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Oi, eu sou a paixão por filmes do John, e fui eu que peguei todas essas partes e juntei pra esse pequeno tour. Todos os elementos apresentados nesse texto são ficcionais e qualquer semelhança com elementos reais, existentes dentro de você ou de qualquer outro ser vivo são fruto da sua imaginação ou evidência das grandes características que compõe todos os seres vivos minimamente racionais. Todos os direitos liberados.
Eu sou a raiva de John, e sou uma das partes mais destacadas dele. Queimo firme e forte todos os dias. Eu existo não só para expressar o desejo de destruir, zombar e escrotizar do que John sente que merece ser destruído, zombado e escrotizado, mas também existo para manter a sanidade de John, e como última opção. Quando John sente que não há mais nada no que se apoiar, ele sabe que pode contar comigo. Sempre.
Eu sou o tremor familiar de John, e possivelmente uma das últimas coisas que se nota nele. A raiva me alimenta.
Eu sou a sanidade de John, e estou empoeirado. Pouco resta de mim além de alguns farrapos perdidos, colados totalmente pela teimosia de John. E o que resta definitivamente não serve para nortear o pensamento de outra pessoa, e é surpreendente que John continue confiando em mim para qualquer coisa.
Eu sou a pele de John, que afasta o frio mesmo quando ele está forte, e que só se rende com vento forte ou água. Ou lâminas.
Eu sou a teimosia de John. Sem mim, ele já não estaria vivo. Tenho uma reputação que me precede e que é amplamente imerecida. Sou uma mera analista de dados, e me curvo facilmente ante evidências sólidas e válidas.
Eu sou o estômago de John. Eu lembro ele de quando tem que comer, envio os restos para que o intestino o lembre quando ele tem que cagar, e congelo quando ele passa por certas situações sobre as quais ele não tem nenhum controle e cuja inevitabilidade empalideceriam a sua alma, caso o ceticismo ainda não tivesse acabado com ela.
Eu sou o cinismo de John, e em poucos anos passei de característica menor à pilar moral. Eu zombo do mundo e dos idiotas que o contém, zombo das relações entre as pessoas, e da criação das pessoas, sempre que eles não fazem sentido. Muitas vezes, apenas falo com o próprio John.
(em “O Tratado sobre o Lobo da Estepe”, eu seria o lobo)
Eu sou o coração de John. Não o sentimental, mas o físico. Eu bato em um ritmo constante boa parte do dia, mas ocasionalmente eu preciso ser acelerado, seja através do amor, da raiva ou do ódio. Não que algo de ruim vá acontecer caso eu não consiga, mas de vez em quando faz bem.
Eu sou a melancolia de John. Eu o mantenho acordado na madrugada, e mantenho a mente dele concentrada em assuntos cujo controle ele abdicou há muito tempo. Da minha forma, eu alimento a esperança de John.
Eu sou a merda de John. Carrego em mim todos os detritos que restaram e que devo tirar do corpo dele. E ele tem o hábito regular de me liberar, embora a regularidade seja mais metaforicamente do que fisicamente.
Eu sou o intelecto de John. Sou seu filtro principal para o mundo, e exijo a possibilidade de formular explicações e, se possível, lógicas ou heurísticas descritivas para cada aspecto da vida de John.
Eu sou o ateísmo de John, e já fui muitas coisas. Hoje, sou só um cachorro dentuço que quer ser deixado em paz, mas que sempre pode contar com as mandíbulas do intelecto pra se defender de invasores.
(se isso fosse a Marvel Comics, eu seria o Hulk. Forte e desejoso de ficar só)
Eu sou a percepção de John, e não sou muito otimista. Um dia já fui, mas o mundo me ensinou meu lugar, e hoje em dia sou majoritariamente cínica, melancólica e descrente. E ainda sei me divertir.
Eu sou a necessidade de controle de John, e embora soberana, estou aprendendo a me retirar.
Nós somos os olhos de John. Somos verdes, meio escuros, perpetuamente de pálpebras um pouco caídas. Já fomos descritos muitas vezes como tristes ou entediados, o que tem alguma verdade, mas mostramos muito menos do que o que realmente acontece por aqui.
Eu sou a esperança de John, e eu nunca vou morrer.