.
Oitavo nome, ou nessa chamada ou na outra, foi dito o meu nome.
Detalhe que eu tenho dificuldades pra ganhar qualquer tipo de sorteio. É mais fácil eu ganhar um soco por uma piadinha ruim bem-feita (detalhe: eu nunca apanhei por ter feito piadas ruins, embora com algumas eu merecesse).

Não tenho observações o bastante (essas não são todas) pra traçar uma teoria, mas não consigo não pensar que isso são coincidências juntas demais…
Lembro de alguns anos atrás, lendo o último capítulo de The Dilbert Future, entrar pela primeira vez em contato com a técnica da afirmação, segundo a qual, através da repetição escrita, seria possível alterar levemente as probabilidades para que um evento ocorra em algum momento indeterminado do futuro.
Mais recentemente, o mesmo autor revisita o assunto em seu blog, e fala sobre sua nova visão: que a repetição atuava em nível subconsciente e deixava a pessoa mais atenta às oportunidades que surgem e que permitem que o evento escrito ocorra.

Pode ser o caso.

November 6, 2006

 Matemática 

Matemática

As quatro operações básicas são a soma, a subtração, a multiplicação e a divisão, também conhecidas como “conta de mais”, “conta de menos”, “conta de vezes” e “conta de dividido”.

Essas operações podem ser interpretadas de mais de uma maneira:
5 - 4 = 1 também pode ser 5 + (-4) = 1.
4 / 2 = 2 também pode ser 4 * (1 / 2) = 2.
E isso é geral. Subtrações podem ser somas entre um número e um número negativo.
Divisões podem ser a multiplicação entre um número e 1 dividido pelo número de baixo (vulgo “denominador”). Por exemplo, a / b = c equivale a a * (1 / b) = c.

Logo, pode-se concluir que subtrações são um caso especial de soma, e que o mesmo vale para divisões e multiplicações.

Agora, olhemos direito para as multiplicações:
4 * 3 = 4 + 4 + 4 = 12
Sacaram? As multiplicações em si TAMBÉM são um caso especial de soma.

Logo, as operações básicas podem ser resumidas na soma.
Existe uma lição a ser extraída disso.

November 5, 2006

 Erro #0041.5: falha do blogueiro. 

Este blog está passando por dificuldades técnicas. Falta de capacidade de terminar posts.

Algum dia voltaremos a ter posts. Obrigado.

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