Postado nas categorias Subversão, Diarinho
Me peça pra parar se você já teve essa conversa. Provavelmente você vai pedir, porque todo mundo já teve essa conversa em algum momento.
Então, você está lá, conversando com um amigo ou amiga, ou mais provavelmente num grupo, e alguém fala:
“Você tem que fazer joguinho, se fazer de difícil, senão o que vem depois não tem graça.”
Eu espero, pelo seu bem, que essa pessoa não seja um de seus amigos, porque eu me sinto mal de verdade por tem que aturar uma pessoa assim. Sério mesmo. Eu sinto uma mistura de peso no coração, embrulho no estômago e aquela sensação que teu cérebro quer pular pela orelha quando começam a tocar sertanejo universitário perto de ti.
Mas eu já estive nessa situação, e era em uma época bem mais bunda-mole, e mesmo assim eu tenho a impressão de que fui contrário à pessoa. Se fosse hoje, por outro lado, meu ogríssimo eu provavelmente teria algo assim pra responder:
“Sem graça? Como assim ’sem graça’, tu já ESTEVE na outra parte? No que vem depois? Se tu teve sorte, o que vem depois é ter uma companhia agradável quase sempre, fazer sexo sem nenhum grande desafio, só porque os dois gostam, e sexo com sintonia, não aquela coisa de primeiros encontros em que os dois estão ainda se achando no que cada um gosta… tu só pode ter perdido quando foi no banheiro, é isso que eu acho que aconteceu, tu cagou teu cérebro um dia e ainda não descobriu, é a única explicação pra esse tipo de atitude que eu consigo conceber como racional.”
Na real, essa resposta surgiu (em uma versão menos desenvolvida) conversando com a Sonia (sem acento mesmo), e depois me ocorreu: “Cara, essa frase é meio genial”, mas logo depois eu pensei “mas também é totalmente óbvio”. E saiba: quando uma coisa é totalmente genial e totalmente óbvia ao mesmo tempo, você percebeu algo que está muito errado.
Caso você esteja se perguntando (e, se está, quem diabos é você e como chegou aqui?), “O que estaria de errado? Pessoas são acim(sic) mesmo” (isso mesmo: se você pensa assim, eu presumo que você escreva errado), a resposta é simples: relacionamentos não são um jogo. Tudo bem você achar que aquela transa da balada de sábado de noite tem que ser complicada mesmo pra valer a pena (tem gente que tem tara em transar com balões, véi, o mundo tá cheio de perversões malucas e eu não vou julgar), mas deixa eu te contar uma novidade fantástica: relacionamentos não funcionam assim.
Claro, uma transa pode virar um relacionamento, mas vai, uma coisa é aquela vez, outra são as seguintes. Não existe motivo pra complicar as seguintes. Se você acha que não vai ter graça, eu te digo: te joga de cabeça e vai sem medo. Pode ser que não dê certo, mas aí pode ter certeza que não é o joguinho que ia salvar teu relacionamento.
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